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Análises
Sex, 29 de Janeiro de 2010 01:15

"Temos o direito de criticar, negar, satirizar o profeta Maomé e Alá e Jesus Cristo e Shiva e Buda e Xangô e Jeová e Zeus – e toda a imensa fileira de deuses e deusas que a humanidade criou e criará". - Está aí. Esta frase debochada é do jornalista André Petry, guru da Revista Veja. Para esse senhor, o direito de zombar da religião dos outros é sagrado. Sagrada é a liberdade de imprensa, sagrada é a democracia, sagrado é o ateísmo. Só Deus não é sagrado!

 

Não compreende o simplório colunista da Revista anticatólica, que o respeito pela religião dos outros é a atitude inteligente e séria de quem, mesmo sendo ateu, compreende que a existência é um mistério tão profundo que faz com que o descrente, ao menos por sábia modéstia, se pergunte: “E se for verdade que Deus existe?” Como também o crente sério e responsável respeitará os ateus, pois, vez por outra, sente a alfinetada de uma incômoda pergunta: “E se não for verdade?” É exatamente essa sábia modéstia de quem não crê e a atitude de eterno peregrino do Absoluto de quem crê que cria o espaço do respeito mútuo. Em outras palavras: um ateu profundo e sincero sempre será tentado a crer; como o crente profundo e sério sempre será beliscado pela ameaça da descrença. Aqui ambos se encontram, aqui se respeitam e compreendem que por mais que tenham posições diferentes ante o mistério de Deus, estão diante de uma Realidade que ultrapassa a pobre razão humana.

Mas, convenhamos, é esperar demais de simplórios como André Petry, Diogo Mainardi e demais articulistas da Veja e cia, que compreendam essas coisas... Como esperar que toupeiras voem como as águias?
Quanto ao absoluto valor da democracia, da liberdade de imprensa e liberdade de expressão, não são valores absolutos não! Isso é ideologia burguesa e ateia. Só Deus é Absoluto! Certamente, nenhuma religião deve militar contra o homem ou desconhecer-lhe a dignidade fundamental. Mas, atenção: quando um sistema democrático torna-se ateu e inimigo da religião, quando se torna espaço de degeneração, já não mais pode ser considerado um valor. Repito: nada é absoluto fora de Deus! Só adoramos a Deus; não a democracia, não a liberdade de imprensa, não o neopaganismo iluminista que devora a alma da nossa civilização!

Só para uma ulterior reflexão, fiquem estas palavras de João Paulo II Magno, no seu livro Memória e Identidade: “A ética social católica apóia, por princípio, a solução democrática, porque mais condizente com a natureza racional e social do homem. Mas, longe dela – é bom especificá-lo! – canonizar este sistema. A verdade é que cada uma das três soluções possíveis – a monarquia, a aristocracia e a democracia – pode, em determinadas condições, servir para a realização do objetivo do poder, isto é, do bem comum. Entretanto, pressuposto indispensável de qualquer solução é o respeito das normas éticas fundamentais... Diversas formas de degeneração dos sistemas nomeados já foram classificados na tradição grega: assim, em caso de degeneração da monarquia, fala-se em tirania; e, para as forma patológicas de democracia, Políbio cunhou o termo ‘oclocracia’, isto é, o domínio da gentalha”... A lei estabelecida pelo homem tem limites concretos, que não pode ultrapassar: os limites ficados pela lei natural, com que o próprio Deus tutela os bens fundamentais do homem”.

Que o pessoal da “gentalha” fique escandalizado com as palavras do Papa! A verdade é que nem tudo pode ser feito ou dito em nome de uma pretensa liberdade sem limites!

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Última atualização em Qua, 10 de Fevereiro de 2010 07:57
 

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