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| Lúcia e Dorothy, com Cristo |
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| Artigos |
| Sáb, 27 de Dezembro de 2008 12:45 |
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Cônego Henrique Soares da Costa
Morreu Irmã Lúcia de Jesus, aquela que no longínquo 1917 viu, com os primos Francisco e Jacinto, a Virgem Maria, aparecida em Fátima. Os dois primos morreram logo após os acontecimentos; Lúcia ficou. A Virgem prometeu-lhe buscá-la depois. Desde a época das aparições, a religiosa viveu uma vida de silêncio como religiosa no Carmelo de Coimbra. Contam que era simples, alegre, normal... Irmã Lúcia, agora, partiu. Foram noventa e sete anos de vida, oitenta e sete, desde as aparições. Lúcia não fez sucesso, não se tornou uma superstar, não buscou fama nem fez conferências, não apresentou planos de reforma para a Igreja, não procurou dar lições a ninguém... Foi, simplesmente, uma religiosa comum, no silêncio e no dia-a-dia do seu convento, gastando a vida aos poucos, por amor a Deus, completando na sua carne o que faltou da paixão do Cristo Jesus. Lúcia, a monja contemplativa, por amor de Cristo, como a Virgem Maria, foi guardando tudo no coração, foi deixando-se conduzir pela graça em cada lágrima, em cada sorriso, em cada saudade, em cada espera... Agora, depois de oitenta e sete anos, Lúcia partiu; a “Senhora vestida de branco”, conforme lhe prometera há tanto tempo atrás, veio buscá-la. Alguém duvida que essa irmãzinha, que fez Portugal parar em luto e colocar suas bandeiras a meio mastro, esteja com Cristo, em companhia da Virgem, imersa na glória do seu Senhor? No dia anterior à morte de Irmã Lúcia, morreu também, no Estado do Pará, brutalmente assassinada, a Irmã Dorothy Mae Stang, de 74 anos, religiosa estadunidense naturalizada brasileira. Já há mais de trinta anos ela trabalhava no Brasil, dedicando-se sobretudo aos pobres. Também Dorothy, como Lúcia, apostou tudo em Cristo, entregou-lhe a existência e, por amor a ele, deixou sua pátria rica e veio para uma região pobre, fez-se presença do Senhor junto àqueles que são imagem do Senhor: “O que fizestes ao menor dos meus irmãos, a mim o fizestes”. Quantos cansaços Dorothy não suportou? Quantos caminhos não percorreu? Quantos sustos e ameaças não terá enfrentado por causa do seu compromisso com os pobres, por amor de Cristo? Pelo seu Senhor, fez de sua vida uma entrega e, como Jesus, seu Senhor e Deus, fez sua entrega até o extremo de derramar seu sangue: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o extremo”. Dizem que, ante os assassinos armados de revólveres, tomou sua arma, um exemplar da Sagrada Escritura, e leu três versículos... Depois, foi assassinada... Quem duvida que a Irmã Dorothy esteja com o Senhor, ela que sofreu com Cristo para com ele reinar e morreu com Cristo para com ele viver? Quem duvida que herdou a glória, aquela que serviu o Senhor nos pobres, vigários de Cristo? Lúcia no escondido do Carmelo, Dorothy nas estradas do mundo. Duas testemunhas de Cristo, duas vidas unidas pelo seguimento generoso, absoluto, radical ao Senhor! Que nos ensinam essas duas irmãs em Cristo? Ensinam-nos que não se pode viver o Evangelho num comodismo burguês, que nada quer deixar, que a nada quer renunciar, que busca “salvar a pele” e se dar bem; ensinam-nos que vale a pena deixar a vida pela Vida, que o sentido último da existência cristã somente pode ser encontrado quando se vive em união existencial com o Senhor Jesus. Lúcia e Dorothy nos ensinam que ser cristão não consiste em ter pensamentos bonitos, frases bonitas, teologias bonitas, sentimentos bonitos... mas em dar tudo a Jesus, crendo firmemente que ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo! Lúcia e Dorothy não se tornaram ricas pregando o Evangelho, não prometeram curas, empregos, solução de problemas a ninguém... simplesmente, tiveram a coragem de ser de Jesus e de viver como Jesus... Não importa o estado de vida que abraçarmos: leigo no mundo, pai ou mãe de família, religioso, sacerdote, adulto, jovem, ancião... Como discípulos de Cristo, somos todos chamados a levar a sério a nossa vida cristã, a testemunhar o Senhor na carne da nossa vida, na rotina dos nossos dias, nas nossas atitudes e decisões... O cristianismo somente pode ser vivido na busca sincera de coerência de vida, no combate aos nossos vícios, na oração perseverante e humilde, no serviço aos irmãos, na fiel e piedosa prática sacramental, no amor apaixonado por Deus. Lúcia e Dorothy. Quem foi maior? Quem edificou mais o Reino de Deus: a que viveu no escondimento do Carmelo ou a que gritou defendendo os indefesos? Quem agradou mais a Deus? Quem se pareceu mais com Jesus? Não sabemos. Não saberemos jamais neste mundo. Deus o sabe; ele, a quem pertencem os segredos... Uma coisa é certa: foi maior, edificou mais o Reino, agradou mais a Deus e pareceu-se mais com Jesus, aquela que amou mais, porque somente o amor que vem de Deus dá valor a todas coisas. Diante dessas duas sentimo-nos tão pequenos... Irmã Lúcia de Jesus, Ir. Dorothy Mae Stang, rogai por nós! Artigos Relacionados: |
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