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Sáb, 27 de Dezembro de 2008 11:48

Cônego Henrique Soares da Costa

Já escutei muita lorota dequeles, iludidos inocentemente por uma filosofia do progresso, que pensam que a sociedade atual é melhor que aquelas da Antiguidade ou da Idade Média. Aprendemos essas bobagens nas aulas de História Geral, no Colégio e nas opiniões dos sabichões que dominam a mídia atual. Mas, a realidade é bem outra. Cada época tem seus desafios, suas virtudes e defeitos, seus dilemas e mazelas, suas taras e desafios. E em cada época as pessoas são chamadas a fazer a sua parte.

Três fatos atuais, nossos, quentinhos, mostram o que digo. Primeiro, o seqüestro brutal, inaceitável da menina Maria Luiza. Na nossa sociedade tão racional e científica, tão orgulhosa dos seus progressos, nunca se viu tanta perversidade. Hoje já não se rouba para comer: há a maldade pura e simples, um prazer sórdido e macabro de fazer o mal, agredir e humilhar os outros: mata-se para roubar um celular, agride-se sem motivo. Em Maceió, cidade de médio porte, outrora pacata, a insegurança nos torna a todos reféns do medo e da violência. Sintoma de uma humanidade doente, tarada. Um segundo: a violência contra os agentes da Pastoral Carcerária da Igreja, que visitavam e davam consolo aos presos do Baldomero Cavalcante e, traiçoeiramente, foram feitos reféns e ameaçados de morte por aqueles mesmos a quem foram servir. Sintoma de uma humanidade estressada, que vai se tornando incapaz de amar, de reconhecer o amor e de acolhê-lo, uma sociedade que vai perdendo o sentido da gratidão e do altruísmo. Terceiro fato: as eleições recentíssimas. Muitos votaram em pessoas notadamente violentas, comprometidas com a pistolagem, votaram em pessoas reconhecidamente corruptas, em pessoas comprovadamente envolvidas com esquemas de mensalão, sanguessugas, dossiês e coisas do gênero. Sintoma de uma sociedade que vai perdendo os critérios de dignidade, honestidade, responsabilidade; uma sociedade para quem o bem e o mal, o certo e o errado vão ficando cada vez mais parecidos...

Nossa sociedade atual não é melhor nem pior que as do passado; tem seu perfil próprio de bem e de mal. Cabe-nos, a cada um de nós, fazer a nossa parte para que ela conserve o que de bom possui e supere suas tendências negativas e desagregadoras. Uma coisa é certa: há uma profunda crise de valores que decorre do fechamento de nossa cultura atual para Deus, para o Infinito. Ou mudamos de rota e nos abrimos para essa Realidade na qual se radicam os verdadeiros valores humanos ou nosso futuro será cada vez mais sombrio. Os sintomas estão aí...

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