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A ditadura do relativismo PDF Imprimir E-mail
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Sáb, 27 de Dezembro de 2008 12:12

Con. Henrique Soares da Costa

Domingo passado, 9 de outubro, o programa Fantástico, da Rede Globo, terminou sua exibição da série “Ser ou não Ser”, tangenciando temas filosóficos. Como conclusão da “profunda” reflexão chegou-se à certeza que não há certeza: tudo é relativo, nada é realmente verdadeiro, tudo depende do ponto de vista da cada um. Vários jovens, com óculos esportivos de lentes multicoloridas, eram convidados a identificar as cores das coisas... E – que surpresa! – viam tudo com a cor das lentes... Eis, portanto, para os filósofos da Globo, a grande verdade: não há verdade alguma na qual ancorar a vida, sobre a qual construir a sociedade, a partir da qual edificar uma hierarquia de valores que sirvam a todos!

É impressionante a tirania do mal que os meios de comunicação têm exercido no mundo e, de modo particular, neste Brasil sem rumo e sem freio! Tudo é desconstruído (para usar um termo de moda), tudo é relativizado, desmascarado, ridicularizado... O indivíduo torna-se a medida de todas as coisas; suas satisfações imediatas tornam-se o critério da verdade, do bem, do correto. Assim, caminhamos para o mundo da total solidão, uma multidão de solidões egoísticas e egocêntricas. É clara, visível, neste contexto, a ladeira que nossa civilização ocidental, de modo geral, e nossa sociedade brasileira, de modo particular, vão descendo...

A idéia dos filósofos da Globo tem a superficialidade e o sabor simplório próprios de quem não procura construir a existência sobre realidades mais profundas e, consequentemente, mais humanas. Somente pode defender uma posição assim quem nega teórica ou praticamente a existência de Deus e a sede de transcendência, que é própria do ser humano ( - que “deus”, perguntarão; que “transcendência”, indagarão).

Cada vez mais aparece claro o dever dos cristãos de darem, sem medo nem meias palavras, testemunho da Verdade, que é Jesus Cristo! Muitas vezes um bom número de católicos, guiados por teólogos mal-avisados, desavisados ou simplesmente festivos, enchem a boca para defender um certo diálogo com o “mundo pós-moderno” no sentido de adaptar o cristianismo, sua fé, sua moral, suas exigências, sua liturgia aos gostos da moda corrente. Ilusão pura! O mundo não crê em Deus, o jamais aceitará o Crucificado! Aceitaria um Glorificado, desde que sem a cruz da Sexta-feira Santa e o silêncio tremendo do Sábado Santo. Mas, um Glorificado assim não é o Cristo Jesus, não é o Salvador, o Libertador... É somente algum clone do recém-falecido Clóvis Bornay...

A Verdade existe, sim. A Verdade é Jesus Cristo. Sobre ela se pode construir a vida de cada pessoa e da sociedade. O cristianismo pode criar cultura, sim, um lastro existencial que inspire o modo de ver e de caminhar de uma humanidade melhor. Para concluir, transcrevo a iluminadora palavra do Cardeal Ratzinger, Missa de abertura do Conclave que o elegeu Papa da Igreja de Cristo: “Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento... A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas lançada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao coletivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante. Cada dia surgem novas seitas e realiza-se quanto diz São Paulo acerca do engano dos homens, da astúcia que tende a levar ao erro (cf. Ef 4,14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar ‘aqui e além por qualquer vento de doutrina’, aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades. Ao contrário, nós, temos outra medida: o Filho de Deus, o verdadeiro homem. É ele a medida do verdadeiro humanismo. ‘Adulta’ não é uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente radicada na amizade com Cristo. É esta amizade que nos abre a tudo o que é bom e nos dá o critério para discernir entre verdadeiro e falso, entre engano e verdade. Devemos amadurecer esta fé, para esta fé devemos guiar o rebanho de Cristo. E é esta fé só esta fé que gera unidade e se realiza na caridade. São Paulo oferece-nos a este propósito em contraste com as contínuas peripécias dos que são como crianças batidas pelas ondas uma bela palavra: praticar a verdade na caridade, como fórmula fundamental da existência cristã. Em Cristo, coincidem verdade e caridade. Na medida em que nos aproximamos de Cristo, também na nossa vida, verdade e caridade fundem-se. A caridade sem verdade seria cega; a verdade sem caridade seria como ‘um címbalo que retine’ (1Cor 13,1)”.

Que dizer mais? Os cristãos voltem a Cristo, na escuta da sua Palavra, na celebração fiel, piedosa e devota dos seus santos mistérios, sobretudo a Eucaristia; os cristãos voltem ao silêncio da oração, os cristãos lutem no combate contra seus vícios e na busca da virtude, os cristãos abram-se ao que sofre, ao desvalido, a uma vida simples e austera! Então, a Verdade, que é Cristo, brilhará em nossas mentes e corações. Do contrário continuaremos cheios de filosofias pagãs e teologias pseudo-cristãs... e o mundo, sedento de Cristo...

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