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| O Espírito Santo gera corações adoradores - III |
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| Sáb, 27 de Dezembro de 2008 12:28 |
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Côn. Henrique Soares da Costa Caro internauta, ofereço-lhe a terceira das três palestras que apresentei no Encontro de Pentecostes, promovido pela Renovação Carismática, aqui em Maceió. Espero que lhe sejam de proveito espiritual.
Quem se une ao Senhor, forma com ele um só Espírito “Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, também aquele de mim se alimenta viverá por mim” (Jo 6,57). O Pai é o Deus vivo, a fonte da vida, vida plena, vida eterna, vida imperecível e feliz. Dele brota toda a vida das criaturas. A sede de vida, felicidade e paz que habita o nosso coração, somente no Pai pode ser saciada em plenitude: Ele é a eterna fonte que mana e corre, mesmo na noite desta nossa existência! Pois bem, Jesus afirma: “Eu vivo pelo Pai!”, isto é, “a vida do Pai está em mim, minha vida é a vida que recebo do Pai; por isso “eu sou a Vida!” Somente o Senhor Jesus poderia afirmar isso, porque somente ele vem do Pai e é igual ao Pai, só ele é o Filho saído das entranhas amorosas do Pai, gerado pelo Pai eternamente. Mas, para nossa surpresa, ele diz mais ainda: “Aquele que de mim se alimenta viverá por mim!” É impressionante, quase inacreditável: aquele que se alimenta do Senhor Jesus receberá, de verdade a vida dele, viverá por ele, como um ramo, que vive da vida vinda do tronco. “Aquele que de mim se alimenta, viverá por mim!” Alimentar-se de Jesus, viver de Jesus... Mas, como isso é possível? Como é possível alimentar-se do Corpo e do Sangue do Senhor? Como é possível, Senhor, fazer-te presente nas espécies eucarísticas? A resposta, Jesus a dá: “O Espírito é que vivifica! A carne para nada serve” (Jo 6,63). É o Espírito Santo, que, ressuscitando Jesus, impregna também o pão e o vinho eucarísticos, transformando-os no Corpo e no Sangue do Ressuscitado. O pão e o vinho eucarísticos tornam-se, então, presença real, substancial, viva do Cristo morto e ressuscitado para que possamos unir-nos ao Senhor e, no Espírito Santo que o impregna e impregna a nós, sermos uma só coisa com ele: “Quem se une ao Senhor forma com ele um só Espírito” (1Cor 6,17). Essa união misteriosa de Jesus conosco é fruto da ação do Espírito! Vejamos. O Espírito unge as espécies eucarísticas e a Missa se torna o sacrifício “de Cristo que, por um Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo a Deus como vítima sem mancha” (Hb 9,14). É a oferta total, de toda a sua vida que se torna presente sobre o altar, no pão e no vinho. O esvaziamento humilde de sua encarnação, a pobreza de seus dias entre nós, seus cansaços, suas andanças, sua paciência, seus milagres, sermões e curas, sua oração com clamor e lágrimas, sua agonia, sua solidão, seus sofrimentos, sua paixão e cruz, sua morte e sepultura... Também estão presentes sua vitória na ressurreição, seu triunfo à Direita do Pai como Juiz e Senhor do universo e da história e, finalmente, o dom do Espírito Santo que ele nos fez para sempre! Tudo isso está presente nas espécies eucarísticas, pois o mesmo Espírito que conduziu e impeliu Jesus na obra da salvação, enche e impregna agora as santas Espécies, de modo que elas sejam verdadeiramente Corpo e Sangue do Senhor na sua oblação perfeita por nós! E o próprio Espírito nos dá testemunho desse mistério tão profundo, fazendo-nos contemplá-lo e adorá-lo piedosamente na Celebração eucarística. Mas, além de sacrifício de Cristo, o Espírito torna a Eucaristia nosso sacrifício, unido ao sacrifício do Senhor Jesus, nossa oferta na oferta dele: “Exorto-vos pela misericórdia de Deus a que ofereçais vossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual” (Rm 12,1). A nossa vida de cada dia, vida vivida sob o impulso do Espírito do Ressuscitado recebido no Batismo e na Crisma, vida vivida como sacrifício espiritual, nós a levamos para o altar eucarístico, para uni-la ao sacrifício do Senhor Jesus. Nossa vida torna-se, então, semente de eternidade, em perfeito ato de culto, de louvor e de adoração. Por sua vez, torna-se, cada vez mais, participação no mistério de morte e ressurreição do Senhor: “O cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo?” (1Cor 10,16). O Espírito unge as espécies eucarísticas e elas se tornam alimento espiritual, alimento no Espírito Santo: “Este é o pão que desceu do céu. Ele não é como o que os pais comeram e pereceram; quem come este pão viverá eternamente” (Jo 6,58). Eis aqui outra afirmação impressionante do Senhor! O pão e o vinho eucarísticos, Corpo e Sangue do Senhor ressuscitado, pleno do Espírito Santo, são alimento de vida divina, vida imortal. Comungar no Corpo e Sangue de Cristo significa realmente receber a Vida do próprio Deus, vida que ultrapassa tudo quanto possamos imaginar, vida que vem do próprio Deus, que é vida do próprio Deus, vida que dura para a eternidade! A Eucaristia é, portanto, experiência antecipada do próprio céu. Em cada comunhão eucarística a nossa pobre vida humana, passageira, limitada, fugaz e mortal vai sendo transformada numa outra vida: vida divina, perene, plena de glória que dura para sempre. Isso é tão forte que, para os primeiros cristãos, a maior prova de que ressuscitaremos, inclusive com nosso corpo, é, precisamente, o fato de nos alimentarmos da Vida escondida no pão! Por isso, Jesus afirma: “Quem come minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna... (Jo 6,54a). Observe-se: tem agora, já nesta vida, a vida eterna em si! A experiência da vida eterna começa aqui, participando da vida nova do Senhor que, no Espírito, dá-se na Eucaristia. Jesus continua sua afirmação: “... e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54b): o sentido é claro e impressionante: a participação nas Espécies eucarísticas dá-nos o antegozo da vida eterna e é já penhor e preparação para a ressurreição futura! Finalmente, o Espírito unge o nosso coração, dá testemunho de Jesus no nosso coração e nos atrai à adoração eucarística: “Por isso vos afirmei que ninguém pode vir a mim, se isso não lhe for concedido pelo Pai” (Jo 6,65). E como é que o Pai nos atrai a Jesus? Derramando nos nossos corações o Espírito, que testemunha em nós que Jesus é o Senhor (cf.1Cor 12,3). O Espírito age assim porque é “o Espírito daquele Pai que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos”; é ele que “habita em vós” (Rm 8,11). Porque convencidos pelo Espírito, pelo Espírito do Pai atraídos a Jesus, somos adoradores em Espírito e verdade, pois se trata de uma adoração interior, embalada pela doçura do Espírito, que na vida, consola o nosso pranto e sustenta o nosso canto diante do Senhor. E por que adorá-lo? Por que parar diante dele, deter-se ante ele com o coração na mão? Para, na comunhão de sentimentos e amor com ele, ir moldando nosso coração ao compasso do seu Coração: “Vede, pois, cuidadosamente como andais: não como tolos, mas como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas procurai conhecer a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, mas buscai a plenitude do Espírito. Falai uns aos outros com salmos e hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando ao Senhor em vosso coração, sempre e por tudo dando graças a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5,15-20). Eis o que faz a adoração: faz-nos semelhantes Àquele a quem adoramos; e é o Espírito Santo o artista que plasma essa semelhança em nós! Portanto, no Espírito, somos convidados a oferecer o sacrifício do Senhor, oferecendo-nos com ele; Que o Espírito realize em nós essa obra. Amém. Artigos Relacionados: |
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