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O significado da Imaculada Conceição de Maria PDF Imprimir E-mail
Doutrina Católica
Seg, 29 de Dezembro de 2008 20:13

Côn. Henrique Soares da Costa

Celebramos recentemente a Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Eis alguns tópicos para esclarecer o significado desta doutrina:

(1) A humanidade, desde suas origens, disse “não” a Deus, decidindo viver do seu próprio modo, como se o homem se bastasse a si próprio, como se fosse seu próprio deus, senhor do bem e do mal. Este fechamento desarrumou profundamente o ser humano: fechando-se para Deus, que é o eixo da existência humana, o homem perdeu a paz e a harmonia consigo próprio, com os outros e com toda a criação. Começou, então, um clima de desarrumação, uma cadeia de profunda desordem para toda a humanidade, a que chamamos de pecado original.

(2) Todo ser humano que vem a este mundo é marcado por essa tendência ao fechamento para Deus e é marcado por esse profundo desequilíbrio interior. Basta que cada um olhe para seu próprio interior e perceberá o quanto é ferido, incoerente e quebrado. Todos nós poderíamos dizer: “Minha mãe já concebeu-me pecador!” É a esta situação que a fé católica se refere quando afirma que todos nós nascemos pecadores. Não se nasce com pecado pessoal, mas já se nasce, pelo simples fato de ser humano, marcado com a tendência humana de se colocar no lugar de Deus, como centro da própria vida. É desta situação de pecado e desordem, chamada de pecado original, que Cristo nos veio salvar.

(3) A Virgem Maria, por pura graça de Deus em Jesus Cristo, foi preservada dessa solidariedade nesta cadeia de pecado. Porque o Pai a predestinou eternamente para ser a Mãe do Salvador, o Cristo que tira o pecado do mundo, preservou-a de toda solidariedade no pecado em previsão dos méritos advindos da cruz do Senhor Jesus.

(4) Sendo assim, desde o primeiro momento em que foi concebida no ventre de Santa Ana, fruto de uma relação sexual normal e natural, Nossa Senhora foi poupada por absoluta graça de Deus, de toda contaminação e solidariedade com essa situação da humanidade. É importante notar que a imaculada conceição é fruto da pura graça de Deus. E, em segundo lugar, tal privilégio deve-se unicamente ao Cristo que, morrendo na cruz, lavou o pecado do mundo passado, presente e futuro. Assim, o Pai que tudo conhece, em previsão dos méritos de Jesus, salvou sua Mãe. Maria, então, é a primeira a ser salva, mais salva que qualquer um de nós, mais devedora a Cristo que todos nós. Se Jesus nos arrancou da lama do pecado, no caso de sua Mãe, sequer deixou que a lama a atingisse!

(5) A doutrina da Imaculada Conceição da Virgem Maria em nada diminui a ação salvífica universal de Cristo: ele é o único Salvador de todos, a começar pela sua própria Mãe. Ela é a Perfeita Redimida, totalmente dependente da salvação trazida por Cristo. Mais que em qualquer outra criatura, a graça salvífica do Cristo Jesus se manifestou na sua Mãe, a Virgem Maria.

(6) Neste sentido, a Imaculada Conceição de Nossa Senhora é como a aurora luminosa, cujos primeiros raios, prenunciam o Dia da Salvação, que é o Cristo nosso Deus. O tempo do Advento é, pois, um tempo muito propício para celebrar este mistério. O dogma da Imaculada realça de modo muito belo o quanto a salvação trazida por Jesus abarca todos os tempos e atinge com sua graça toda a humanidade. Cristo Jesus não somente salva os que viveram durante sua vinda a este mundo ou depois dela; salva toda a humanidade. A graça de sua ação salvífica, na força do Santo Espírito, atinge todas as épocas. A Imaculada Conceição é claríssimo exemplo desta realidade.

(7) Afirmar que a Virgem foi imaculada desde a sua conceição e que nunca pecou em toda a sua vida, não faz dela uma mulher desumana ou uma super-mulher. Ela foi como qualquer outra: teve que peregrinar na fé, teve que ir descobrindo os planos de Deus para ela e dizendo sim a cada dia. Deve ter custado muitíssimo a Nossa Senhora ir deixando que Deus fosse o Tudo da sua vida. Basta pensar no aperto de estar grávida sem o noivo saber, da pobreza de Belém, da fuga para o Egito, da solidão em Nazaré, da dor ao pé da cruz... A Imaculada Conceição de Nossa Senhora em nada diminui a intensidade de sua aventura humana nem tira em nada o valor do seu “sim” livre e soberano. Sua Conceição Imaculada fê-la, isto sim, mais aberta à graça e mais capaz que qualquer outra criatura de nunca dizer um “não” a Deus.

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