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Editoriais do Semeador
Seg, 29 de Dezembro de 2008 20:15

Côn. Henrique Soares da Costa

Meu caro Leitor, chamo sua atenção para o impressionante desenvolvimento das leituras das missas feriais deste tempo pascal. Missas feriais são aquelas celebradas durante a semana.

Recordemos um pouco. Na primeira semana – dentro da Oitava da Páscoa – tivemos a cada dia uma narração das aparições do Ressuscitado. Era a Igreja contemplando, tocando, escutando Aquele que venceu a morte. Como Esposa encantada pela beleza do Esposo ressuscitado, todo esplendoroso de glória, a Igreja nos fez entrar no clima dos primeiríssimos cristãos, extasiados, confusos e surpresos com a experiência dos incríveis encontros com o Ressuscitado! Do Domingo da Páscoa ao Domingo da Oitava foi isto que vivenciamos.

Depois, na segunda semana do Tempo pascal, as leituras foram retiradas do capítulo III do Evangelho de São João, que nos dá conta do encontro de Jesus com Nicodemos. Por quê? Porque é uma verdadeira catequese sobre o Batismo, sacramento pascal. Quem foi batizado na Noite santa de Páscoa, foi mergulhado no Espírito de Cristo, nasceu de novo, nasceu no Espírito do Ressuscitado e tornou-se nele uma nova criatura. É pelo Batismo, precisamente, que mergulhamos na morte e na ressurreição do Senhor. Naquela água saída do lado do Crucificado estava prefigurado o lavacro batismal que nos dá o Espírito Santo: O que nasce da carne é carne, o que nasce do Espírito de Deus é espírito, é homem espiritual, é nova criatura, plenificada pela vida nova do Ressuscitado, doador do Espírito! Nicodemos, como ainda não era discípulo, veio ver Jesus na treva, de noite. Aquele que crê em Jesus nasce de novo, é iluminado e vive uma vidan ova no Espírito do Senhor ressuscitado!

Terminada a maravilhosa catequese sobre o Batismo, a Igreja, desde a quinta-feira da segunda semana pascal, nos fez escutar o capítulo VI de São João: o milagre da multiplicação dos pães e o discurso sobre o Pão da vida. Aí Jesus se apresenta como Pão da vida, dado na sua carne para a vida do mundo. É que a Eucaristia, ao lado do Batismo, é o outro sacramento pascal – mais ainda: é o sacramento pascal por excelência, pois toda vez que comemos desse pão e bebemos desse cálice anunciamos, participamos, da morte e ressurreição do Senhor, entramos em comunhão com sua gloriosa imolação até que ele venha! Oferecendo o Sacrifício eucarístico do Cristo morto e ressuscitado, comungando o Corpo e o Sangue Senhor nós participamos do sacrifico eterno do Cordeiro que está e estará para sempre diante do trono de Deus de pé como que imolado (cf. Ap 5,6), nós comungamos com o Cristo imolado e ressuscitado, nós somos inseridos no Cristo pascal pelo Espírito Santo que impregna aquelas santíssimas espécies eucarísticas! Quem comer de mim viverá por mim, permanecerá em mim e eu nele! Quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei! É o Espírito que dá a vida, a carne em si mesma, a criatura deixada entregue às suas forças, para nada serve! É necessário que a carne – a natureza humana – seja transfigurada e transformada e glorificada pelo Espírito do Ressuscitado que impregna as espécies eucarísticas!

Quando a Igreja, nos vários documentos pontifícios, insiste tanto na importância da Liturgia, na obediência leal e efetiva às normas litúrgicas e na piedade das celebrações, não é por uma questão estética ou de saudosismo ou de um conservadorismo sem inteligência! É que na Liturgia sagrada dá-se o mistério da nossa salvação! É nos ritos sagrados dos sacramentos que a vida do Ressuscitado chega até nós! É isto que a fantástica e admirável liturgia da Palavra destes dias sagrados nos tem mostrado! Que você, meu caríssimo Leitor, procure aprender a curtir a sóbria embriaguez dos sagrados ritos litúrgicos e faça experiência do que diz o Evangelho: Nele, no Salvador nosso, Jesus Cristo, estava a vida e a vida se manifestou! Manifesta-se para nós e se nos torna palpável nos sagrados ritos, cheios de Espírito Santo, que nos coloca em contato vivo, imediato com o Ressuscitado e com a eterna Liturgia que ele pontifica no Santuário celeste, no qual entrou com o seu sangue e onde exerce, na sua humanidade divinizada pelo Espírito Santo de ressurreição, o seu eterno sacerdócio. Basta ler o Apocalipse e a Epístola aos Hebreus! Pois bem: na Liturgia da terra nós temos o dom inestimável de participar da Liturgia do Cordeiro na glória do céu... Aqui, em figuras e símbolos, lá, um dia, no face a face da glória!

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