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| Uma consciência, um grito |
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| Editoriais do Semeador |
| Sex, 15 de Maio de 2009 18:42 |
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Desde o último 27 de novembro a Igreja de Cristo está vivendo o santo Tempo do Advento, que nos prepara para o Natal do Senhor. Mas, não só: preparando para celebrar a vinda do Filho de Deus na nossa carne mortal, o pensamento da Igreja faz-nos também preparar o coração para a Vinda definitiva do Senhor na sua glória ao final dos tempos. E que ninguém pense que isso não lhe diz respeito, pois Aquele que virá definitivamente para todos no final da história, começa a vir ao nosso encontro no momento da nossa morte. No século XII, pregando aos seus monges neste tempo de sagrado Advento, São Bernardo, abade de Claraval, falava em três vindas de Cristo: aquela na humildade de nossa humana condição, em Belém da Judéia; aquela gloriosa, como Juiz, que aguardamos para o final dos tempos e mais uma: aquela vinda pequena e escondida, de cada dia. Isso mesmo: ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre: nas situações, nas pessoas, na sua Palavra santa e, sobretudo, na Eucaristia. Sabemos reconhecê-lo? Sabemos acolhê-lo? Sabemos abrir-lhe nosso coração e nossa vida? Neste tempo, a Igreja lê preferencialmente, na sua santa Liturgia, o livro do Profeta Isaías. E é um pequeno texto desse grande profeta que gostaria de comentar aqui: “Eis, uma voz que diz: ‘Clama’, ao que pergunto: ‘Que hei de clamar?’ – Toda carne é erva e toda a sua graça como a flor do campo. Seca-se a erva e murcha-se a flor... mas a Palavra do nosso Deus subsiste para sempre” (Is 40,6-8). Aqui há duas coisas a notar-se. Primeiro: a afirmação de que toda carne é erva. Na Bíblia, carne é o todo ser vivo (e o homem, especialmente) enquanto frágil, passageiro, limitado, mortal e tendendo à imperfeição. Pois bem: ainda que o homem atual queira fazer-se Deus, ainda que se julgue tão sábio e maduro a ponto de prescindir do Criador, achando que pode construir sozinho a sua vida, decidindo por si próprio o que é bem e o que é mal, o que é certo e o que é errado, o que lhe convém e o que não convém, ainda assim, esse homem prepotente não passa de erva, de pó, de insuficiência! “Clama!” – diz a Escritura! Recorda ao homem isso que ele é! Ele não é Deus, ele é erva que passa, pó que o vento leva. Na estória do Paraíso, o homem queria ser como Deus, senhor do bem e do mal, queria viver fechado em si mesmo, totalmente autônomo, como se se bastasse.. Terminou vendo que viera do pó e ao pó retornaria... O homem somente não passará se se abrir para o Eterno, para Deus, que o plenifica e faz com que o seu sonho de vida, felicidade e plenitude não seja uma quimera, mas uma doce e certa realidade! Há uma segunda coisa, impressionante. O texto diz que toda carne, todo homem, é erva, erva que murcha, mas a Palavra de Deus subsiste para sempre. Note-se a polarização: de um lado, a carne que murcha e passa, do outro, a Palavra que subsiste para sempre, que nunca passa. Que contraste! E, no entanto, para nossa surpresa, o Evangelho afirma: “A Palavra (que não passa, que subsiste) se fez carne (que murcha e passa) e habitou entre nós!” (Jo 1,14). Por pura misericórdia, para dar ao homem, que é carne, a vida verdadeira, a subsistência autêntica e eterna, que ele orgulhosamente busca na sua inteligência soberba, na sua ciência vã, na sua tecnologia tantas vezes ilusória, para salvar o homem a Palavra, o Verbo eterno de Deus, fez-se carne, fez-se homem débil e mortal, enchendo da promessa de vida e imortalidade a nossa humana existência. Neste mundo sofrido, nesta humanidade tão ferida, em meio a tantos sonhos e tantas desilusões, eis a grande mensagem para a qual o Advento deseja nos preparar: Somos erva, que murcha, somos apenas carne, mas, abrindo-nos para a Palavra que Deus nos envia, Palavra que se fez carne por nós e se chamou Jesus de Nazaré, alcançaremos o verdadeiro sentido da vida, a verdadeira existência, plena, autêntica e feliz! Quem dera que a humanidade escutasse este anúncio! Quem dera que abríssemos as portas da nossa vida para essa notícia tão libertadora, pois nos revela a nossa verdade e, ao mesmo tempo, o quanto somos queridos e amados!Artigos Relacionados: |
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