Desta vez este espaço editorial deseja ser uma sugestão e um alerta aos pais. A educação escolar no Brasil diversificou-se muitíssimo nos últimos anos. Surgem escolas, cursos e cursinhos em todos os recantos de nossa Cidade. Em princípio parece uma ótima situação, pois oferece maior diversidade de opções, mais comodidade, já que se têm estabelecimentos de ensino mais próximos do local de residência e, com uma maior concorrência, também maior possibilidade de mensalidades mais em conta. A proliferação de escolas e cursinhos também é ótima para os profissionais da Educação, pois aumenta a demanda profissional, a competição pelos melhores professores e, conseqüentemente, a perspectiva de melhores salários. Tudo bem! Tudo ótimo! Mas, há um problema: será que essas escolas formam? Que filosofia de formação elas abraçam – se é que abraçam alguma? Que visão de homem elas têm? Que visão de Deus? Que visão de mundo? Que visão da vida? Bobagem, estas questões? Não! Primordiais! Uma escola não é simplesmente um banco de informações e de treinamento para tornar seus alunos aptos à concorrência selvagem do vestibular e do marcado de trabalho globalizado. Uma escola tem que ser muito, mas muito mais: ela deve ter uma visão clara do que é o ser humano e de que tipo de ser humano deseja formar! Deve ter valores, princípios éticos, morais, religiosos, porque tudo isso é essencial na formação de um ser humano. Gente não se improvisa, gente não se fabrica, não se “faz menino”! Gente se gera, se educa, se forma... com amor, dedicação, paciência e coragem! Que não seja esquecido que, depois da família, é a escola que mais influencia na formação de nossas crianças e de nossos jovens! Atualmente, é sabido e experimentado na carne que a família, pressionada por tantos fatores, muitíssimas vezes tem sido omissa e ineficiente no seu papel de formar: pais que trabalham fora os dois horários, falta de diálogo e de acompanhamento dos filhos por parte dos pais, falta de preparo dos deles para proporcionarem uma adequada formação afetiva, psicológica e religiosa aos filhos, a pressão dos meios de comunicação e seus contra-valores... Tudo isso torna ainda mais urgente e importante o papel da escola! Os pais cristãos e, de modo especial, os pais católicos devem levar seriamente em conta estes elementos ao pensar na formação de seus filhos. A educação da prole é parte essencial dos deveres dos esposos cristãos em relação a Deus, à Igreja e à sociedade! Seremos julgados também pelo modo como educamos nossos filhos! A Igreja sempre se preocupou com a educação, exatamente por todos esses motivos. Existe uma educação cristã, inspirada num modo cristão de ver o ser humano e de compreender a vida. Por isso mesmo, sempre existiram escolas católicas, com formação genuinamente católica. No passado, muitos dos grandes estabelecimentos de ensino do nosso País eram de inspiração católica. Hoje, com a proliferação de escolas, cursos e cursinhos, as escolas religiosas encontram-se meio perdidas nessa massa. Seria uma pena que os pais católicos esquecessem esta possibilidade tão positiva de dar uma educação realmente integral aos seus filhos! Isso não é um tema de pouca importância! Estejamos nós atentos: numa sociedade como a nossa, tão desnorteada (dizem, de modo bonito “tão pluralista”), onde cada um pensa e vive como bem quer e entende e quando as próprias leis brasileiras reduzem o ensino religioso a uma espécie de folclore de informações culturais sobre temas vários, mais que nunca precisamos recobrar a consciência que a dimensão religiosa faz parte da formação do ser humano. Não uma religiosidade vaga, abstrata, relativista e sincretista. No nosso caso, religiosidade quer dizer fé católica, convicções católicas, adesão a Cristo e à sua Igreja, com segurança, convicção e firmeza! Por outro lado, é direito da Igreja e dos pais que confiam seus filhos a escolas que têm a chancela da Igreja, esperar que eles recebam uma educação genuinamente cristã católica, isto é, com os seguintes elementos: (1) educação centrada na Pessoa de Jesus Cristo, único Salvador da humanidade e sentido da vida, do mundo e da história, (2) fidelidade à doutrina católica, sem medo nem restrições, oferecendo uma catequese doutrinalmente consistente, completa e de acordo com o magistério eclesial, (3) prática religiosa, oferecendo a possibilidade da vivência efetiva da fé católica por parte dos alunos, em grupos de jovens, aulas de doutrina e possibilidade da prática sacramental, (4) uma saudável disciplina, que fortalece o caráter e cria homens e mulheres responsáveis, (5) coragem de abordar de frente os problemas e desafios do mundo atual, sobretudo aqueles que mais afetam os jovens, com uma postura ao mesmo tempo firme, esclarecida, corajosa e aberta, sempre fiel aos princípios da Igreja. Queria Deus que os pais redescubram a urgência deste tema e o levem realmente a sério. Nossas crianças e nossos jovens são preciosos demais para desenvolverem-se a toa, sem uma formação mais profunda que os prepare para enfrentar como pessoas equilibradas e cristãos convictos os desafios que o mundo nos coloca! |