Novamente, estamos em ano de eleições! É sempre um momento delicado da vida de um povo, esse de escolher seus governantes; afinal, daqueles que escolhermos, dependerá muito da nossa situação nos próximos quatro anos. Por ocasião desse período de campanha, é importante que alguns aspectos fiquem claros para a sociedade, no que diz respeito à posição da Igreja. 1. A Igreja não tem partido e, muito menos, candidato a nenhum cargo eletivo. Ela vê a política como uma atividade nobre e necessária em qualquer sociedade. É pela prática política que os grandes temas são debatidos, as soluções são propostas e os vários segmentos da sociedade podem manifestar seu pensamento. A Igreja deseja, sim, que os diversos partidos e candidatos sejam sinceros e responsáveis ao apresentarem suas propostas, sem falsas promessas, sem demagogias, sem acusações levianas. O povo não merece ser enganado. 2. A Igreja se preocupa muito com o fato de uma boa parte de população poder ser facilmente manipulada pela falsa propaganda, pelas promessas levianas e pela compra de votos. O quanto possível, ela estará atenta, sobretudo para o problema da compra de votos e, se tiver de fazê-lo, denunciará os culpados. A Igreja pede às autoridades eleitorais rigor na questão da fiscalização do transporte eleitoral e na retenção de títulos eleitorais por parte de candidatos inescrupulosos, como modo de coagir o eleitor, violando o seu sagrado direito de votar livremente. 3. Se a Igreja não tem candidato, também não é indiferente. Ela pede ao povo – e sobretudo aos seus filhos – que não votem em candidatos que defendam idéias contrárias ao Evangelho e aos bons costumes. Por exemplo: um católico, em consciência, não deve votar num candidato a deputado ou senador que defenda o aborto. Se votar, estará contribuindo para que no futuro essa prática criminosa entre em nosso País. Também não deve votar em quem defende a pena de morte. Só Deus pode tirar a vida! O católico, se desejar votar em candidatos de outras religiões, verifique cuidadosamente se ele não tem idéias ou projetos anti-católicos, como, por exemplo, acabar com o feriado de algum dia santo, acabar com o dia de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, etc. Um católico que votar em alguém que tenha ranço anti-católico, está traindo gravemente sua fé! 4. Há leigos engajados na vida da Igreja que são candidatos e são até apoiados por movimentos de Igreja. Eles têm todo o direito a isso. Mas, que fique bem claro: são candidatos católicos com o apoio de católicos, mas não são candidatos oficiais da Igreja católica. A Igreja vê com bons olhos que filhos seus se engajem na vida política, desde que o façam com dignidade e segundo as exigências do Evangelho. Se os católicos, de boa consciência, desejam apoiar publicamente algum candidato, que o façam, mas sem usar o nome da Igreja de modo indevido! Neste sentido, um diálogo com o Arcebispo, o pároco ou mesmo a Comissão de Educação Política Arquidiocesana, poderia ser interessante para evitar mal-entendidos... 5. A Igreja espera que seus padres não se envolvam diretamente na política partidária. A lei canônica afirma claramente: “Os clérigos se abstenham completamente de tudo o que não convém ao seu estado... evitem tudo o que é impróprio ao estado clerical”. Diz mais: “Os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos que implicam participação no exercício do poder civil”. Finalmente, a lei da Igreja afirma: “Os clérigos promovam sempre e por todos os meios a manutenção, entre os homens, da paz e da concórdia fundamentada na justiça. Não tenham parte ativa nos partidos políticos e na direção de associações sindicais...” (Código de Direito Canônico, cânones 285 e 287). Quando um padre faz campanha para algum candidato, tende a dividir o rebanho, ferindo a paz, a harmonia e a concórdia das quais ele deve, em nome de Cristo, ser sinal. Além do mais, é aviltante usar as celebrações, momentos sagrados da vida do povo de Deus, para fazer manifestações políticas! O povo de Deus deve refutar claramente tal abuso! O ideal é que, se o padre o desejar, marque algum momento fora das celebrações para um ou mais candidatos apresentarem suas propostas e debaterem com a Comunidade... mas sem passar, de modo algum, a idéia de que aquele é o candidato da paróquia. O padre não é dono da paróquia! 6. A Igreja exorta vivamente que seus filhos não votem pensando em interesses particulares, mas unicamente preocupados com o bem comum. Seria interessante perguntar sempre: Que candidatos têm procurado moralizar a vida pública, governar e legislar para os mais fracos? Que candidatos têm tido zelo e responsabilidade com os gastos públicos? Que candidatos procuram honrar os funcionários públicos, sem arranjar empregos ilegais, sem concurso público? Os candidatos em quem você pretende votar fazem parte de quais grupos políticos? O que esses grupos fizeram em relação ao País, ao Estado, ao Município? Como seu candidato se posiciona em relação à violência e à corrupção? Que projetos seus candidatos já apresentaram no passado em benefício do povo? Que fizeram concretamente pelo bem comum? 7. A Igreja se compraz em recordar que o voto é, para o cristão, um dever. Todo católico tem a obrigação, em consciência, de procurar informar-se para ter uma posição clara e madura do modo como votará. Seu voto é um modo de socorrer os meninos de rua, aliviar a angústia dos sem teto, melhorar a saúde pública, gerar emprego e renda para muitos, melhorar o rosto do País, do Estado e do Município, combater a violência e a corrupção, proporcionar educação de melhor qualidade para todos. Isso mesmo: o voto é um modo inteligente de exercer a caridade. Não votar ou votar mal é omissão e infidelidade ao Senhor e aos irmãos. A campanha eleitoral está começando. Estejamos atentos! E que Deus nos ajude e àqueles que por nós serão eleitos. E, não esqueçamos: cada povo tem o governo que merece!
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