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Editoriais do Semeador
Sex, 15 de Maio de 2009 23:41

            Vivemos ainda o clima de início do ano e do início de governos, federal e estadual. Vivemos assim, sempre de inícios e de esperanças... Há milhões de anos esperamos superar problemas, sempre melhorar... Nesta ânsia, muitíssimas vezes o homem esquece Deus e pensa, coitado, que pode, sozinho, somente com sua boa vontade e inteligência construir um mundo melhor. Ilusão!

            No livro do Gênesis, a Escritura conta-nos a aventura de Babel. Esta história em modo de parábola denuncia a tentação constante da humanidade: construir-se sozinha, por si mesma, tendo como única referência a si própria e seus quereres: “Vamos, façamos uma torre que nos torne célebres e não nos dispersemos!” A torre significa a vontade humana de ter um ponto de referência, algo em que acreditar e em torno de que reunir-se... Mas, coitadinha! A torre, feita para unir, virou Babel, confusão, dispersão... A torre que devia tornar o homem célebre, dela não há mais nem rastro!

            Ainda hoje, final de século XX, o homem continua querendo construir uma torre, com sua ciência, com sua pretensa autonomia, com sua ilusória liberdade... Julga-se adulto, maduro, emancipado, senhor do bem e do mal, do certo e do errado, o homem de hoje, verdadeiro homo sapiens... Mas, o que tem construído? Que tipo de mundo, de sociedade? Sem valores, sem justiça, muitas vezes, sem esperança. Temos construído Babel!

            Bem que o salmo 127 adverte: “Se o Senhor não construir a casa, seus construtores trabalham em vão!” Sim; isto mesmo! Sem abrir-se para Deus o homem não se encontra, não consegue um ponto realmente sólido de referência, não encontra um alicerce firme e profundo o bastante para elevar-se. É por isso que a Escritura, à Babel (= confusão) contrapõe Jerusalém (= visão das pazes, da paz em plenitude, no plural; de todas aquelas que desejamos e não temos). Mas, Jerusalém, o homem não a constrói sozinho, não a edifica com suas forças. O Apocalipse diz que ela desce do céu, como dom carinhoso de Deus. A paz, a salvação, o encontro do homem consigo mesmo e com os outros somente podem acontecer com a abertura para o Senhor.

            Novo ano, novo governo, novas propostas, novas esperanças... Tudo tão novo, e tão velho, manjado! Que o ano aprenda, que o governo preste atenção, que as propostas estejam abertas, que as esperanças sejam atentas: “Se o Senhor não construir... tudo será em vão!”

            Vamos, abramo-nos para o Senhor e nossa Babel transformar-se-á em Jerusalém!

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