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Editoriais do Semeador
Sex, 15 de Maio de 2009 23:41

            Estamos em pleno tempo litúrgico do Natal do Senhor! Para os cristãos apenas de nome e o comércio, no entanto, o Natal já passou... durou apenas uma noite, um dia, um consumo ou uma rodada de cerveja!

            É triste, a história do Natal, sua trajetória histórica, seu destino...

            Desde o dia 25 de dezembro de 274, quando o imperador da Roma pagã, Aureliano, dedicou um templo ao Sol Invictus, os romanos celebravam todos os anos, nesta data, o Natal do Sol Invencível. Os cristãos, querendo cristianizar os costumes pagãos, começaram, no século IV, a celebrar, neste mesmo dia, a festa do Natal do verdadeiro Sol Invencível, aquele que ilumina todo homem que vem a este mundo! Assim nasceu o nosso Natal, o Natal dos cristãos: da substituição de uma mentalidade pagã por uma mentalidade cristã... Era o triunfo da consciência cristã, era um sinal potente de que o cristianismo estava penetrando no tecido dos costumes e dos corações.

            Durante a Antigüidade cristã, a Idade Média e até a primeira metade deste século, o Natal do Senhor penetrou profundamente a consciência dos cristãos, dando origem a belíssimas obras de arte na pintura, na literatura e no canto; costumes belíssimos, de profundo significado humano e cristão surgiram para exprimir a alegria e a doçura pela visita do Emanuel. No Natal, o céus destilavam o mel e das montanhas brotava o leite!

            Mas, na segunda metade deste século voltou o paganismo, disfarçado, cínico, sorrateiro e com uma força inaudita! E o pobre Natal, pagão cristianizado, foi, novamente - como Juliano, o Imperador Apóstata -, paganizado!

            E é este o Natal que temos, que vivemos no mundo atual: pagão (pois já não celebra nada, a não ser um tal de Papai Noel, produto das alucinações e quimeras humanas), blasfemo (pois troca o Menino Deus de Belém por uma ilusão), consumista (pois renega a pobreza do Presépio em favor do esbanjamento dos presentes caros) e vazio (pois apregoa um sentimento meloso e melado de paz e fraternidade flor de laranja, sem uma real conversão ao Deus vivo e verdadeiro).

            Pobre Natal, antes pagão, batizado, cristianizado e, agora, repaganizado!

            Quem dera que os cristãos percebessem isso; quem dera que acordassem, quem dera que tirassem de suas casas e dos corações de suas crianças esse natalzinho de Papai Noel e de consumismo... Quem dera que nossa ceia de Natal fosse preparação ou continuação da Ceia eucarística e nossos presentes fossem recordação do Deus que se fez presente! Quem dera que, para nós, cristãos, o dono da festa fosse Jesus, pobrezinho nascido em Belém...

Quem dera que nosso Natal voltasse a ser cristão!

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