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Editoriais do Semeador
Sáb, 16 de Maio de 2009 00:06

Este escrito a guisa de editorial não é inédito... mas é urgente; continuamente urgente! Por isso, tomei a liberdade da persistência, da insistência e o reproduzo mais uma vez! Quem dera estas palavras seguintes, estes pensamentos encontrassem algum eco!

Não são poucas as pessoas que reclamam! Dizem que não encontram calor humano, acolhimento suficiente nas nossas comunidades! Muitos se queixam porque em momentos dolorosos de suas vidas, quando mais precisaram, lá não estava a presença materna da Igreja de Cristo, seja na pessoa de um sacerdote ou diácono, seja na própria presença fraterna e solidária dos fiéis...

Não adianta querer tapar o sol com a peneira! Não adianta fazer de conta que o problema não existe e que está tudo às mil maravilhas! Falta, na nossa Igreja católica - tão de Cristo e tão nossa -, uma maior atenção ao acolhimento e ao acompanhamento dos fiéis!

Se alguém está doente na comunidade, se alguém passa por um momento particularmente difícil, se alguém se sente sozinho ou fragilizado, se alguém morreu na comunidade, é necessária a presença materna da Igreja! Caso contrário, ela pareceria mais uma madrasta fria e malvada (há madrastas ternas e afetuosas) ou, pior ainda, uma empresa distante e indiferente, preocupada simplesmente com as estatísticas: tantos habitantes na paróquia, tantos batizados, tantos casamentos, tantas comunhões, tantas pessoas na Missa! A Igreja tem que ser muito, mas muito mais que isso! Deve ser, tem que ser – sob pena de infidelidade grave a Cristo – uma comunidade acolhedora, fraterna, solidária, humana e, sobretudo maternal. Mãe Igreja - assim a chamamos! Mãe Igreja – assim a queremos ver!
Certamente a situação atual não é fácil! Há o crescimento populacional desordenado nas grandes cidades, há o atual ritmo de vida alucinante, feito na correria, há o individualismo no qual cada um se fecha, há o número insuficiente de padres para atender tanta gente, etc, etc... No entanto, nada disso justifica a indiferença, a frieza, a falta de solidariedade ou um aspecto demasiadamente burocrático que nossas comunidades possam ter!

Será que nossos padres não estão centralizando demais as coisas, achando que eles devem fazer tudo? O ministério sacerdotal é um ministério de coordenação e de discernimento e não o ministério do faz-tudo! Em outras palavras: é um ministério de síntese e não a síntese dos ministérios, que engole todos os demais! Isso quer dizer que é necessário com urgência preparar leigos competentes para uma pastoral do acolhimento, do aconselhamento e da solidariedade: leigos que visitem os doentes e sofredores da comunidade, leigos que saibam consolar na tribulação pelas quais os irmãos atravessam, leigos que possam ter tempo para uma pastoral do aconselhamento. Aconselhar não é dom exclusivo do padre; há tantos leigos santos que receberam tal dom! Por que não colocá-lo a serviço da comunidade? Todos os carismas são para o crescimento do Corpo de Cristo!

A pastoral do acolhimento não pode se reduzir ao departamento da Equipe de Liturgia que recebe as pessoas à porta da igreja para a Santa Missa. Isto é muito pouco! Há ainda um outro tipo de acolhimento, para o qual temos sido muito desatentos: aqueles adultos que pedem o Batismo na Igreja, como são preparados? Com umas aulazinhas de catequese meio sapecadas ou com no mínimo um ano de catecumenato sério e empenhativo, como pede a Igreja? A pessoa ingressa na Igreja, é batizada, mas não se sente preparada, não se sente membro de uma comunidade que a acolhe e a ama; nem conhece com profundidade o modo de viver, de crer e de rezar dos cristãos! E o acompanhamento dos que fizeram primeira comunhão eucarística e crisma? A gente vê cada coisa por aí! Pensem em um adulto batizado na Igreja e, menos de dois anos depois, tornar-se evangélico! Que preparação teve? Qual a seriedade do seu catecumenato, do padre que o batizou e dos catequistas que o prepararam? E os adultos que são batizados para poderem se casar? Que pensar de tal aberração? Perguntas incômodas, chatas, não?

Temos que acordar! É necessário deixar uma pastoral acomodada e de massa e partir para uma ação mais personalizada e atenta a criar laços de compromisso sério com Cristo e com a comunidade. É isto que é Igreja. O resto é miragem e ilusão... que termina em nada!
Queira Deus que acordemos para estes aspectos tão importantes de nossa vida eclesial!

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