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Padre Marcelo Rossi: pra fazer pensar... PDF Imprimir E-mail
Editoriais do Semeador
Sáb, 16 de Maio de 2009 00:09

Em vários dos bares de Maceió, tocam-se as músicas do Padre Marcelo Rossi... no carnaval deste ano - haverão de ver! - cantar-se-á as músicas do Padre pop star... em Salvador já as estão cantando!
Se não quisermos socar a cabeça no buraco para não vermos a realidade, como faz a avestruz, é necessário que nos façamos alguns questionamentos sobre isto... As respostas, cada um as dê como o seu coração mandar e sua sinceridade diante de Deus o permitir...

Não há dúvida: Padre Marcelo possui um indiscutível carisma comunicativo, transmite uma espiritualidade singela, inocente, quase infantil, que cativa e coloca em contato com o frescor da simplicidade do Evangelho. Certo é que tudo isto tem ajudado muita gente a reencontrar Deus. Suas canções simples, sem pretensões artísticas, contagiaram muitos com o sentimento de Deus e o bom odor de Cristo. É também uma alegria ver seu testemunho explícito de amor à Igreja: “Eu amo a Igreja católica!” Faz-nos felizes ouvir isto, sobretudo de um padre jovem!

No entanto, diante de tantos aspectos positivos, não podemos nos furtar a algumas perguntas, que devem ser feitas em nome da responsabilidade de evangelizar. Padre Marcelo tem sabido portar-se diante dos meios de comunicação ou é manipulado, instrumentalizado? Ao freqüentar programas de auditório, consegue realmente levar a mensagem do Evangelho, seu anúncio de salvação e sua exigência de conversão? Será que não foi feito “vaquinha de presépio” e trampolim de audiência para programas comprometidos com tudo e com todos, menos com o Evangelho? Suas respostas na televisão e nas revistas não são muito claras, mas evasivas, reticentes, como que tendo medo de ser antipáticas ou de desagradar... A liturgia do Padre Marcelo, suas missas, realmente exprimem a celebração do Mistério de Cristo? deixam transparecer a ação da Igreja que celebra como comunidade, na alegria, mas também na paz e no compromisso pessoal e comunitário? Será esta a Celebração litúrgica, tal como a Igreja recebeu dos Apóstolos e vivenciou nestes dois mil anos? Será mesmo a Eucaristia o lugar para “aeróbicas”? Não seriam elas mais convenientes num outro momento?

Pode-se responder a tudo isto de um modo superficial, afirmando: “Ah! Mas as pessoas estão sendo atraídas para a Igreja!” Jesus aceitaria esta resposta? Era esta a sua lógica, a sua forma de evangelizar? Não esqueçamos seu desafio aos apóstolos: “Vós também, quereis ir embora?”
Agora aproxima-se o carnaval e Padre Marcelo será cantado, relembrado... mas, que pena: cantado não como expressão de conversão e de amor a Jesus, de compromisso com o Reino e com o ser humano, mas simplesmente como embalo para um tipo de diversão que está longe de ser cristã; cantado não para despertar amor a Cristo, mas para embalar a alienação...

Estas linhas não são uma reprimenda ao Padre Marcelo. Não! São apenas um estimulante para que pensemos e prestemos atenção no modo como evangelizamos. A muitos, talvez, elas incomodem. Mas, não precisam se incomodar: é com caridade e imenso respeito que fazemos tal reflexão.
Que Padre Marcelo continue sua obra de Deus e que o Senhor lhe conceda o discernimento para escapar dos laços ambíguos que o mundão lhe prepara. Afinal, a evangelização exige de nós discernimento e inteligência e capacidade crítica...

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