Mário Covas PDF Imprimir E-mail
Editoriais do Semeador
Sáb, 16 de Maio de 2009 00:10

O País todo acompanhou a luta do Governador de São Paulo pela vida. Num de seus momentos de breve melhora, após uma de suas cirurgias, ele disse, emocionado: “Como posso reclamar, quando Deus me deu a vida? Como posso lamentar pelo secundário, quando tenho o principal?” Foi um belo exemplo de luta pela vida, de grandeza humana e de fé em Deus. Num mundo tanto e tanto leviano, seu modo de se comportar foi surpreendente, felizmente surpreendente!

O Brasil, já há muitos anos, arrasta-se numa crise política, crise que não é de governo é de uma classe: nossos dirigentes, de modo geral, não são dignos de confiança; ninguém, em sã consciência ou com meio grama de miolo no cérebro, acredita na palavra de um vereador, um deputado, um senador. Portanto, é uma crise de moralidade e de confiabilidade naqueles que nos governam. No último mês essa eterna situação mostrou mais a sua cara, como faz de vez em quando. Neste contexto morreu Mário Covas, político diferente da maioria dos políticos. Ele deixou dois grandes desafios: um para nós todos, povo brasileiro e um outro para os políticos.

Para nós o desafio é realmente instigante: nesse caudal de políticos corruptos, medíocres, hipócritas e demagogos, há políticos honestos; os homens de bem na vida pública existem! Não vale nem é responsável ou honesto afirmar que política é coisa de gente suja ou que todo político é larápio. Políticos corretos existem; o desafio é encontrá-los e elegê-los! Para isso é necessária uma educação política, é indispensável a informação. Eis, portanto, o desafio que Mário Covas deixa ao povo, aos Josés e Marias, aos Silvas e Santos, cidadãos comuns, do Brasil do povão: participar da vida política com responsabilidade, com convicção! Se políticos maus estão no poder, foi o povo quem os elegeu, quem os colocou lá! Um povo preguiçoso para pensar no seu futuro, preguiçoso para escolher com responsabilidade seu próprio destino... um povo que, irresponsável, nada mais faz que, na cegueira, eleger seus algozes – os ladrões que vão surrupiar o dinheiro público! Como dizia o Bertold Brecht: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o tolo que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”. Temos, portanto, um desafio: encontrar os políticos honestos e elegê-los!

Há, em segnudo lugar, o desafio para os políticos, deixado pelo Governador. Este também é grande: ser ético na política, ser coerente, é possível. É possível não se vender, não entrar na lógica do “eu faço porque todo mundo faz”. Tantos e tantos políticos cantaram loas ao Governador: louvaram sua honestidade, exaltaram sua integridade, recordaram sua lealdade, enfatizaram sua coerência... mas, quantos entre esses, acreditam realmente nisso? É possível ser honesto na política! Exemplos? Por incrível que pareça, temos vários, na política municipal, estadual e federal. Pena que esses não sejam os campeões de votos...

Para concluir, é bom deixar claro que não se trata de canonizar o ex-governador paulista, mas de refletir sobre alguém que realmente foi exemplo. Numa sociedade tão necessitada de referenciais é bom ter alguém a quem citar como modelo.

Tomara que nas próximas eleições o povo se lembre de Mário Covas e o tome como medida, critério e referencial para escolher seus representantes!

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