Informações
| A peregrinação do João de Deus |
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| Editoriais do Semeador |
| Sáb, 16 de Maio de 2009 00:14 |
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João Paulo II já está, novamente, em Roma, dos Apóstolos Pedro e Paulo, dos mártires do início do cristianismo... Já voltou da sua andança pela Terra Santa. Foram dias, momentos, inesquecíveis, carregados de emoção e densos de significado! Poucas ocasiões deste pontificado tão impressionante foram tão impressionantes como esta, na Terra de Abraão, Isaac, Jacó e Jesus, nosso Senhor. Pena que a imprensa brasileira (tão imprensada!) não tenha dado a devida cobertura à viagem do Papa. Quem pôde acompanhar a CNN, a BBC e outros canais internacionais, teve a oportunidade de seguir de perto o que estava acontecendo. Mas, qual o objetivo e o significado de tal visita? Primeiramente, convém recordar que não se tratou de uma “visita”, mas de uma “peregrinação”, daquelas a que se vai sem saber bem o que se vai encontrar. Peregrinar é isto: partir, deixar, ir ao encontro de Deus, no lugar, no tempo e no modo marcados e escolhidos por Ele! Peregrinar é partir confiando, como se visse o Invisível. Foi isto que o Santo Padre fez! Sua peregrinação teve quatro significados importantíssimos – difícil dizer qual o mais importante! Em primeiro lugar, foi uma volta às origens, onde tudo começou para nós, cristãos. O cristianismo não é uma religião abstrata, espiritualista; não é uma filosofia de vida, nem a crença num deus distante, fruto de nossos sonhos e imaginações. Não! Deus se revelou, tomou a iniciativa de vir ao nosso encontro, entrou na nossa história, melou-se com as melações da nossa existência humana. Ele fez história com Abraão e com os demais patriarcas, fez história com o povo de Israel e, finalmente, no seu Filho Jesus, tocou, pessoalmente, o chão batido da nossa vida: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós!” (Jo 1,14). Ir à Terra Santa é tocar onde Deus tocou, é “re-tocar” o início de nossa fé, é beber nas fontes... É gritar para o mundo que Deus existe, é presente, é próximo, é comprometido com a vida e a história da humanidade. Visitar a medíocre Nazaré, a pobre Belém, viajar pela periférica Galiléia e chegar ao Calvário e ao Sepulcro é afirmar que Deus veio ao nosso mundo sem fazer pose, sem vestir-se com o manto dos grandes, dos poderosos, dos que mandam e oprimem... Ele veio, tão pequeno, tão humilde, tão real, tão igual a nós... que não foi reconhecido! Ele veio: assumiu o que é nosso (pobreza, dor, medo, incerteza, sonhos, morte) para nos dar o que é dele (a vitória, a paz, a força, o sentido da vida e a vida eterna)! O Papa fez questão de ir duas vezes ao Santo Sepulcro e de ficar ali, sozinho, longamente, em oração... O Sepulcro vazio, a morte vencida, derrotada, assumida, superada... ali tudo começou! Que alegria entrar no Sepulcro e não encontrar mais Jesus! Feliz desencontro; doce ausência que nos enche de esperança e paz e nos dá a força de esperar e trabalhar por um mundo melhor! Finalmente, o Papa quis encontrar os muçulmanos; também eles adoradores do Deus único e verdadeiro. Por eles demonstrou respeito e cordialidade e foi por eles respeitado e acolhido, demonstrando que todo aquele que crê em Deus – seja de que religião for – é convidado à tolerância, ao respeito e à fraternidade. Inesquecível, esta peregrinação do João de Deus, este Papa gigante, surpreendente, incansável, que Deus nos deu. Artigos Relacionados: |
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