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Meditação sobre Hb 1,9-11 PDF Imprimir E-mail
Estudos Bíblicos
Qua, 06 de Maio de 2009 11:44

 

Meu caro Visitante, a segunda leitura da Liturgia do XVII Domingo Comum do Ano B, Hb 1,9-11, é rica e de grande intensidade. Vale a pena algumas considerações para a nossa comum edificação. 

1. “Vemos a Jesus, que foi feito, por um pouco, menor que os anjos, por causa dos sofrimentos da morte, coroado de honra e de glória”. Eis, que visão impressionante: o Filho eterno, esplendor da glória do Pai e expressão do seu ser, que sustenta o universo com o poder de sua palavra (cf. Hb 1,3), vemo-lo feito pouco menor que os anjos. É o mistério do esvaziamento do nosso Salvador que, fazendo-se homem, humilhou-se, murchou na sua glória para nos salvar. E por isso, está agora, na sua humanidade igual à nossa, coroado de honra e de glória. 

2. “É que pela graça de Deus ele provou a morte em favor de todos os homens”. Eis o motivo dessa humilhação: o Pai, na sua graça inesgotável, entregou o próprio Filho pela humanidade toda. E o entregou até à morte: ele, de fato, experimentou a terrível realidade da morte. Morreu como nós para que nós não morramos sozinhos, mas morramos nele e com ele! 

3. “Convinha que Aquele por quem e para quem todas as coisas existem, querendo conduzir muitos filhos à glória, levasse à perfeição, por meio dos sofrimentos, o Autor da salvação deles”. Coisas misteriosas nos são ditas aqui! O Pai quis nos salvar, quis nos dar a plenitude de sua vida divina, levando-nos à perfeição, através do seu Filho. Como? Primeiro, o Filho fez-se homem, assumindo nossa pobre condição de criaturas limitadas. Humanamente, o Filho limitou-se, tornando-se mesmo menor que os anjos. Mas, o Filho, na sua natureza humana igual à nossa, teria que ser preenchido da vida divina do Pai para, pleno de divindade na sua pobre humanidade, derramar essa divindade (que é o próprio Espírito Santo) sobre nós, pobres e limitados humanos, levando-nos à plenitude criatural. E qual o caminho para o Filho chegar à essa plenitude? Eis a surpreendente reposta: o esvaziamento até a morte de cruz! Esvaziando-se totalmente de si até a morte de cruz, o Filho, na sua humanidade, é totalmente preenchido pelo Pai, é transfigurado em glória divina e derrama sobre nós essa glória, que é o próprio Espírito Santo. Mas, nunca esqueçamos: o caminho para isso foi a terrível experiência do sofrimento físico, moral, psicológico e espiritual – foi isso todo o mistério da vida do Senhor, até a sepultura! Foi assim que Jesus se tornou o Autor da nossa salvação: ele se fez um de nós, desposou a nossa humana aventura, partilhou o nosso sofrimento até a morte, numa misteriosíssima solidariedade entre Santificador e santificados! Por isso mesmo ele é nosso modelo, é Autor e Consumador da nossa fé (cf. Hb 12,2) e “levado à perfeição, se tornou para todos os que lhe obedecem princípio de salvação eterna” (Hb 5,9). 

4. “Pois tanto o Santificador quanto os santificados, todos, descendem de um só; razão por que não se envergonha de os chamar irmãos”. Eis: fazendo-se um de nós, Jesus tornou-se verdadeiramente Cabeça de toda a humanidade. Pela sua morte e ressurreição e o dom do Espírito, ele se uniu a nós para sempre, de modo que suas dores tornam-se nossas e seu triunfo é penhor do nosso. Também nossas dores tornam-se dele, de modo que podemos “completar na nossa carne o que faltou da sua paixão” (Cl 1,24), enquanto esperamos a graça de participar plenamente da sua vitória. Trata-se aqui de uma profunda e real comunhão nossa com o Senhor Jesus. Comunhão que se dá no Espírito Santo recebido no Batismo e demais sacramentos. Que consolo estarmos unidos ao Salvador, seja no sofrimento seja na alegria, seja na morte seja na vida! E isso é uma real e consoladora realidade!

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