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I Domingo do Advento – Ano C PDF Imprimir E-mail
Ano C
Dom, 24 de Maio de 2009 01:20


 

Jr 33,14-16
Sl 24
1Ts 3,12 – 4,2
Lc 21,25-28.34-36

                                                         Modelo I  

           “A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado!” Com a Eucaristia deste hoje estamos iniciando um novo Ano Litúrgico e também o Tempo do Advento, que nos prepara para o Natal do Senhor. Durante este novo ano, aos domingos, escutaremos sempre trechos do Evangelho segundo Lucas. E nesta primeira Missa deste novo tempo, a Igreja, no missal, coloca as palavras do salmo 24, que foram lidas há pouco: “A vós, meu Deus, elevo a minha alma”... A Igreja ergue os olhos, o coração, a alma para o Senhor, reconhecendo-se pobre, pequena e necessitada. “Confio em vós, que eu não seja envergonhado!” Estas palavras, exprimem qual deva ser nossa atitude neste santo Advento: atitude de quem se reconhece necessitado de um Salvador; de quem se sabe pequeno e incapaz de caminhar sozinho! A humanidade, sozinha, não chega à plenitude, não encontra a felicidade: precisamos que Deus venha e nos estenda a mão, que ele nos eleve e nos salve!

            O Advento nos prepara para o Natal e nos faz pensar que um dia o Senhor virá em sua glória para levar à plenitude sua obra de salvação. É um tempo de vigilância, de súplica, de alegre esperança no Senhor que vem: veio em Belém, vem no mistério celebrado no Natal, virá no final dos tempos e vem a cada dia, nos grandes e pequenos momentos, nos sorrisos e nas lágrimas. A liturgia nos ajuda a viver bem este tempo com símbolos próprios desta época: a cor roxa, que significa sobriedade e vigilância; o “Glória”, que não será rezado na Missa, para recordar que estamos nos preparando para cantá-lo a plenos pulmões no Natal; a ornamentação sóbria da igreja; a coroa do Advento, que abençoamos no início desta celebração; as leituras e cânticos tão comoventes, sempre pedindo a graça da Vinda do Senhor; a memória dos personagens que nos ensinam a esperar o Messias: Isaías, João Batista, Isabel e Zacarias, José e, sobretudo, a Virgem Maria.

            Neste tempo, cuidemos de meditar mais na Palavra de Deus, tanto nas leituras da Missa diária quanto no livro do Profeta Isaías. Procuremos também o sacramento da confissão. Abramos nosso coração Àquele que vem!

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            No Evangelho deste domingo, o Senhor nos recorda a necessidade da vigilância: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse Dia não caia de repente sobre vós; pois esse Dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes da terra. Portanto, ficai atentos!” Aquele cuja vinda celebraremos no Natal, cuja vinda esperamos no final dos tempos, vem a nós constantemente! Somente numa atitude de oração e vigilância, de sobriedade e de expectativa amorosa, é que poderemos reconhecê-lo e acolhê-lo. É nossa atitude agora que determinará nossa sorte quando ele vier no final dos tempos. Com uma linguagem impressionante e simbólica, Jesus quer nos dizer hoje que sua manifestação final vai co-envolver todas as coisas: a criação toda, a história humana toda e cada um de nós. Nada nem ninguém escapará do Dia do Cristo; tudo será passado a limpo pelo Filho do Homem glorioso: “Verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com grande poder e glória”. Esta vinda será discriminatória, pois discriminará bons e maus: será manifestação da salvação para quem o acolheu... e será perdição para quem o rejeitou! Daí, a advertência séria, o apelo quase que dramático que Jesus nos faz: “Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai a cabeça, porque a vossa libertação se aproxima”; ficai atentos para terdes força de escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes dep é diante do Filho do Homem!” Os sinais que o Senhor nos dá, acontecem sempre, em cada geração, como um convite insistente à vigilância.

            É preciso que compreendamos que este Dia final que o Senhor nos prepara – Dia da sua Vinda, da sua Manifestação, da sua Aparição – será Dia de salvação: “Eis que virão dias em que farei cumprir as promessas de bens futuros... Naqueles dias, farei brotar de Davi a semente de justiça... e Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante”. Deus nunca pensou o mal para nós! Mas é necessário que nos abramos para o Bem que o Senhor nos prepara; este Bem é Aquele que veio em Belém, que nos vem em cada Eucaristia e que nos virá no final de tudo: “este é o nome com que será chamado: Senhor-nossa-justiça”. Este Bem é Jesus-Salvador! Por isso mesmo, na segunda leitura desta Missa, o Apóstolo nos convida a buscar a santidade aos olhos de Deus, nosso Pai, preparando-nos para “o Dia da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos” e nos pede insistentemente que façamos “progressos ainda maiores”.

            Tomemos consciência de que nosso caminho neste mundo passa, é apenas um caminho! Por que temos tanto medo de recordar que aqui estamos de passagem e que somente lá permaneceremos para sempre? Pois bem: vivamos bem nosso Advento, vivamos bem os dias de nossa vida, à luz do Dia do Cristo que vem! Que caminhemos com os pés bem firmes neste mundo e os olhos voltados para o alto. Que nossos sentimentos sejam os do salmo da Missa de hoje: “Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação!” Que nós, “acorrendo com nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos” no Dia da sua Vinda! Vem, Senhor Jesus! Amém!

                                                      Modelo II

            Caríssimos irmãos no Senhor, estamos começando hoje um novo Ano Litúrgico; é o princípio de mais um ciclo de tempo sagrado para celebrar na liturgia o santo mistério do Deus que nos salvou em Cristo Jesus. Celebramos o mistério de Cristo na sagrada Liturgia e, com ela, enchemos nossa vida do bom odor de Cristo e do gosto das coisas do céu! Pois bem, irmãos no Senhor, cuidemos de viver piedosamente este novo ano que ora começa!

            E o primeiro mistério que se celebra no arco do ano da Igreja é, precisamente, o santo Tempo do Advento, que faz memória da longa espera do povo de Israel e de toda a humanidade. Espera? Que espera? Pensemos, caros no Senhor, pensemos no coração humano, recordemos a história humana e veremos que toda a nossa existência é uma saudade, uma espera, uma ânsia. O homem é cativo da esperança! Espera a paz, espera a felicidade, espera a plenitude, espera a vida, espera vencer a morte! Os pagãos, sem saber bem o que esperavam, ainda assim, esperavam... Esperavam e esperam! Por sua vez, os judeus, o povo da antiga aliança, esperava sabendo o que esperava... Sabia porque Deus prometera um Messias, um Salvador. Com esse bendito Enviado de Deus, toda graça e toda bênção seriam dadas a Israel e a toda a humanidade. Nos dias do Messias, o Senhor iria derramar seu Espírito sobre toda carne e Israel seria salvo e a humanidade descansaria em paz... Pois bem, o Tempo do Advento celebra essa espera e coloca diante dos nossos olhos as promessas que Deus fez ao seu povo e a toda a humanidade. Exatamente porque é tempo de espera, a cor deste período é o roxo, de quem vigia e aguarda; por isso também a ornamentação simples da Igreja... É tempo de esperar, como o vigia espera pela aurora, como a amada espera pelo amado, como a flor espera pelo orvalho...

            Mas, essa celebração da espera, própria do Advento não é um faz-de-conta! Nada disso! Esta espera nos faz recordar que Aquele que veio para nós em Belém, nascido de Maria a Virgem, virá como Juiz e Senhor nos final dos tempos. Diz o Catecismo da Igreja: “Jesus Cristo é o Senhor: possui todo poder no céu e na terra. Esta acima de toda autoridade, poder, potentado e soberania, pois o Pai tudo submeteu a seus pés. Cristo é o Senhor do cosmo e da história. Nele, a história do homem e mesmo toda criação encontram sua recapitulação, sua consumação transcendente” (n. 668). Portanto, caríssimos, é preciso que nos preparemos para ele por uma vida de vigilância e santidade! Por isso mesmo, as duas primeiras semanas do Advento nos fazem pensar na segunda vinda do Cristo, quando ele aparecerá em glória, cumprido tudo quanto Deus nos prometera e levando à consumação a sua obra. Disso nos falam as leituras deste Domingo.

            Pela boca do profeta Jeremias, Deus prometia à Casa de Israel – e tal promessa é válida para nós, novo Israel: “Eis que virão dias em que farei cumprir a promessa de bens futuros para a casa de Israel! Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi a semente da justiça; Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante. Este é o nome que servirá para designá-la: ‘O Senhor é a nossa justiça’!” Esta promessas, irmãos, não diz respeito somente ao passado, à primeira vinda do Cristo, descendente de Davi; diz respeito ao nosso futuro, àquilo que Deus nos prepara. E o que nos prepara? A manifestação gloriosa e salvífica do seu Filho Jesus Cristo! Aquele que veio na humildade de nossa carne em Belém, manifestar-se-á na plenitude da glória, no tempo que somente o Pai conhece, e tudo e todos serão nele examinados, nele tudo será julgado e nele encontrará o destino definitivo, de salvação ou perdição eterna: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas... Os homens vão desmaiar de tanto medo, só de pensar no que vai acontecer ao mundo. Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória”. O que nossa fé nos ensina, caríssimos, é que tudo caminha para o Cristo: a criação, a história, a nossa vida... Daí a nossa responsabilidade em viver com sabedoria os dias de nossa peregrinação neste mundo: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós!” A tentação é grande, irmãos! Mais que nunca somos solicitados pelo mundo a viver no consumismo, no excesso de distrações, de futilidades, de uma vida dispersa e superficial. Querem nos fazer esquecer que aqui estamos de passagem, que nossa plenitude se encontra somente em Cristo nosso Deus e que haveremos, um dia de comparecer ante o tribunal do Senhor Jesus! Vigiemos, pois! Cuidemos de estar atentos ao Senhor, “pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes da terra!” A grande questão que a palavra do Senhor hoje nos coloca é se queremos viver na futilidade de uma vida que parece não ter rumo nem plenitude final ou se, ao invés, compreendemos a nossa existência como um caminho que tem uma meta, um sentido, uma plenitude, que se encontra em Cristo nosso Senhor! Ora, se, de fato, levarmos a sério que um dia daremos contas ao Senhor da nossa vida, se levarmos a sério de verdade que Cristo é o sentido último de nossa existência, então, é preciso não brincar com o conselho do Apóstolo na segunda leitura desta Liturgia: “Que o Senhor confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Nosso Senhor Jesus com todos os seus santos. Aprendestes de nós como deveis viver. Fazei progressos ainda maiores!!”  É assim, caríssimos, que poderemos, no dia final, levantar-nos e erguer a cabeça para a salvação que se aproxima. É assim, na oração, na vigilância, na prática da virtude, numa vida levada a sério, que poderemos compreender a exortação de Jesus: “Ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.

            Caríssimos, quando o Senhor nos fala dessas coisas não é para amedrontar ou nos fazer terrorismo! Nada disso! O objetivo do nosso Deus é nos recordar com toda a seriedade a respeito da responsabilidade que temos em viver com sabedoria a única existência que nos foi dada; assim estaremos prontos para o encontro com o Senhor quando ele vier! Vigiemos, oremos, sejamos amigos de Cristo, sejamos fiéis filhos de nossa santa mãe católica, vivamos em paz, valorizando os dias de nossa vida, e a Vinda do Senhor será para nós salvação e alegria. Com estes santos pensamentos, vivamos este belíssimo tempo do Advento que hoje começa, na doce esperança do Cristo nosso Deus. A ele a glória pelos séculos, Amém.

Observação. Durante todo este ano, irei recomendar trechos do Catecismo que tenham ligação com a Liturgia da Palavra. Para este Domingo seria recomendável ler e meditar em família e pessoalmente os números 668-682.

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Última atualização em Sáb, 19 de Dezembro de 2009 00:14
 

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