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| Estudo Bíblico para o II Domingo do Advento – Ano A |
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| Lectio Divina | |
| Sáb, 04 de Dezembro de 2010 20:05 | |
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Estudo Bíblico para o II Domingo do Advento – Ano A
Leitura do Livro do profeta Isaías (Is 11,1-10) Naqueles dias, 1nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; 2sobre ele repousará o Espírito do Senhor: Espírito de sabedoria e discernimento, Espírito de conselho e fortaleza, Espírito de ciência e temor de Deus; 3no temor do Senhor encontra ele seu prazer. Ele não julgará pelas aparências que vê nem decidirá somente por ouvir dizer; 4mas trará justiça para os humildes e uma ordem justa para os homens pacíficos; fustigará a terra com a força da sua palavra e destruirá o mau com o sopro dos lábios. 5Cingirá a cintura com a correia da justiça e as costas com a faixa da fidelidade. 6O lobo e o cordeiro viverão juntos e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o bezerro e o leão comerão juntos e até mesmo uma criança poderá tangê-los. 7A vaca e o urso pastarão lado a lado, enquanto suas crias descansam juntas; o leão comerá palha como o boi; 8a criança de peito vai brincar em cima do buraco da cobra venenosa; e o menino desmamado não temerá pôr a mão na toca da serpente. 9Não haverá danos nem mortes por todo o meu santo monte; a terra estará tão repleta do saber do Senhor quanto as águas que cobrem o mar. 10Naquele dia, a raiz de Jessé se erguerá como um sinal entre os povos; hão de buscá-la as nações, e gloriosa será a sua morada.
Salmo Responsorial (Sl 71) Nos seus dias a justiça florirá.
Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com eqüidade ele julgue os vossos pobres.
Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho! De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra!
Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. Terá pena do indigente e do infeliz, e a vida dos humildes salvará.
Seja bendito o seu nome para sempre! E que dure como o sol sua memória! Todos os povos serão nele abençoados, todas as gentes cantarão o seu louvor!
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 15,4-9) Irmãos: 4Tudo o que outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que, pela nossa constância e pelo conforto espiritual das Escrituras, tenhamos firme esperança. 5O Deus, que dá constância e conforto, vos dê a graça da harmonia e concórdia, uns com os outros, como ensina Cristo Jesus. 6Assim, tendo como que um só coração e a uma só voz, glorifiqueis o Deus e Pai do Senhor nosso, Jesus Cristo. 7Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu, para a glória de Deus. 8Pois eu digo: Cristo tornou-se servo dos que praticam a circuncisão, para honrar a veracidade de Deus, confirmando as promessas feitas aos pais. 9Quanto aos pagãos, eles glorificam a Deus, em razão da sua misericórdia, como está escrito: “Por isso, eu vos glorificarei entre os pagãos e cantarei louvores ao vosso nome”.
Aleluia! Aleluia! Aleluia! (Lc 3,4.6) Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas! Toda a carne há de ver a salvação do nosso Deus.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (Mt 3,1-12) 1Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia: 2“Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. 3João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!” 4João usava uma roupa feita de pêlos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do campo. 5Os moradores de Jerusalém, de toda a Judéia e de todos os lugares em volta do rio Jordão vinham ao encontro de João. 6Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão. 7Quando viu muitos fariseus e saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes: “Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? 8Produzi frutos que provem a vossa conversão. 9Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’, porque eu vos digo: até mesmo destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão. 10O machado já está na raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo. 11Eu vos batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. 12Ele está com a pá na mão; ele vai limpar sua eira e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga”. +++++
1. O texto da primeira leitura é uma importante profecia sobre o Messias: >> Ele virá do velho tronco da Casa de Davi, ressequido por tantos reis indignos. Recorde que Jessé é o pai de Davi. Leia Rt 4,17-22; 1Sm 16. >> O Messias será humilde: apenas um pequeno rebento frágil, como um olhinho que brota de um velho e cortado tronco. Em hebraico, rebento se diz “neser”. Daí também nazireu (aqueles consagrados a Deus, como Sansão, Samuel e João Batista) e, por aproximação, nazareno. Jesus é o rebento (neser), consagrado a Deus (nazireu) que será chamado nazareno (cf. Mt 2,23). >> O termo “messias” (em grego, “cristo”) significa “ungido”. No Antigo Testamento, ungido era alguém que recebia a unção do Espírito (em geral simbolizada pela unção com o óleo) para uma missão divina. Sobre o Messias-Ungido repousará de modo pleno e constante o Espírito do Senhor. >> Jesus foi ungido: (a) na sua concepção por obra do Espírito (cf. Mt 1,20; Lc 1,35); (b) no início de sua vida pública (cf. Mt 3,16s; Mc 1,9-11; Lc 3,21s; Jo 1,29-34) e (c) de modo pleno e definitivo, na sua ressurreição (cf. At 2,32s; Rm 1,3; 8,10s; 1Pd 3,18). >> O Messias trará o shalom, a paz perdida no paraíso. Leia na primeira leitura: animais inimigos reconciliados, o mal sumido, a morte vencida... Leia também Jo 14,25-27; 20,19-21. Veja como nesses textos aparecem ligados o Espírito que ungiu Jesus e a paz que ele dá! A efusão do Espírito que o Ungido trará provocará o shalom de Deus sobre toda a criação e toda a humanidade. >> O Messias não virá só para Israel, mas para todos os povos: “A raiz de Jessé se erguerá como um sinal entre os povos; hão de buscá-la as nações, e gloriosa será a sua morada”. Vale a pena comparar este texto com a “Antífona Ó”, a antífona do Magnificat para o dia 19 de dezembro: “Ó Raiz de Jessé, erguida como estandarte dos povos, em cuja presença os reis se calarão e a quem as nações invocarão; vinde libertar-nos, não tardeis mais!” => Pensando nesse Rei-Messias, que por sua ressurreição reinará para sempre, reze o Salmo responsorial, pedindo a Deus que o Reino de Cristo se manifeste plenamente no mundo trazendo a bênção da justiça, da paz e da vida sem fim!
2. Algumas idéias a serem sublinhadas na segunda leitura: >> O Antigo Testamento serve para os cristãos enquanto nos conduz e prepara para Cristo. Leia o v. 4. Veja também 1Cor 10,1-11 e 2Pd 1,16-21. O cristão nunca deve esquecer que somente quando lido à luz de Cristo, isto é, como preparação para o Cristo, é que o Antigo Testamento pode realmente ser compreendido naquele sentido último que Deus pensou quando o inspirou. Cristo é a chave do Antigo Testamento e todas as Escrituras de Israel servem para os cristãos porque dão testemunho de Cristo e para ele preparam. >> Cristo veio para os judeus (= os que praticam a circuncisão) como cumprimento das promessas de Deus a Abraão e a todas as gerações de israelitas (v. 8) e veio para os pagãos (a quem nada tinha sido prometido) como expressão da pura misericórdia do Pai (v. 9) que deseja que, em Cristo, todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Então, judeus e gentios devem acolher o Cristo com alegria e a ele se converterem!
3. O evangelho nos apresenta uma das grandes figuras do Advento: João, o Batizador. >> Ele é um nazireu, um consagrado ao Senhor (cf. Lc 1,15), como Sansão, como Samuel... >> Releia no evangelho a vida austera que João tinha; era a vida própria de um nazireu. >> Sua principal característica: batizava. Seu batismo não é o sacramento do Batismo (que somente poderia acontecer após a ressurreição do Cristo), mas uma preparação para receber o Messias. Os judeus praticavam batismos (= mergulhos, imersões) para se purificarem. Mas, o batismo de João era bem diverso daqueles do judaísmo comum: (1) era ministrado uma só vez, enquanto os judeus praticavam frequentemente os banhos rituais; (2) recebia-se o batismo das mãos de João mesmo, enquanto os judeus se batizavam a si mesmos, mergulhando; (3) era acompanhado de um reconhecimento dos pecados, enquanto isto não existia no judaísmo, cujos banhos eram meramente rituais; (4) significava que a pessoa se reconhecia pecadora e queria converter-se para acolher a salvação que o Messias traria, enquanto no judaísmo esses banhos não tinham nada a ver com a vinda do Messias. >> João batizava com água, anunciando o Ungido-Messias que, pleno do Espírito, batizaria com o fogo do Espírito (v. 11). >> Quando Jesus nos batizou no Espírito? Ao nos dar seu Espírito no sacramento do Batismo. Leia: 7,37-39; Jo 20,19-21; Tt 3,4-7. >> No cristianismo há um só Batismo: aquele que é dado no sacramento e pelo qual recebemos o Santo Espírito de Jesus, simbolizado pela água. Não há outro batismo (cf. Ef 4,4-6). E o “batismo no Espírito” da Renovação Carismática? Não é o Batismo de que fala João Batista, mas apenas uma experiência de êxtase, que já acontecia no Antigo Testamento. Veja, por exemplo, Nm 11,25; 1Sm 19,20-24. Não se deve confundir a importância do dom do Espírito no Batismo com experiências de êxtases no Espírito. Ambas vêm de Deus, mas somente a segunda é fundamental e insubstituível para o cristão! >> E o “batismo nas águas”? Este não é cristão. Quem o pratica volta ao Antigo Testamento, a João Batista! Somos batizados “com água”, mas não “nas águas”! No cristianismo, as águas simbolizam o dom do Espírito. Leia Jo 3,5; 7,37-39. Note-se como se fala em “derramar” o Espírito e “beber” o Espírito (cf. Rm 5,5; 1Cor 12,13). O Espírito é o rio de água viva que brota do Trono do Pai e do Cordeiro imolado (cf. Ap 22,1).
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| Última atualização em Qui, 23 de Dezembro de 2010 22:31 |
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