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A Quinta-feira Santa PDF Imprimir E-mail
Geral
Seg, 29 de Dezembro de 2008 11:39
A Missa do Crisma

Neste dia, pela manhã, na Catedral de cada diocese, o Bispo com seu Presbitério, e com a presença dos diáconos e de todo o Povo de Deus, celebram a Missa do Crisma. Antes de celebrar ao Tríduo Pascal, memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor, a Igreja fixa seu olhar naquele que é o Sumo e Eterno Sacerdote, aquele que exercerá ao máximo o seu sacerdócio ao entregar-se por nós até a morte e morte de cruz.

A Igreja local se reúne como povo sacerdotal ao redor do Bispo, sucessor dos apóstolos e dos presbíteros, seus colaboradores. É a verdadeira festa do sacerdócio ministerial – daqueles que, recebendo a unção do Cristo (ungido), no interior do povo dos batizados, povo todo sacerdotal, agem na pessoa de Cristo cabeça da Igreja. Neste dia, os sacerdotes renovam suas promessas sacerdotais diante do Bispo.

Ainda durante a Celebração, são abençoados os óleos dos catecúmenos (usado nos batizados) e dos enfermos (usado na Unção dos Enfermos) e é consagrado o santo Crisma, mistura de óleo e perfume, símbolo da força do Espírito Santo, Dom do Cristo morto e ressuscitado à sua Igreja. Este óleo é usado na cabeça dos recém-batizados, na fronte dos crismados, nas palmas das mãos dos neo-sacerdotes, é derramado sobre a cabeça dos novos Bispos. Com esse óleo são ungidos o Altar e as colunas nas novas igrejas.

A beleza da Missa do Crisma é a experiência da Igreja diocesana toda reunida em nome de Cristo, o Ungido de Deus. Ela é o Corpo do Senhor e, como tal, se prepara para celebrar o Tríduo Pascal. Poder-se-ia perguntar por que esta Missa não se dá após o Dia de Páscoa, já que os santos óleos são expressão do Dom do Espírito, fruto do mistério pascal. É porque com esses óleos já serão ungidos aqueles que serão batizados e crismados na Vigília Pascal.

A Missa na Ceia do Senhor

a. O sentido

Com esta Missa, inicia-se o Tríduo Pascal. O Tríduo é composto, naturalmente, por três dias, cada um com um sentido bem definido:

Primeiro dia: Sexta-feira: Ele se entregou até a morte na Ceia e na Cruz;
Segundo dia: Sábado: Ele desceu à mansão dos mortos;
Terceiro dia: Ele ressuscitou, venceu a Morte!

Note-se que, como para os judeus, o dia começa não à meia-noite, mas ao entardecer, a Missa na Ceia do Senhor já faz parte do primeiro dia do Tríduo Sagrado: a Quinta-feira Santa à tarde e a Sexta foram como que um só dia, o primeiro.

A Missa na Ceia do Senhor deve ter um espírito de solenidade contida e sóbria. O Cristo que se entregou na cruz na Sexta-feira, quis deixar essa entrega para sempre no coração da Igreja. Por isso, ritualizou seu sacrifício na Ceia Pascal dos judeus. Na celebração dos judeus, ele celebrou a sua Páscoa. Como no Antigo Testamento, Deus ordenou que o povo ritualizasse na ceia do cordeiro pascal, dos pães ázimos e das ervas amargas, a Páscoa que o tirava para sempre do Egito, do mesmo modo, Jesus ordenou que a Igreja ritualizasse para sempre na Ceia pascal eucarística seu Sacrifício pascal.

Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer!” (Lc 22,15). Estas palavras se dirigem a cada geração de cristãos e são cumpridas cada vez que celebramos a Eucaristia, mas de modo particular, uma vez por ano, nas solenidades pascais. A Última Ceia é dramática: ao lavar, como um servo, os pés de seus discípulos (“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos” – Mc 10,45), Jesus está se comprometendo a servi-los até a morte. Do mesmo modo, ao se dar no pão e no vinho, está, de antemão, garantindo, como penhor, que, no dia seguinte, não fugirá, mas livremente vai se entregar no seu corpo (quer dizer, em toda a sua natureza humana, com seus sonhos, projetos, alegrias e tristezas) e no seu sangue (ou seja, na sua morte violenta, dada pela vida dos seus e do mundo inteiro).

A liturgia desta Missa é riquíssima. A começar pelas leituras: Ex 12,1-8.1-14, com a instituição do rito pascal dos judeus, tipo e prefiguração da páscoa cristã e do Cordeiro verdadeiro, que é Jesus imolado. O Sl 115, que é uma ação de graças pelo fiel que tem certeza que o Senhor o livrará da morte e, por isso, já louva a Deus; como Cristo que, naquela Ceia já tem certeza que o Pai não o abandonará... 1Cor 11,23-26, que é a mais antiga narrativa da Última Ceia e da instituição da Eucaristia. Jo 13,1-15, de uma solenidade de tirar o fôlego, explicando que chegou a Hora de Jesus fazer sua Páscoa, sua Passagem deste mundo para o Pai. Neste texto se narra o lava-pés. A homilia dessa Missa deve recordar três coisas: (1) o Mandamento do Amor: o novo Mandamento, mandamento do amor. No Antigo Testamento, o maior mandamento era: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração... Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12,28-34). Este Mandamento serve para os judeus, não para os cristãos! Agora, no final de sua vida, o Senhor dá aos seus discípulos um Novo Mandamento, inesperado e humanamente impossível: “Amar como eu amei!” Agora, ele mesmo é a medida e o modelo do amor a Deus e aos outros! Este é o único Mandamento do cristianismo: um amor capaz de dar-se até a cruz! Este Mandamento é simbolizado pelo rito do lava-pés. (2) O Sacramento do Amor: para que tenhamos a força de amar como Jesus, ele nos deixou a Eucaristia, alimento de vida eterna. Este é o segundo aspecto a ser recordado: o Senhor hoje instituiu a Eucaristia, sacramento vivo da sua entrega amorosa por nós e pelo mundo inteiro: unidos a ele e por ele fortificados, teremos a força de ir amando como ele. Finalmente, (3) o sacerdócio ministerial, instituído para ser presença do Cristo que preside à sua Igreja e à Eucaristia, ele que veio para servir e dar a vida. O sacerdócio instituído neste dia de entrega amorosa, não é um poder, mas um serviço aos irmãos, até dar a vida.

b. Anotações litúrgicas

(1) A cor desta Missa é o branco. A igreja deve estar discretamente ornamentada com flores, o altar coberto com uma bela toalha branca.

(2) O sacrário deve estar vazio e aberto. As hóstias devem ter sido consumidas até a quarta-feira, reservando-se algumas para a comunhão dos enfermos. Elas devem ser colocadas num lugar seguro e digno, fora da igreja. Até o Dia da Páscoa não se devem comungar as hóstias antigas!

(3) Deve-se preparar ao lado do corpo da igreja ou mesmo fora, em local bem próximo, o Altar da Reposição, isto é, um local digno e bem ornamento com flores e velas para se colocar a Reserva eucarística dessa Missa da Ceia.

(4) É muito aconselhável que, na Procissão de entrada, logo aos a cruz, entrem os Santos Óleos, consagrados na Missa do Crisma. Eles devem ficar sobre o Altar, de modo belo e discreto, ou sobre uma mesinha preparada no Presbitério.

(5) Todos os cânticos devem ser próprios para esta Missa. Usa-se incenso e Evangeliário normalmente. Ao canto do Glória, tocam-se o sino e a capainha. Depois disso, somente se pode tocar a matraca.

(6) Após a homilia, faz-se o lava-pés, com doze membros da comunidade, de preferência, mas não necessariamente, do sexo masculino. Lava-se o pé direito de cada um. Pode-se também beijar, após lavar. Para o lava-pés, o celebrante deve retirar a casula e colocar um gremial (espécie de avental) sobre a alva e a estola.

(7) Caso use a Oração Eucarística I – que é a ideal para ser usada -, o celebrante deve estar atento que há várias partes próprias para esta Missa, inclusive a narrativa da Consagração!

(8) Deve-se cuidar para que as hóstias sejam suficientes para esta Missa e para a Celebração da Sexta-feira Santa. Ao final da Comunhão, todas as hóstias consagradas devem ser colocadas numa única âmbula grande, que fica sobre o Altar, sobre o corporal, coberta com um canopeu (o véu).

(9) O Celebrante faz, então, a Oração após a comunhão. Depois, de joelhos, incensa as hóstias consagradas que estão sobre o Altar. Em seguida, coloca sobre a casula o véu umeral. Pode também retirar a casula, colocar o pluvial branco e, sobre ele, o véu umeral. Ele deve tomar a âmbula e cobri-la com o véu umeral. Nunca, em hipótese alguma, por motivo nenhum, pode-se colocar uma hóstia no ostensório e sair com ela em procissão! Não é procissão de Corpus Christi!

(10) A procissão terá a seguinte ordem: cruz e velas na frente, os acólitos, cada um com uma vela acesa, o que leva a matraca, tocando-a e, logo adiante do Santíssimo, um ou dois acólitos com o turíbulo fumegando. Depois, o padre com o Santíssimo coberto pelo véu umeral.

(11) O ideal é que o padre vá debaixo de uma umbrela (aquela pequena “sombrinha”). A procissão dirige-se solenemente para o Altar da Reposição. Se o Altar estiver dentro da igreja, o povo permanece no seu lugar, ajoelhando-se quando o Santíssimo passar. Se o altar for fora, o povo pode acompanhar calmamente. O canto para a procissão é o previsto no missal.

(12) Chegando ao Altar, o celebrante coloca a âmbula no sacrário preparado, incensa o Santíssimo, reza um pouco em silêncio, fecha-o e todos, em silêncio, voltam para a sacristia pelo caminho mais curto. Não há bênção final, não há despedida, não há nada!

(13) Em momento nenhum se deve dizer “graças e louvores...” A procissão é simples, solene e ao mesmo tempo, grave. Repito: nunca se deve usar uma custódia! Esta procissão tem um motivo prático: conservar as hóstias para a comunhão do dia seguinte.

(14) A Comunidade deve fazer uma adoração solene até meia-noite; nunca depois disso! Após a meia-noite, a adoração só pode ser individual e silenciosa. Esta adoração não tem o sentido de fazer companhia a Jesus que está em agonia! Jesus está ali morto e ressuscitado, na Eucaristia. Também não se deve chamar o Altar de Reposição de “Horto”! O sentido da adoração é a gratidão a Jesus pela Eucaristia e pela sua vida entregue pelos seus. Só isso!

(15) Terminado o rito, as todas as cruzes da igreja são retiradas ou cobertas de branco, roxo ou vermelho. Todas as flores são retiradas, os altares são totalmente descobertos e despojados e as pias de água benta são esvaziadas totalmente. A Igreja entra num solene e profundo silêncio.

(16) A partir daqui, nenhum sacramento pode ser celebrado, a não ser a Reconciliação. A comunhão somente pode ser dada aos enfermos e mais a ninguém!

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