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Geral
Seg, 29 de Dezembro de 2008 11:53

Sermão I

“Ó vós todos, que passais pelo caminho,
Olhai e vede se há dor igual à minha dor!” (Lm 1,12)

Queridos irmãos e irmãs,

Esta procissão do Encontro nos prepara para começarmos, amanhã, o santo Tríduo Pascal, que nos faz celebrar na graça de Deus o mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor.
Agora, olhemos para estas imagens, que nos recordam o Senhor Jesus e sua Mãe, Maria, a Virgem. Duas imagens, duas lições, duas emoções!
Primeiro a imagem de Cristo, daquele que por nós se fez obediente ao Pai até a morte e morte de cruz. Vede: fez-se obediente ao Pai... por nós! Olhai a cruz: aí aparece o amor de Jesus ao Pai, aí aparece o amor de Jesus por nós!
– Jesus meu, por que carregas esta pesada cruz? Por que agora tua Mãe adolorada vê-te carregando tão pesado lenho?
Eis a resposta que ele nos dá: “Levo esta cruz por amor ao Pai! Levo-a porque ninguém pode tirar-me a vida: eu a dou livremente! Este é o preceito que recebi do meu Pai querido! Levo-a para que o mundo saiba que eu amo o Pai! Olhai para mim, olhai! Eu amo o Pai e faço como o Pai me ordenou! Eu me entrego ao Pai, eu me confio ao Pai, eu coloco nas mãos do meu querido Papai e minha vida! Mas, levo-a também por vós; porque o Pai amou tanto o mundo, amou tanto a todos vós, pecadores, que me entregou à morte, a mim, seu único Filho, para que eu dê a todos a salvação e a vida! Vede minha cruz, vede minha dor, vede minhas chagas, contemplai minha queda! Eu vos amei! Não há maior prova de amor que dar a vida por quem se ama... Não vos amei só com palavras, não vos amei só com sentimentos. Não! Amei-vos no peso desse madeiro, amei-vos nas quedas dolorosas que tanto me feriram, amei-vos nas gotas rubras de sangue por mim vertidas, amei-vos nos cravos pontiagudos... Amei-vos de verdade, de modo concreto! Amei-vos até o fim, até a morte!

Eis, irmãos caríssimos, a lição que o Senhor Jesus nos dá hoje: amor total e confiante ao Pai, amor generoso e concreto, real, por nós todos! Pela cruz de Jesus, amemos assim; pelas suas santas chagas, sigamos seu exemplo; pela sua dolorosíssima Paixão, paguemos-lhe amor com amor, doação por doação, compromisso por compromisso!
Perdão, Senhor, por nosso amor tão frio! Perdão por nosso amor só de palavras! Perdão pelas infidelidades de nosso coração velhaco! Perdão por nossa preguiça espiritual, pela nossa lentidão para com o que é teu e nossa prontidão para com o que é do mundo e do pecado! Perdão, Senhor! Pecamos, Senhor! Misericórdia!

Olhemos, agora, a imagem da Virgem! “A quem te comparar? Quem se assemelha a ti, Filha de Jerusalém? Quem poderá consolar-te, Virgem, Filha de Sião? Grande como o mar é o teu desastre! Quem te curará?” (Lm 2,13).
A Mãe do Senhor é toda dor, toda tristeza! Mas, pensai, irmãos, pensai! Quanta força, nessa doce mulher, quanta dignidade, quanta fidelidade ao Senhor Deus!
- Ó Maria Virgem, o Anjo te havia prometido: “Ele será grande! O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu Pai... O seu reino não terá fim!” E agora, o que vês? O teu Filho feito trapo humano, feito farrapo de gente, abandonado, ultrajado, injustiçado, machucado de corpo e de coração! Onde está o teu Deus, Virgem Maria? Onde, as suas promessas?
E, no entanto, tu permaneces de pé, tu choras com dignidade, tu não duvidas da palavra do Senhor! Tu esperas no Senhor, esperas contra toda esperança!
- “Eis o que recordarei ao meu coração e por que eu espero: os favores do Senhor não terminaram, sua compaixões não se esgotaram; elas se renovam todas as manhãs, grande é a sua fidelidade! Eis por que eu espero! É bom esperar em silêncio a salvação do Senhor! O Senhor é bom para quem nele confia, para aquele que o busca (Lm 5,22-25). Virgem Santíssima, ensina-nos a esperar no Senhor, mesmo na dor! Ensina-nos a sofrer com a tua dignidade, com a tua esperança! Ó mulher tão elegante, mais elegante que todas! Quanta elegância, quanta altivez, quanta força, quanta dignidade, quanta beleza em ti, aos pés da cruz! Senhora nossa, és Senhora de ti mesma, antes de seres Nossa Senhora! No Altar da agonia, foste consolo para quem padecia, foste ternura naquele entardecer, foste esperança do amanhecer! Pela espada tão dolorosa que traspassa agora tua alma, roga por nós, Virgem Maria! Roga pelas mães que sofrem por seus filhos, roga pelos lares destroçados, roga pelos filhos que caem na droga e na imoralidade, roga pelos filhos sem lar, roga por todos nós, pecadores, agora e na hora da morte de cada um de nós!

Irmãos, olhemos, mais uma vez, estas imagens! Olhemo-las com os olhos do corpo; fixemo-las com os olhos da alma; guardemo-las em nós com o afeto do coração! Agora, vamos voltar para casa: voltemos fortalecidos pela entrega total de Jesus ao Pai por amor de nós; voltemos consolados pela fortaleza admirável da Virgem. E que o Senhor nos conceda uma Semana Santa vivida com piedade e devoção. E que a santa Páscoa deste ano seja para nós penhor da Páscoa eterna, com o Cristo, que é Deus bendito pelos séculos. Amém.

Sermão II

"Grande multidão de povo o seguia, como também mulheres que batiam no peito e se lamentavam por causa dele..." (Lc 23,27).

Quem são essas mulheres? São um grupo de mulheres de Jerusalém; choram por Jesus. Mas, entre elas, há uma, silenciosa, olhar fixo, rosto lívido de dor, daquelas dores que nos matam... Mas dor vivida com dignidade impressionante! Quem é ela? Quem é Aquela? É a Virgem Mãe, é Maria a Santíssima!

À Virgem, o Pai dissera, um dia, pela boca do Velho Simeão: "Este Menino, este Filho, agora homem feito, foi colocado para a queda e o erguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição! A a ti, uma espada traspassará tua alma..." (Lc 2,34s).

Ó Virgem Senhora das Dores, Mãe traspassada pela espada, Mãe toda feita dor! Tu, agora, contemplas teu Filho, o mais belo dentre os filhos dos homens, sem beleza nem formosura! Por que se encontra ele assim? Porque veio para derrubar os muros que nos separam do amor de Deus e do amor aos outros; porque veio derrubar a prepotência do coração humano, porque veio para destruir o pecado do mundo! Ei-lo, agora, ferido de morte, pelo pecado do mundo sem Deus! Ele, que veio para erguer os caídos na vida, para consolar os que já não encontravam mais uma razão para viver; ele, que veio paral ibertar e consolar...

Ei-lo, Sinal de Contradição, como um espinho no coração desse mundo prepotente, orgulhoso, sem Deus! Ei-lo rejeitado por uma humanidade que se ilude com tantas bobagens e prende o coração em tantas ilusões! eis o teu Filho, Virgem adolorada!

A ti, uma espada terrível traspassa a alma! Tu também, Mãe mais bendita que todas, tens de pagar tua parte na salvaçãodo mundo! Suporta, pois, Virgem! Suporta com ele, por nós! completa em tua carne bendita, na completa na carne da tua alma ferida, o que falta à paixão do teu Filho! Dá-nos à luz na dor, tu, que, sem dor o deste à luz! por amor do teu Filho, roga por nós, filhos teus, agora e na hora de nossa morte!

Às mulheres de Jerusalém, Jesus disse: "Não choreis por mim, o Lenho verde, cheio de vida! Chorai, antes, por vós e por vossos filhos, lenhos secos! Porque se queimaram assim o Lenho verde, o que acontecerá com o lenho seco?"

Ó Senhor Jesus, Homem de dores, desfigurado pelos nossos pecados! Ó Lenho verde, cheio de vida! Piedade das mães e dos pais de Maceió! Piedade desses lenhos secos! Piedade dos que choram por seus filhos, filhos de um mundo sem Deus! Piedade, porque seus filhos estragam a vida, ressecam o coração na falta de Deus, na falta de esperança, na droga que mata, na violência que dilacera, no sexo sem amor nem consequência, que esvazia o sentido do amor e tira a alegria de viver! Piedade desses pais, piedade desses filhos nossos, lenhos sexos num mundo sem Deus!

Hoje, não choramos por ti, Senhor dos Passos, mas por nós e por nossos pecados! Choramos pelo mundo sem graça que estamos construindo longe de ti e contra ti! Também não choramos por tua Mãe: tu a consolarás! Mas, quem nos consolará, neste mundo sem Deus? Pode haver consolo verdadeiro sem Deus?...

Pelas tuas dores, piedade de nós! Pelos teus passos dolorosos, piedade de nós! Pelas dores de tua Mãe santíssima, piedade de nós! Amém.

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Última atualização em Seg, 05 de Abril de 2010 08:42
 

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