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Perguntas do Internauta
Dom, 24 de Maio de 2009 22:07

         
 

        Nas aulas de História Geral ou do Brasil e de Filosofia, ouço alguns professores falarem a respeito do Papa: dizem que o papado surgiu no ano de aproximadamente 405 d.C e que o primeiro Papa foi Leão I. Como se explica isso? (Márcio) 

Não há nenhuma contradição entre o que a História Geral ensina e a Igreja afirma sobre sua história. O problema é o que se deve compreender com a palavra "papado". O papado no sentido religioso, como serviço do Sucessor de Pedro na Igreja é uma realidade desde São Pedro. Este foi sucedido por Lino, que foi papa de 64 a 79, mais ou menos. Depois dele veio Cleto, de 79 até 90 ou 92. Também foi martirizado. Posteriormente tivemos Clemente, que é até citado por São Paulo em Fl 4,3. Este Papa é muito importante, pois temos uma longa carta dele à Igreja de Corinto. Carta disciplinar, na qual ele exercita seu poder de chefe da Igreja. Clemente morreu mártir pelo ano 101. Convém notar que pelos anos 170-180 Santo Irineu já apresentava a lista dos Papas de Roma, de Pedro até a sua época! Então, o papado no sentido religioso existiu desde Pedro. Em outras palavras: desde o princípio a Igreja de Roma e seus Bispos foram considerados como herdeiros da Tradição apostólica de Pedro e de Paulo e, por isso, os Bispos de Roma (papas) eram vistos por todos os cristãos como sucessores de Pedro.

Agora, se se compreender o Papado como realidade político-sociológica, na qual o Bispo de Roma tem um poder centralizador-burocrático sobre toda a Igreja e tem autoridade sobre a sociedade civil, então é necessário afirmar que esta característica do papado surgiu com o declínio do Império Romano, quando a Igrejas teve que assumir a ordem civil para evitar o caos total da sociedade de então, que sofria com as invasões bárbaras. Este processo começa, em cert o sentido com o Papa são Leão I Magno, que conseguiu frear Átila, rei dos hunos, às portas de Roma.

É necessário compreender que o Papado como ministério do sucessor de Pedro que, enquanto bispo de Roma é chefe de toda a Igreja, é algo querido por Cristo e sempre existiu e existirá na Igreja. Já o modo de exercer concretamente o papado, muda de acordo com as situações históricas. E isto é mais que natural numa instituição de 2000 anos, profundamente arraigada na cultura e na história do Ocidente. Por exemplo: o papado pode ser mais ou menos pomposo, mais ou menos político, mais ou menos centralizador, mais ou menos burocrático... Além do mais, a Igreja foi cada vez mais aprofundando sua reflexão sobre o sentido e o papel do papado. Por exemplo: somente no século XIX foi proclamado o dogma da infalibilidade do Papa e de seu poder disciplinar sobre toda a Igreja. Isto não quer dizer que antes o Papa não tivesse esse poder e esta infalibilidade. Por exemplo; já no século XIV, Bento XII definiu de modo infalível, como dogma de fé que imediatamente após a morte, os justos verão a Deus, sem esperar pelo juízo final.

Então, não há nenhuma contradição aqui entre o que ensinam os livros de história e a história da Igreja. O problema é que, ou os livros são muito superficiais e não esclarecem isso (nem têm interesse em esclarecer porque não se interessam por problemas teológicos) ou os professores são muito limitados, coitados, para fazerem uma abordagem mais profunda e inteligente, que respeite e apresente honestamente as devidas distinções.

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