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O Sacramento da Ordem - V PDF Imprimir E-mail
Ordem
Seg, 29 de Dezembro de 2008 16:26

Pe. Henrique Soares da Costa

No artigo passado vimos em que sentido o sacramento da Ordem confere um modo especial de participar do único sacerdócio de Cristo. Veremos, agora como é celebrado este sacramento, quais são seus efeitos, quem pode recebê-lo e quem pode conferi-lo.

A celebração do sacramento

Já que os ministros sagrados são para o serviço da Igreja local (a diocese), a ordenação deverá ser preferencialmente na catedral, que é a igreja mãe da diocese, a igreja do bispo. O sacramento é sempre conferido dentro da celebração da missa, ao fim da liturgia da palavra e antes da liturgia eucarística. O rito essencial para a ordenação é a imposição das mãos sobre o eleito e a oração consacratória, pedindo o dom do Espírito Santo, que vai configurar o que será ordenado ao Cristo cabeça e esposo da Igreja. Primeiramente o eleito é apresentado ao Bispo ordenante que, depois de se certificar da aprovação do povo, expressa por um aplauso, e depois da homilia, faz algumas perguntas ao eleito, para certificar-se de seus propósitos ao receber este sacramento de serviço ao povo de Deus. Depois, com o eleito prostrado por terra, a Igreja canta a ladainha, pedindo aos santos dos céus que intercedam pelo que será ordenado. Ao terminar a ladainha, vem a ordenação propriamente dita: a imposição das mãos e a oração pedindo que o Pai derrame sobre o eleito o Espírito Santo do Cristo Jesus. Na ordenação episcopal todos os bispos presente impõem as mãos sobre o eleito; na ordenação sacerdotal, o bispo e todos os padres presentes impõem as mãos; na ordenação do diácono somente o bispo impõe as mãos. Depois disso, vem um gesto muito belo: a unção, símbolo da ação do Espírito. Na ordenação episcopal, é ungida a cabeça do novo bispo e na ordenação presbiteral são ungidas as mãos do novo padre. Na ordenação diaconal não há unção. Após a unção, aquele que foi ordenado é revestido com as vestes próprias de seu ministério: o bispo recebe a mitra, o anel e o báculo, símbolos de seu ofício de pastor e de seu compromisso com a Igreja diocesana que ele vai assumir; o padre é revestido com a estola em torno do pescoço e com a casula e o diácono recebe a estola a tiracolo e a dalmática. O sacerdote recebe ainda a patena com o pão e o cálice com o vinho; o diácono recebe o livro dos evangelhos, que ele deverá proclamar.

O ministro do sacramento da Ordem

Já que o sacramento da Ordem é sacramento do ministério apostólico, compete aos bispos validamente ordenados (isto é, os que estão na verdadeira sucessão apostólica) e somente a eles ordenar. No caso da ordenação episcopal são necessários pelo menos três bispos, significando que o novo bispo é acolhido no seio do Colégio episcopal que tem como cabeça o Papa, Bispo de Roma.

Quem pode ser ordenado

Segundo a fé da Igreja, pode receber validamente o sacramento da Ordem, somente os batizados do sexo masculino. Como o Senhor escolheu somente homens para o grupo dos Doze e os Apóstolos escolheram somente homens para suceder-lhes, a Igreja se reconhece vinculada a esta escolha do Senhor e dos Apóstolos, de modo que, segundo a fé católica, não é possível a ordenação de mulheres. Apesar da polêmica muitas vezes surgida em torno do tema, o magistério da Igreja é claro. Na Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis, o Papa João Paulo II ensina com autoridade apostólica: “Embora a doutrina sobre a ordenação sacerdotal que deve reservar-se somente aos homens se mantenha na Tradição constante e universal da Igreja e seja firmemente ensinada pelo Magistério nos documentos mais recentes, todavia atualmente em diversos lados continua-se a considerá-la como discutível, ou então atribui-se um valor meramente disciplinar à decisão da Igreja de não admitir as mulheres à ordenação sacerdotal. Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”. Então, segundo a fé católica, a ordenação sacerdotal de mulheres não é possível por vontade do próprio Senhor, de modo que a Igreja não tem autoridade para modificar isso. A Igreja no Ocidente (não no Oriente) exige o celibato dos candidatos ao sacerdócio e, conseqüentemente, ao episcopado. No entanto, o celibato sacerdotal é uma realidade apenas disciplinar. Certamente tem um belo sentido teológico o padre solteiro por amor do Reino dos Céus, mas a Igreja pode, no futuro, permitir o celibato facultativo. No Oriente, homens casados podem receber o sacramento da Ordem nos graus de diácono e padres. No entanto, depois de ordenados, não podem mais receber o sacramento do matrimônio. Quanto aos bispos, são sempre escolhidos entre padres solteiros.

Os efeitos do sacramento

Quem recebe o sacramento da Ordem é, pela potência do Espírito Santo, configurado a Cristo cabeça e esposo da Igreja, que habilita para sempre o que foi ordenado, através de uma marca indelével (o caráter), para agir representando o Cristo Senhor. Assim, como o Batismo e a Confirmação, o sacramento da Ordem não pode ser repetido. Mesmo que alguém seja dispensado do ministério, continuará sempre diácono, padre ou bispo, ainda que não exerça seu ofício. Isso porque o chamado e os dons de Deus são irrevogáveis!

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