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| O Sacramento da Ordem - III |
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| Ordem |
| Seg, 29 de Dezembro de 2008 16:30 |
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Pe. Henrique Soares da Costa Continuemos nossa apresentação do sacramento da Ordem. Já vimos, nos artigos passados, que Cristo é o verdadeiro e único pastor de Israel. Somente ele pode dizer com toda a propriedade: “Eu sou o bom Pastor!” Os pastores de Israel eram os reis, os sacerdotes e os profetas; pois bem, Cristo é o verdadeiro Rei (reina para sempre, ressuscitado dentre os mortos e sentado à direita do Pai), o verdadeiro Sacerdote (pois ofereceu o sacrifício perfeito e santíssimo: ofereceu-se a si mesmo no altar da cruz uma vez por todas) e o verdadeiro Profeta (pois não somente é um mensageiro, mas é a própria Palavra que se fez carne e habitou entre nós. Ele é o perfeito e definitivo revelador do Pai). Vimos também que o Cristo, Pastor da Igreja, deu aos Apóstolos e seus sucessores a participação no seu pastoreio, de modo que, no seio do Povo de Deus, temos aqueles ministérios ordenados (episcopado, presbiterato e diaconato) que exercem em nome do Cristo as funções de mestre, de guia (função real) e de sacerdotes. No presente artigo detenhamo-nos um pouco mais nos diversos graus da Ordem. Vamos seguir de perto o Catecismo da Igreja Católica, começando com o Episcopado: “Para cumprir sua missão, os apóstolos foram enriquecidos por Cristo com uma especial efusão do Espírito Santo, que desceu sobre eles, e eles mesmos, com a imposição das mãos, transmitiram esse dom do Espírito aos seus colaboradores, dom que foi transmitido até nós pela consagração episcopal” (n. 1556). A primeira coisa importante a se compreender é que a ordenação, como todos os outros sacramentos, dão-se na potência do Espírito do Ressuscitado. A Igreja, no sacramento, suplica ao Pai que derrame sobre o que vai ser ordenado o Espírito do Cristo, Pastor e Cabeça da Igreja. Assim, o Espírito configura o que foi ordenado ao Cristo sempre presente no meio de sua Igreja, santificando-a, ensinando-a e pastoreando-a. Assim, aquele que recebe o sacramento da Ordem é configurado a Cristo, de modo a poder agir na pessoa de Cristo Cabeça da Igreja. Aquele que é ordenado Bispo recebe a plenitude do sacramento da Ordem, de modo que, na força do Espírito Santo do Cristo, ele representa (= torna presente) o Cristo, Cabeça da Igreja, na suas funções de mestre, sacerdote e rei (= pastor). A ordenação imprime caráter naquele que a recebe, isto é, configura para sempre a Cristo. Ordenado, o novo Bispo liga-se à sua Igreja local, (= à sua diocese), da qual é esposo, como Cristo, esposo da Igreja, e, ao mesmo tempo, passa a fazer parte do Colégio Episcopal, que sucede ao Colégio Apostólico. Cada Bispo, como membro do Colégio Episcopal (dos bispos espalhados por toda a terra), aquele que é ordenado, está em comunhão de fé e de caridade com o Bispo de Roma, o Papa. Esta comunhão é hierárquica: cada Bispo sabe que o Papa, bispo de Roma, tem autoridade sobre todas as Igrejas (= todas as dioceses). Para significar bem esta entrada do novo Bispo no Colégio Episcopal, espalhado por toda a terra é que, segundo antiqüíssima tradição da Igreja, todo bispo deve ser ordenado por mais de um outro bispo, mostrando, deste modo, que é o Colégio Episcopal que acolhe o seu novo membro. Quanto aos Presbíteros, são cooperadores da Ordem dos Bispos: “(Eles) participam da autoridade com a qual o próprio Cristo faz crescer, santifica e governa o próprio Corpo de Cristo” (Catecismo, n. 1564). Estes presbíteros, mesmo não possuindo a plenitude do sacramento, são de tal modo unidos ao ministério do Bispo, que são, como ele e com ele, verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento: “Os presbíteros, sábios colaboradores da ordem episcopal... a serviço do Povo de Deus, constituem com o seu Bispo um só presbitério” (Catecismo, 1567). Eis aqui um dado importantíssimo: cada presbítero, pela Ordenação sacerdotal, passa a fazer parte do Presbitério, isto é, aquele colégio dos padres que, juntamente com o Bispo tem a responsabilidade pela Igreja diocesana. O Bispo não é isolado nem autocrático no pastoreio da sua diocese: ele está sempre acompanhado do Presbitério. Do mesmo modo, nenhum presbítero pode exercer seu ministério isoladamente: ele é sempre membro do Presbitério e age em comunhão com o Bispo e em nome dele e como membro do mesmo Presbitério. Quanto aos diáconos, já explicamos, que não são ordenados para o sacerdócio, mas para o serviço. Isso aparece claro em algumas tradições da liturgia: ele não preside à Eucaristia, não administra os sacramentos da Penitência, nem da Unção, na hora da consagração, na Missa, o diácono permanece de joelhos, indicando que ele não consagra juntamente com o presbítero e, no momento da comunhão, ele a recebe das mãos do Bispo ou do presbítero, no caso deste último presidir à Eucaristia. A mística do diácono, seu ideal, é ser, a exemplo de Cristo, servo de todos. Compete-lhes, entre outras coisas, assistir o Bispo e os presbíteros nas celebrações litúrgicas, sobretudo na Eucaristia. Cabe-lhes ainda distribuir a comunhão, assistir e abençoar os matrimônios, proclamar o Evangelho e pregar, presidir aos funerais e dedicar-se aos vários serviços da comunidade, sobretudo o serviço da caridade. Uma coisa deve ser deixada clara: o sacramento da Ordem é sacramento para o serviço. Nunca o ministro sagrado deve vivenciar sua missão como uma honra ou uma glória. É totalmente vergonhoso e aberrante usar o ministério em proveito próprio ou como forma de carreirismo. O ministro sagrado deve estar no meio do povo de Deus como Cristo, aquele que veio para servir. Continuaremos ainda, no próximo artigo. Artigos Relacionados: |
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