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| O Sacramento da Ordem - II |
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| Ordem |
| Seg, 29 de Dezembro de 2008 16:31 |
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Pe. Henrique Soares da Costa Vimos, no artigo passado, que Cristo é o verdadeiro e único pastor de Israel. Somente ele pode dizer com toda a propriedade: “Eu sou o bom Pastor!” Os pastores de Israel eram os reis, os sacerdotes e os profetas; pois bem, Cristo é o verdadeiro Rei (reina para sempre, ressuscitado dentre os mortos e sentado à direita do Pai), o verdadeiro Sacerdote (pois ofereceu o sacrifício perfeito e santíssimo: ofereceu-se a si mesmo no altar da cruz uma vez por todas) e o verdadeiro Profeta (pois não somente é um mensageiro, mas é a própria Palavra que se fez carne e habitou entre nós. Ele é o perfeito e definitivo revelador do Pai). Agora, vamos continuar. Todos nós sabemos que o Senhor Jesus desejou a Igreja, pensou nela, preparou-a enquanto viveu nesta terra e, após a sua ressurreição, deu-lhe o Espírito Santo, fundando-a efetivamente sobre a terra. Ora, Jesus nunca pensou a Igreja como um grupo de pessoas no qual cada um fazia o que bem entendia e acreditava no que quisesse crer. Não! Primeiramente ele escolheu Doze (o número dos patriarcas de Israel), deixando claro que sua Igreja seria um novo povo, povo único, povo unido (cf. Mc 3,13s; Mt 10,1-4; Jo 11,52). A esses Doze o Cristo constituiu pastores de sua Igreja, tendo Pedro por chefe do grupo. Assim, ele, o único Pastor, o bom Pastor, quis que os apóstolos fossem presença sua no meio do rebanho: “Simão, filho de João, tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,15s). Assim, Jesus compara seus apóstolos a pescadores (cf. Mt 4,19) e o Novo Testamento afirma que eles são embaixadores de Cristo (cf. 2Cor 5,20). Pois bem, os apóstolos, fazendo as vezes de Cristo na Comunidade, foram constituídos como representantes do Cristo pastor do seu rebanho, Cristo que é sacerdote profeta e rei. Em outras palavras: após a ressurreição do Senhor, os apóstolos exerciam a função pastoral do Senhor Jesus, sendo em Cristo sacerdotes (ou seja, em nome de Cristo presidiam à celebração dos sacramentos e às orações da Comunidade), profetas (eram eles os pregadores do Evangelho, aqueles que ensinavam na Igreja) e reis (isto é, são encarregados de servir à Comunidade como guias, tendo a autoridade de presidir aos destinos do rebanho). Muitíssimos textos da escritura indicam direta ou indiretamente os apóstolos exercendo essas funções. Por exemplo: nas epístolas, vemos claramente os apóstolos exercendo sua função de profetas (doutores em nome de Cristo, mestres da verdade do Evangelho), em At 20,7ss vemos Paulo pregando durante uma celebração eucarística e nos evangelhos Jesus manda claramente que os Doze celebrem a Eucaristia em memória dele – é o exercício da função sacerdotal dos pastores da Igreja; finalmente, como exemplo, At 15 mostra como no Concílio de Jerusalém, os apóstolos, com autoridade, dirigem os destinos da Comunidade, exercendo o serviço de guiar o rebanho, exercício da função real de Cristo. Mas, não é somente isso: esses mesmos apóstolos foram escolhendo auxiliares que os foram sucedendo no ofício apostólico; trata-se de varões apostólicos como Tito, Timóteo, Silas, Clemente, João Marcos, Lucas, Barnabé, etc. É assim, portanto, que vamos encontrando na Sagrada Escritura o sacramento da Ordem: pela imposição das mãos, eram constituídos no ministério de sucessores dos apóstolos, fazendo as vezes do Cristo pastor da Igreja! Que fique bem claro: a missão dos pastores da Igreja não é somente uma missão sacerdotal. Trata-se, ao invés, de uma missão pastoral (= tornar presente o ministério de Cristo-pastor), com as funções sacerdotal, profética e real! Vejamos, agora, de modo mais sistemático o que diz a fé católica e apostólica sobre esse sacramento. Primeiramente, um dado importante: ele possui três graus! O Catecismo ensina assim: “O ministério eclesiástico de instituição divina é exercitado em diversas ordens por aqueles que desde a Antigüidade são chamados epíscopos, presbíteros e diáconos” (n. 1554). O primeiro grau é o episcopado. A palavra epíscopo, em grego, quer dizer “supervisor”. Trata-se do grau mais importante, grau primordial, do qual procedem os outros dois: “Entre os vários ministérios que desde os primeiros tempos são exercitados na Igreja, segundo o testemunho da Tradição, ocupa o primeiro lugar o ofício daqueles que, contituídos no episcopado, pela sucessão que remota às origens, possuem a herança da raiz apostólica” (Catecismo, n. 1555). O Bispo, na sua Igreja particular, isto é, na sua diocese, é verdadeiro vigário (representante) de Cristo e sucessor dos apóstolos; ele tem a plenitude do sacramento da Ordem. Na Igreja ele exerce em plenitude neste mundo o pastoreio de Cristo como sacerdote (é ele o primeiro presidente da Eucaristia e dos demais sacramentos, ele é quem disciplina a prática sacramental de sua Igreja, ele é quem envia os presbíteros como seus colaboradores, ele é o primeiro responsável pela oração da Igreja), como profeta (é o Bispo o primeiro responsável pela pregação do Evangelho e pela conservação da integridade da fé católica e apostólica, é ele o primeiro evangelizador. Daí na igreja mãe da diocese estar a cadeira, a cátedra do Bispo, que indica que ele é mestre do Evangelho. Da cátedra vem o nome “catedral” – a Igreja na qual está a cadeira episcopal!), como rei, isto é como ministro do Cristo pastor (é o Bispo o guia principal da Igreja, a autoridade maior. Em nome de Cristo ele dirige e apascenta o rebanho e nada deve ser feito contra a sua vontade. Cabe a ele discernir e coordenar os diversos ministérios e as diversas atividades diocesanas). Por tudo isso, o episcopado é o primeiro grau da Ordem, a fonte de todos os outros graus! O segundo grau é o presbiterato. Em grego, presbítero significa “ancião”. Os presbíteros são conhecidos popularmente como “padres”, que significa “pai”. Eles são ordenados pelo Bispo para auxiliá-lo no pastoreio da Diocese. Participam das funções sacerdotal, profética e real do Bispo, sempre em comunhão com ele e na dependência dele e em comunhão com os outros presbíteros. Assim, a Igreja diocesana é pastorada pelo Bispo com seu presbitério. Nunca o Bispo sozinho; nunca os presbíteros sem o Bispo! Em geral os presbíteros exercem suas funções numa paróquia, mas podem trabalhar em outras atividades, de acordo com o parecer do Bispo. O terceiro grau é o diaconato. Em grego, diácono significa “servidor”. Os diáconos são auxiliares do Bispo e, por determinação deste, auxiliam aos presbíteros. Neste terceiro grau há uma coisa importante: os diáconos não têm a função sacerdotal... por isso mesmo não podem presidir à Eucaristia, nem administrar a Confirmação ou a Penitência nem a Unção dos Enfermos. É um ministério mais voltado para o serviço da pregação e da caridade fraterna. Então, enquanto no sacramento da Ordem há três graus, somente dois deles, o primeiro e o segundo, são sacerdotais! Bom, por enquanto basta! Continuaremos no próximo artigo! Artigos Relacionados: |
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