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| Palavras proféticas: incômodas hoje como ontem |
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| Variedade |
| Sex, 12 de Março de 2010 09:44 |
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Caro Leitor, lembra do Cardeal Giacomo Biffi? Foi ele quem pregou para o Papa e a Cúria romana neste ano de 2007. É um homem lúcido, de palavras de fogo, daquelas que incomodam! Aqui vão algumas idéias suas: “Ai de mim se não evangelizasse!” Ao invés, eis a insistente retórica do diálogo, diluindo a eliminando este mandamento, com a idéia de que aos muçulmanos e judeus não se deva anunciar Jesus Cristo por temor de ser acusados de proselitismo. A realidade é que está em andamento uma violenta e sistemática agressão ao fato cristão. E, no entanto, a cristandade não se dá conta disso... Como que cansados de testemunhar o Crucificado, os discípulos de Jesus se limitam a falar de paz, de solidariedade, de amor pelos animais, de defesa da natureza, etc. Assim, o diálogo com os distantes faz-se menos difícil; e a nossa possibilidade de ser escutados nos salões mundanos se torna fácil e sem problemas. Como se Jesus não tivesse jamais declarado: “Eu não vim trazer a paz, mas uma espada...” No nosso mundo a ortodoxia aparece o mais das vezes sob ataque. É sintomático que a Congregação para a Doutrina da Fé tenha julgado dever intervir com a declaração Dominus Iesus sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja. O fato é de uma gravidade sem precedentes: em dois mil anos jamais se havia sentido a necessidade de recordar e defender verdades tão elementares. Penso que a Europa ou tornar-se-á novamente cristã ou tornar-se-á muçulmana. O que me parece sem futuro é a cultura do nada, da liberdade sem limites e sem conteúdos, do ceticismo glorificado como conquista intelectual, que parece ser a atitude dominante nos povos europeus, mais ou menos todos ricos de meios e pobres de verdade. Esta cultura do nada (sustentada pelo hedonismo e pela insaciabilidade libertária) não estará à altura de suportar o assalto ideológico do Islã que não faltará. Somente a redescoberta do evento cristão como única salvação para o homem – e, portanto, só uma decidida ressurreição da antiga alma da Europa – poderá oferecer um êxito diferente a este inevitável confronto. O diálogo interreligioso deverá sempre enfrentar uma certeza fundamental e irrenunciável: que o evento salvífico – nos dois fatos constitutivos da encarnação do Verbo e da ressurreição de Jesus – não só está na origem do cristianismo, mas representa de modo perene e definitivo o seu sentido e o seu coração. Sendo fatos e não doutrinas, estes não são negociáveis: ou se os acolhem ou se os refutam! São culturalmente lecerantes: o crente não pode, permancendo honesto intelectualmente, nem atenuá-los nem colocá-los entre parênteses. Artigos Relacionados: |
| Última atualização em Qua, 24 de Março de 2010 08:04 |
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