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Graças e louvores à Tocha

December 28, 2008

Na semana passada, a revista Veja veiculou dura matéria contra as denominações cristãs, em geral e contra a Igreja católica, em particular. Numa coluna, assinada por um tal de André Petry, acusava-se a Igreja de estupidez em nome de Deus por ser contra a experiência com células-tronco de embriões humanos. O autor e a revista querem que os senadores digam que é lícito e moral matar embriões para salvar outras vidas humanas. Vejamos como votarão nossos senadores! A Igreja foi injusta e covardemente acusada pela Veja de obscurantismo contra uma “ideologia da razão e do progresso”. No número seguinte da revista, um leitor, em carta elogiosa ao artigo moralmente medíocre do André Petry, afirmava que religião somente serve para difundir o ódio e o atraso. A questão é que o mundo deseja tomar decisões sem levar em conta alguns critérios morais indispensáveis para uma existência realmente humana; querem que se acredite que a ciência é o critério último do certo e do errado: o que a ciência e a técnica puderem criar, é permitido e é moral! A ciência é o critério da verdade...
Na revista Isto É desta semana, apareceu uma entrevista com o teólogo rebelde Hans Küng, metendo a ripa no Papa e na Igreja, porque não aceitam o pensamento dominante do mundo atual, sobretudo no campo da moral, sobretudo da moral sexual... Segundo o teólogo, a Igreja não tem nada a dizer aos jovens nem aos casais, nem a ninguém... A Igreja deve ficar caladinha... O critério do certo e do errado é simplesmente o desejo de cada um, a vontade de cada um, a cabeça de cada um... Cada um é o critério da verdade...
Eis os tempos em que vivemos. É preciso que os cristãos tomem consciência: o mundo não aceita a religião, não a respeita nem a leva a sério; apenas a tolera, desde que ela não tenha nada de concreto a dizer, desde que ela não se meta com a vida de ninguém, não queira influir no comportamento das pessoas, na vida da sociedade e nos destinos da humanidade. Religião sim, mas relegada ao opinável, ao privado, à sacristia. O mundo deve ser deixado à “ideologia do progresso e da razão”, deve ser deixado aos gurus das ciências e da economia. A religião deve ficar reduzida a um fenômeno folclórico, apenas tolerável por compaixão antropológica. Religião é como time de futebol: é somente questão de gosto, sentimento e paixão, não questão de verdade, de compromisso e salvação...
Nesta semana, a tocha olímpica visitou o Brasil. Que visita honrosa! Que apoteose! Que evento comovente! Certamente, ficará marcado na história tão grande acontecimento! Os astros do esporte nacional e as glórias do meio artístico brasileiro desfilaram com a tocha na mão. E o povo aplaudiu, comoveu-se, irmanou-se! A tocha, que percorre continentes e une corações, irmanando os povos! A tocha, que chega, triunfante, num super-avião que, humildemente, a conduz! As autoridades, que, devotamente, recebem nos aeroportos das cidades eleitas tão glorioso fogo! E as cerimônias para a tocha! E os ritos diante dela desenvolvidos, com cuidado, contrição e piedade religiosos...
Meu Deus, que mundo! A religião e, em última análise, Deus, viraram um acessório, um periférico, reduzido ao campo do opinável, do privado, do sem importância. (Não faz muito, o Jornal Nacional dizia que Pentecostes “é a festa católica da subida do Espírito Santo ao céu”...) Já o esporte e a tocha olímpica, quanta glória, quanta seriedade! Esporte é vida, esporte confraterniza os povos, esporte é saúde, é caminho para a felicidade... esporte é a salvação da humanidade!
Aonde vamos com tais subversões de valores? Aonde levará a humanidade tal idolatria oca, que absolutiza o que é relativo e sem importância e relativiza o que é essencial? O que esperar de um mundo assim? O Pelé chorou, emocionado, por carregar a tocha... Chorem os cristãos, comovidos e condoídos, pela leviandade do mundo que se comove com bobagens e dá importância ao absolutamente relativo. Não se trata de ser do contra, não se trata de ser fechado às legítimas alegrias do mundo e da sociedade, mas de ser crítico em relação ao consenso da tolice e da superficialidade, que toma conta da nossa sociedade ocidental, de um modo geral, e da sociedade brasileira, de um modo particular.
O mundo está paganizado, e este processo é sem volta. O Brasil nunca mais será cristão nem católico. Os que crêem são uma minoria. Resta-nos a missão que sempre foi a nossa, confiada pelo Senhor à sua Igreja: ser uma comunidade fiel, entusiasmada pelo Senhor, nele colocando sua esperança e o sentido de sua existência; uma comunidade ao mesmo tempo aberta e crítica em relação ao mundo. Quanto mais cedo os cristãos tomarem consciência disso, melhor. É ilusão pensar a sociedade como cristã e querer que ela compreenda o Evangelho e viva os seus valores. Pensar isso, além de ingenuidade, é um triste esquecimento do mistério da cruz, no qual ficou patente para sempre que o mundo nos odeia, porque odiou também o Senhor. São Paulo nos advertia que o homem carnal e o homem psíquico não podem compreender as coisas de Deus, mas somente o homem espiritual, isto é, aquele que é conduzido pelo Espírito do Cristo morto e ressuscitado.
Os cristãos somente serão sal e luz quando se conscientizarem disso e, sendo abertos ao diálogo com o mundo, deixarem, no entanto, de paparicá-lo e de aplaudirem suas vulgaridades. Não tenhamos medo de ser diferentes, de ser coerentes com nossa fé, de vivermos com radicalidade nossa adesão ao Cristo Jesus. A ele – e só a ele! - graças e louvores. O mundo, que continue dando graças e louvores à Tocha olímpica, esse pequeno artefato para fins idolátricos.

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