Please reload

Posts Recentes

Is 53,10-11

Sl 32

Hb 4,14-16

Mc 10,35-45

Comecemos observando o Evangelho.

Notemos como os dois irmãos, Tiago e João, se dirigem a Jesus: “Queremos que faç...

Homilia para o XXIX Domingo Comum - Ano B

October 23, 2018

1/2
Please reload

Posts Em Destaque

Pensamentos sobre o Ano Litúrgico

December 28, 2008

Caro Internauta, estamos iniciando um novo Ano Litúrgico. Que é essa coisa de Ano Litúrgico? É o tempo no qual se celebra os mistérios de Cristo. Deixe-me explicar, pois hoje estou com vontade de fazê-lo...

O nosso Deus não é uma idéia metafísica, uma energia-de-não-sei-o-quê... O nosso Deus é aquele que criou tudo e revelou-se ao Povo de Israel: chamou Abraão, fez Moisés tirar Israel do Egito e lhe deu a Tora, educou seu povo pelos profetas e o tempo todo e em tudo foi prometendo e preparando a vinda do Messias, seu Filho e nosso santíssimo Salvador.

Pois bem, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, cumprindo tudo quanto prometera e, no Espírito do Filho morto e ressuscitado infundiu no coração do fiéis e no coração do mundo sua Vida divina e sua salvação, que se concretiza desde agora na Igreja.

Então, compreendamos: toda a história da salvação caminhava para o Cristo e se condensa, se resume em Cristo: nele tudo se cumpriu, nele tudo chegou à plenitude, ele é a Testemunha das promessas de Deus, é o Amém de Deus para sempre.

Ora, tudo isto nós celebramos na sagrada liturgia: os gestos, as palavras, os símbolos litúrgicos não podem ser inventados, não podem ser criados pelo celebrante ou pela comunidade (isto não é liturgia nem é rito: é showzinho, é coreografia é água choca que estraga o vinho bom e saboroso do rito litúrgico). Em cada gesto, símbolo e palavra da liturgia é o próprio Cristo, Sacerdote eterno, que exerce no meio de sua Igreja a obra da salvação. Como isto é possível realmente? É que os gestos litúrgicos são cheios da potência do Espírito do Morto-e-Ressuscitado, que torna presente suas ações salvíficas. Na liturgia nós realmente somos salvos, na liturgia nós realmente participamos das coisas do céu, na liturgia nós recebemos a vida divina, na liturgia nós participamos do culto que os seres celestes já prestam ao Deus uno e trino, na liturgia nós recebemos aquilo que não podemos produzir: a graça da salvação que Cristo – e só ele – nos mereceu!

Ora, todo este mistério de salvação é celebrado no correr do tempo, pois Deus se revelou e nos salvou entrando no tempo: criou, chamou Israel e, na plenitude dos tempos, enviou o seu Filho que santificou todos os tempos e já nos introduziu no tempo definitivo, pois encheu o nosso tempo com o seu Espírito Santo, penhor da eternidade que supera os tempos deste mundo.

No Ano Litúrgico a Igreja celebra sempre e em todo lugar a mesma coisa: o Cristo morto e ressuscitado que nos salvou. Em cada sacrifício da Missa (nunca esqueça que a Missa é um sacrifício, o sacrifício de Cristo em forma de banquete) o próprio Cordeiro imolado e ressuscitado coloca-se nas mãos de sua Esposa, a Igreja, para que ela o ofereça ao Pai num Espírito eterno. Assim, nós prestamos ao Pai, pelo Filho no Espírito o culto perfeito, santo, completo e totalmente eficaz para a nossa salvação, porque é o culto do próprio Cristo, Sumo e eterno Sacerdote.

Mas, como nós vivemos no tempo e tempo é seqüência, é duração, este Mistério salvífico de Cristo é celebrado na Liturgia de modo extenso, como se eu pegasse um papel dobradinho feito sanfona e o fosse desdobrando, esticando. Assim é na Liturgia: na Páscoa de Cristo toda a história da salvação está presente, está concentrada – e a Missa é a celebração da Páscoa do Senhor; no entanto, durante o Ano Litúrgico vamos desdobrando este mistério pascal em toda a sua riqueza: o Tempo do Advento, que nos faz celebrar a espera da Israel e da humanidade pela Salvação que enche a vida de sentido e nos livra da morte; o Tempo do Natal, que nos coloca no próprio coração da Encarnação do Verbo e nos dá verdadeiramente a graça da sua Vinda; o Tempo da Quaresma, que nos faz entrar na experiência de Israel no deserto e nos purifica realmente para celebrar a santa Páscoa; o Tempo Pascal, que nos dá a graça de mergulhar com toda a intensidade e verdade na oferta que Cristo fez de si, na sua gloriosa vitória sobre a morte e no dom do Espírito que ele concedeu à sua Igreja e se faz presente nos santos sacramentos; o Tempo Comum, que no coloca o nosso dia-a-dia no coração do Sacrifício de Cristo e coloca o Sacrifico pascal de Cristo no nosso dia-a-dia, enchendo nossos tempos pequenos com a eternidade de Cristo.

Além disso, durante o Ano Litúrgico, celebramos as solenidades, festas e memórias dos Santos – a começar pela Toda Santa Sempre Virgem Maria -, que são imagens vivas da glória de Cristo, que é admirável nos seus Santos e neles mostrou todo o poder da sua vitória pascal sobre o Diabo e sobre o pecado.

Eis, portanto! Hoje começamos mais um Ano Litúrgico: Deus coloca a sua luz nas nossas trevas, a sua graça nas nossas misérias, a sua vida nas nossas mortes. Vivamos intensamente este tempo santo – todo Ano Litúrgico é tempo de salvação. Não participemos das santas celebrações com um coração preso às coisas do mundo, não participemos dispersos e desatentos, sem unção e sem devoção. Cansados ou restaurados, serenos ou agitados, tristes ou alegres, fervorosos ou frios, participemos sempre com fé, com sereno e profundo respeito das celebrações litúrgicas, como Moisés, que tirou as sandálias dos pés pela santidade do lugar da sarça. Nunca brinquemos com a liturgia, nunca tenhamos uma atitude de quem está na nossa casa (a igreja não é nossa casa; é Casa de Deus e ali somos hóspedes feitos filhos). Se assim procedermos, iremos aprendendo a saborear os sagrados ritos e nossa existência neste mundo será inundada pela presença de Deus. Que assim seja. Amém!

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Siga
Please reload

Procurar por tags