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Temas de Liturgia – IV

December 28, 2008

Neste tópico da série sobre liturgia, gostaria de abordar o sentido da Missa e suas implicações na celebração litúrgica.

Nunca devemos esquecer que a Celebração eucarística é um sacrifício: o Santo Sacrifício da Missa, isto é, o sacrifício único e irrepetível do Cristo Jesus, oferecido uma vez por todas sobre a cruz no Calvário e tornado presente sempre de novo nos nossos altares graças à ação potente do Espírito Santo. Em cada missa o Cristo torna realmente presente sobre nossos altares sua oblação, sua oferta, feita pela Igreja, por toda a humanidade e pela inteira criação. Nas espécies consagradas, Corpo e Sangue do Senhor, é o Cristo, Cordeiro de Deus, imolado e glorificado ao mesmo tempo, que se nos entrega para que nós façamos nossa a sua santa oferenda ao Pai. No entanto, este sacrifício, Jesus no-lo entregou na forma ritual de uma ceia, uma ceia sacrifical, um convívio. Ora, estes dois aspectos, sacrifício e banquete, têm que estar sempre presentes na Celebração eucarística.

Dizer que a Missa é sacrifício é dizer que nela estamos diante do Deus Santo, a quem oferecemos num Espírito eterno, a imolação gloriosa do Filho Jesus. Por isso os termos são sacrificais: altar, hóstia (= vítima expiatória, em latim), sacerdote, oblação, corpo, sangue, cordeiro, oferenda, oferta, etc. São todos termos sacrificais. O sacrifício da Missa é o sacrifício perfeito oferecido em toda parte, que o profeta Malaquias havia anunciado (cf. Ml 1,11). Aqui temos a dimensão vertical da Celebração. A Missa não é celebrada para o Povo de Deus, ela é celebrada para Deus mesmo (por isso, antes da reforma do Vaticano II, o sacerdote estava sempre voltado para o Altar. Não era de costas para o povo, como se diz, mas com o povo, voltado para Deus). O sacerdote não celebra a Missa primeiramente diante do povo, mas diante de Deus! Por isso mesmo, a atitude, seja do sacerdote, seja do Povo de Deus, deve ser de profundo respeito ante o Senhor. É diante do Pai que estamos, imersos e impelidos por um só Espírito Santo, para oferecermos o Filho, vítima perfeita e santa, feito pão da vida eterna e cálice da salvação. A Celebração não pode ser o lugar do show do padre, do seu esforço para ser atraente ou simpático, da conversa fiada, das gracinhas, da “festinha da comunidade”. Ela é primeiramente ação de Cristo e não ação nossa. Não se vai à Missa por causa da simpatia do padre ou do bom-mocismo da comunidade... O centro da Missa não é o padre, não é a comunidade, é Cristo, vítima perfeita e santa que se oferece ao Pai na potência do Santo Espírito. Somente é nossa ação enquanto é ação da Igreja toda, de todos os tempos, como Esposa santa de Cristo. Por isso, é de se deplorar fortemente e é totalmente contrário ao pensamento da Igreja a “criatividade” daqueles que fazem da Missa um espetáculo, um show, um exibicionismo autocrático do padre ou de alguns membros da comunidade.

Por outro lado, afirmar que a Missa tem a forma de um banquete, recorda que essa Celebração sagrada é início, sinal e antecipação do Banquete que Deus nos prepara no fim dos tempos. Ali já experimentamos o mundo que há de vir, quando o Reino que Jesus já inaugurou acontecerá em plenitude; ali já nos é dado experimentar as coisas do céu; ali comungamos pela mesma comida com a vida de Deus, recebemos a vida divina que habita no Corpo ressuscitado de Cristo; ali comungando do mesmo Pão e do mesmo Cálice nos tornamos um só corpo em Cristo, corpo esse que é a Igreja. Várias expressões nos recordam esta dimensão convivial da Eucaristia: mesa, comensais, pão, vinho, comida, bebida, alimento, cálice, patena (pratinho), etc. Esta é a dimensão horizontal da Eucaristia, isto é, sua relação entre os que participam da mesma celebração. Deste modo, é importante que a Eucaristia tenha também a dimensão de um encontro da comunidade dos filhos de Deus, que é a Igreja. Portanto, uma dimensão festiva. Festivo não quer dizer sujeito à manipulação arbitrária, às improvisações e instrumentalizações. Essa festa celebrativa não é ação de uma comunidade que se auto-celebra, satisfeita consigo mesma, mas a Celebração da Páscoa do Senhor, sua vitória sobre a morte, na qual, apesar de nossa pobreza, somos chamado a entrar e dela participar pela ação do Santo Espírito de Cristo.

O que deve ficar claro aqui é que seja na dimensão vertical (nós diante de Deus e Deus que vem a nós) como na horizontal (nós uns com os outros ao redor da mesma mesa), a Eucaristia é a ação de Cristo por excelência e jamais poderá ser manipulada.

Muitas vezes, reduze-se a Missa a um encontro festivo, a uma “celebração” da comunidade – a “nossa” celebração. O aspecto do sagrado e do sacrifical desaparecem quase que totalmente; o padre vira o presidente da “nossa” festa”. Está totalmente errado! Esvazia-se totalmente o sentido que a perene Tradição da Igreja deu e dá à santa Missa. Seria sair de casa para comprar um gato por lebre! Portanto, tudo, na santa Missa, deve recordar essa sacralidade e “indisponibilidade” à manipulação da Eucaristia. Por exemplo: a conversa e o barulho na igreja antes da missa, o excesso de pessoas fazendo isso e aquilo na celebração, o passa-passa pelo presbitério, o mau gosto na ornamentação do ambiente sagrado, o desleixo e mau gosto em relação aos paramentos (há um monte de invenção de paramentos todos não permitidos pela Igreja. Um exemplo? Os tais paramentos afro...), e por aí a fora.
Bom. Continuaremos no próximo número.

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