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Homilia para o XXIX Domingo Comum - Ano B

October 23, 2018

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De um Papa a outro: dias memoráveis

Este abril foi intenso para nós, católicos. Vivemos momentos de profunda experiência de fé, ocasião de renovar nossa confiança na presença de Cristo no coração de sua Igreja, tal como ele mesmo havia prometido: “Eu estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”. Sentimos, como que tocamos, emocionados, esta presença do Senhor, que ama, orienta, sustenta e guia a sua Igreja. Somos gratos ao Senhor por tudo quanto ele fez.

            Primeiro, o modo belíssimo como o nosso Santo Padre João Paulo Magno enfrentou seus últimos momentos neste mundo: sua dignidade, sua confiança no Senhor, seu desejo de completar na carne o que faltava da Paixão de Jesus. Ao final de sua vida, João Paulo II foi Papa mais que em qualquer outra etapa do seu pontificado. Se a missão do Bispo de Roma, como Sucessor de Pedro, é testemunhar com toda a sua existência que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, o saudoso Papa fê-lo de modo comovente, colocando toda a sua existência nas mãos daquele que por nós morreu e ressuscitou e é o Senhor da vida. Com o Santo Padre que “partiu para estar com Cristo” aprendemos e vimos que “nem a morte nem a vida nos podem separar do amor de Cristo”. Vimos que, “quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor”.

            Depois, a comovente onda humana que acorreu a Roma ou aos televisores para acompanhar o sepultamento do Papa. Alguns - maldosos ou doloridos de cotovelo - falaram em idolatria ao Papa. Nada disso! Era um sentimento de carinho e respeito por alguém que encarnou vivamente o Evangelho, alguém que foi testemunha fiel do Senhor Jesus e dos valores profundamente humanos que brotam da própria essência do cristianismo. Por isso mesmo, não somente católicos, mas também outros cristãos e seguidores das diversas religiões do mundo, e até mesmo ateus, homenagearam o Santo Padre. Foi comovente, sim! E nos ensinou uma coisa preciosíssima: a Igreja não conquista o respeito do mundo quando se rende aos seus valores, mas quando é fiel ao Evangelho. Respeitando quem pensa diversamente, mas sem arredar um palmo que seja daquilo que pertence ao seu patrimônio de fé, que lhe foi confiado pelo próprio Senhor através da pregação apostólica. A Igreja só serve ao mundo assim; só serve ao Senhor assim e só assim tem sentido sua existência.

            Mas, o Senhor nos preparava mais, nesses dias abençoados. Primeiro, a experiência do Conclave. Tivemos a oportunidade de acompanhar pela televisão a Missa de inauguração da eleição papal e a entrada solene, rezada, dos cardeais na Capela Sistina. Foi uma experiência intensa de fé! A Igreja toda rezou com os senhores cardeais e pelos senhores cardeais. Vimos naqueles homens a seriedade, a piedade, a consciência da gravidade e responsabilidade que tinham diante do Senhor e do seu rebanho, a busca sincera da vontade de Deus! Deus já conhecia o nome do novo Papa, Deus já via o seu rosto; nós, na oração, esperávamos e confiávamos! Sabíamos que os cardeais o elegeriam, mas que seria Deus a escolhê-lo e chamá-lo! É que a Igreja, caro(a)s amigo(a)s, não é uma instituição simplesmente humana: ela se radica no profundo mistério de Deus, da presença absoluta e potente do Senhor. Por isso mesmo, somente na fé a Igreja pode ser compreendida plenamente. Pois bem: enquanto a imprensa futricava e dava espaço às análises mais malucas e descabidas – basta pensar no ex-frade e meio católico Leonardo Boff e no meio frade e meio católico Frei Betto –, procurando fazer polêmica, os católicos rezavam, conscientes de que o Senhor não abandona a sua Esposa. É no silêncio e na oração que se encontra a vontade de Deus...

            E a resposta do Cristo, Esposo fiel, veio! Ganhamos um novo Papa! O anúncio da eleição foi uma experiência belíssima: a espera, o suspense, a apreensão... Mas, já sabíamos que o eleito seria o escolhido pelo Senhor! Repito: seus irmãos o elegeriam, mas o próprio Senhor é quem o escolheria! E veio o Cardeal Ratzinger! Que Papa! Quem o conhece de verdade emocionou-se. Um homem reto. Dele, Jesus poderia certamente dizer o que disse de Natanael: “Eis aqui um verdadeiro israelita em quem não há falsidade!” Um homem sereno, manso, humilde, capaz de diálogo. Ratzinger, intelectual de fôlego, inteligência brilhante, teólogo dos maiores e, no entanto, acima de tudo, um cristão, apaixonado por Jesus, convicto de que nele – e só nele – o mundo e a humanidade encontram seu sentido mais profundo. Ratzinger não tem vida dupla, não picha os outros, não difama, nunca caluniou. O que fez, fez por fidelidade e fê-lo às claras! Exatamente por ser assim, esse “humilde operário da vinha do Senhor” foi rotulado pela grande imprensa com tudo quanto existe de depreciativo: inquisidor, intransigente, perseguidor... Tudo calúnia, tudo mentira, tudo difamação. Ratzinger nunca perseguiu ninguém. Como é fácil denegrir, como é fácil jogar na lama a fama e a dignidade dos outros! Mas, o Cardeal nunca respondeu, nunca gritou. Como ele mesmo disse: é a paciência que salva e nos faz participantes do projeto de Deus...

            O povo de Deus acolheu seu novo Pastor com o coração em festa, porque o recebeu na fé. Os “de fora”, os que não entraram na experiência de crer na presença de Cristo na sua Igreja, pararam nos slogans, nas aparências, nas análises superficiais e medíocres – ou até mesmo errôneas. Afinal, vivemos no mundo em que todo mundo, mesmo sem entender de nada, tem opinião sobre tudo! Quantos já leram os livros do Cardeal Ratzinger? Quantos já se debruçaram sobre seus artigos? Quantos acompanharam realmente suas atividades à frente da Congregação para a Doutrina da Fé? Mas todo mundo tem opinião! Que seja! Todo mundo tem o direito de dizer as tolices que desejar... Mas, o povo de Deus... Ah, o povo de Deus gostou, o povo de Deus se alegrou, o povo de Deus agradeceu ao Senhor! E o povo de Deus exultou ainda mais com a Missa inaugural do novo Papa. Trinta e nove vezes interrompeu sua homilia com aplausos, porque viu nas suas palavras a expressão de sua própria fé, fá da Igreja de ontem, de hoje e de amanhã.

            Deus seja louvado por esses dias. Deus seja louvado por João Paulo Magno. Deus seja louvado pelo doce e forte Bento XVI! Ah, ainda uma coisa: povo de Deus é quem crê de verdade em Jesus e na sua Igreja, quem reza, quem vai à missa aos domingos, quem se confessa, quem se esforça para viver o Evangelho, quem procura de coração conformar a vida à vontade do Senhor, quem participa da comunidade dos crentes. Os demais, com todo respeito que merecem, são “os de fora”...

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