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A Eucaristia como banquete escatológico

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Eis o segundo artigo dos seis sobre a Eucaristia.  

            Se é certo que a Eucaristia é verdadeiramente o sacrifício de Cristo, não o é menos que tal sacrifício foi entregue à Igreja sob a forma de um banquete: “A missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o memorial sacrifical no qual se perpetua o sacrifício da cruz, e o banquete sagrado da comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor. Mas a celebração do sacrifício eucarístico está toda orientada para a união íntima dos fiéis com Cristo pela comunhão. Comungar é receber o próprio Cristo que se ofereceu por nós” (Catecismo, 1382). Assim, a Eucaristia é também banquete: o Altar do sacrifício é também a Mesa sagrada da refeição e da comunhão com o Senhor e os irmãos! Diz o Santo Padre João Paulo Magno: “A Eucaristia é verdadeiro banquete, onde Cristo se oferece como alimento. A primeira vez que Jesus anunciou este alimento, os ouvintes ficaram perplexos e desorientados, obrigando o Mestre a insistir na dimensão real das suas palavras: ‘Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós’ (Jo 6, 53). Não se trata de alimento em sentido metafórico, mas ‘a minha carne é, em verdade, uma comida, e o meu sangue é, em verdade, uma bebida’ (Jo 6, 55)” (Ecclesia de Eucharistia, 16). Por isso mesmo, dá-se também à Eucaristia o nome de Ceia do Senhor (cf. 1Cor 11,20), já que este sacramento é a celebração daquela Ceia que Jesus comeu com os seus discípulos na véspera da Páscoa. Tal Ceia era já a celebração ritual, em gestos, palavras e símbolos, daquilo que Jesus iria realizar no dia seguinte: ele se entregaria totalmente na cruz, dando-nos seu Corpo e seu Sangue: “Comei: isto é o meu corpo que será entregue na cruz! Bebei: isto é o meu sangue que será derramado por vossa causa!” Esta Ceia sagrada, chamada Última Ceia, já antecipava misteriosamente a Ceia das núpcias do Cordeiro, núpcias de Cristo ressuscitado com sua Esposa, a Igreja, na Jerusalém celeste: “Desejei ardentemente comer esta páscoa convosco antes de sofrer; pois eu vos digo que já não mais a comerei até que ela se cumpra no Reino de Deus” (Lc 22,15-16). O Apocalipse, fazendo eco às palavras do Senhor, proclama: “Felizes aqueles que foram convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro” (19,9). Participar da Ceia do Senhor é não somente participar da Ceia que Jesus celebrou como memorial de sua paixão, morte e ressurreição, mas também já antecipar e saborear, na força do Espírito Santo, a Ceia do Banquete celeste, quando o próprio Esposo, Jesus, será o alimento eterno para sua Esposa. Em outras palavras: é uma ceia que começa na terra e durará no céu, por toda a eternidade! Assim canta a liturgia: “Ó sagrado Banquete, em que de Cristo nos alimentamos. Celebra-se o memorial de sua Paixão, o espírito é repleto de graça e se nos dá o penhor da glória”. Neste mesmo sentido, o Servo de Deus João Paulo II afirma: “A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho” (Ecclesia de Eucharistia, 19.)

            No Antigo Testamento, além dos holocaustos (figuras do sacrifício que Cristo ofereceu e se torna presente em cada Eucaristia), conhecia-se também os sacrifícios de comunhão: neles se oferecia uma parte da vítima no altar e a outra parte era consumida num banquete pelos fiéis na presença do Senhor, significando que o Senhor e o fiel comiam da mesma comida, de modo que o homem comia à mesa de Deus, a criatura participava da vida do Criador, pois, para os orientais, comer à mesma mesa significa participar da mesma vida, da mesma sorte, significa ser amigos (cf. Lv 7,11-21; 22,29-30). Tudo isto era preparação para a comunhão que o Senhor queria estabelecer conosco, uma comunhão inimaginável, estupenda: ele próprio daria seu Filho, morto e ressuscitado, pleno do Espírito Santo, como nosso alimento, como vida de nossa vida! Então, participar do banquete eucarístico é participar da Vida que o próprio Deus entregou ao seu Filho ao ressuscitá-lo dos mortos: “Deus nos deu a Vida eterna e esta Vida está em seu Filho! Quem tem o Filho, tem a Vida” (1Jo 5,11). É por isso que Jesus disse claramente: “Em verdade em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós” (Jo 6,53). Eis, que mistério tão grande e tão santo: participar do Pão e do Vinho eucarísticos é entrar em comunhão de Vida com Aquele que é Morto e Ressuscitado, com o Cordeiro eternamente imolado por nós! Participar das Espécies eucarísticas, das Coisas santas, é receber a própria Vida, aquela que Jesus recebeu na sua ressurreição, aquela Vida que estava junto do Pai e que nos apareceu (cf. 1Jo 1,2). Cada participação na Eucaristia é uma transfusão de vida eterna que recebemos, até que a consumemos na Glória!

            Comungar no Corpo e no Sangue do Senhor, Cabeça da Igreja, é também entrar em comunhão com os irmãos que formam a Igreja. Nós somos “con-corpóreos” e “con-sangüíneos” uns dos outros porque todos temos um só corpo (o Corpo de Cristo) e temos um só sangue (o Sangue de Cristo). Somos irmãos carnais, irmãos de sangue, irmãos eucarísticos: “O cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão” (1Cor 10,16s). No Banquete eucarístico acontece a comunhão entre nós e Cristo e, por ele, a comunhão entre nós, no único Espírito Santo de Cristo ressuscitado. Santo Agostinho afirmava: “Se sois o corpo e os membros de Cristo, é o vosso sacramento que é colocado sobre a mesa do Senhor; recebeis o vosso sacramento. Respondeis ‘Amém’ àquilo que recebeis, e confirmais ao responder. Ouvis esta palavra: ‘O Corpo de Cristo’, e respondeis: ‘Amém’. Sede, pois, um membro de Cristo, para que o vosso Amém seja verdadeiro”. Assim, o Pão e o Vinho eucarísticos, que foram cristificados pela ação do Espírito do Ressuscitado, edificam a Igreja: neste santo Banquete nos tornamos sempre mais Corpo do Senhor, Igreja do Senhor: “Olhai com bondade a oferenda da vossa Igreja, reconhecei o sacrifício que nos reconcilia convosco e concedei que, alimentando-nos com o Corpo e Sangue do vosso Filho, sejamos repletos do Espírito Santo e nos tornemos em Cristo um só corpo e um só espírito” (Oração Eucarística III). Ora, é o Espírito do Cristo morto e ressuscitado recebido em comunhão, que nos faz ser um só corpo e um só espírito, que é a Igreja. Assim se exprimia Santo Efrém: “(Cristo) chamou o pão seu Corpo vivo, encheu-o de si próprio e do seu Espírito. E aquele que o come com fé, come Fogo e Espírito. Tomai e comei-o todos; e, com ele, comei o Espírito Santo. De fato, é verdadeiramente o meu Corpo, e quem o come viverá eternamente”. Por tudo isso, a participação no Banquete eucarístico nos compromete profundamente com a vida da Igreja, de modo que quem não quer viver como Igreja-comunidade não pode participar da Eucaristia, que é “sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade”, mais forte que todo pecado, todo isolamento e toda divisão.

            Além do mais, a participação e comunhão nas mesmas espécies eucarísticas, Corpo e Sangue do Senhor, compromete-nos, na caridade de Cristo, com os irmãos carentes e sofredores, sobretudo com os pobres. São João Crisóstomo ensinava assim: “Degustaste o Sangue do Senhor e não reconheces sequer o teu irmão. Desonras esta própria Mesa, não julgando digno de compartilhar do teu alimento aquele que foi julgado digno de participar desta Mesa. Deus te libertou de todos os teus pecados e te convidou para esta Mesa. E tu, nem mesmo assim, te tornaste mais misericordioso”.

            Por tudo isso, é absolutamente incompreensível que alguém participe da Missa sem comungar! O sacrifício eucarístico tende para esta comunhão entre nós e o Cristo, que se consuma quando comungamos! Somente por razões gravíssimas devemos nos abster da comunhão. Caso contrário, temos a obrigação de amor e de sede de vida de procurar o sacramento da Penitência e nos reconciliar com Cristo e a Igreja, de modo a participar plenamente do Banquete eucarístico! Certamente, há casos em que o mais aconselhável é não receber a comunhão... Mas aí não é por desleixo ou descaso, mas por coerência e coragem de quem é maduro para assumir que está em alguma situação particularmente problemática em relação ao Evangelho. É o caso, por exemplo, dos que estão unidos em segunda união já sendo casados sacramentalmente e o primeiro cônjuge ainda esteja vivo. Nesses casos, o Senhor também vem a esses irmãos e para eles, pois conhece a sua história e vê o seu coração. É preciso recordar que, se a Igreja está ligada aos sacramentos, o Senhor não está: ele é o Senhor dos sacramentos e pode vir com sua graça de modo desconhecido e inesperado para nós. É bom recordar também que aqui não se trata de julgar os outros ou dizer que alguém não é digno de comungar! Quem de nós é digno? Quem ousaria pensar-se digno do Senhor? A Igreja, ao invés, nos ensina a dizer, antes de cada comunhão: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada!” A regra, no entanto, é clara: o quanto possível, comungar sempre, em cada Eucaristia da qual participarmos!

            Terminemos com as palavras da Liturgia de São João Crisóstomo: “Ó Filho de Deus, faz-me hoje participante do teu místico Banquete. Não entregarei o teu Mistério aos teus inimigos nem te darei o beijo de Judas. Mas, como o ladrão, eu te digo: Recorda-te de mim, Senhor, quando estiveres no teu Reino!”

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