Dominus Iesus: um documento que deu o que falar

Gostaria de apresentar uma declaração da Santa Sé, da Congregação para a Doutrina da Fé, publicada em agosto último por ordem e com a aprovação do Papa João Paulo II. Esta Declaração deu muito que falar na imprensa, em geral de modo negativo, afirmando-se que o Papa tinha dito que somente se salvaria quem fosse cristão católico. Claro que tal afirmação é falsa! Vejamos, portanto, o que realmente a Santa Sé afirmou.

O objetivo do documento era, na verdade, “recordar aos Bispos, aos teólogos e a todos os fiéis católicos alguns conteúdos doutrinais imprescindíveis” para a nossa fé católica e apostólica.

Primeiramente o texto critica uma idéia muito difundida hoje em dia que afirma que todas as religiões têm o mesmo valor, pois cada uma ensina uma parte da verdade. A verdade divina é tão grande – dizem alguns – que nenhuma religião por si só pode exprimi-la totalmente. Assim, Jesus Cristo é apenas parte da verdade de Deus. Mas esta verdade precisa ser completada pelo que outras religiões apresentam: Buda, Confúcio, Maomé, etc, seriam outras manifestações da única verdade divina. Jesus pode até ser a manifestação mais completa desta verdade, mas não é a verdade absoluta e universal.

Que pensar de tal opinião? O documento insiste que é necessário “reafirmar, antes de mais, o caráter definitivo e completo da revelação de Jesus Cristo. Deve, de fato, crer-se firmemente na afirmação que no mistério de Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado, que é o caminho, a verdade e a vida (cf. Jo 14,6), dá-se a revelação da plenitude da verdade divina. (...) A verdade profunda, tanto a respeito de Deus como da salvação dos homens, manifesta-se a nós por esta revelação na Pessoa de Jesus Cristo que é simultaneamente o mediador e a plenitude da r