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Caríssimos, a Palavra que o Senhor nos dirige hoje, nas leituras que a Liturgia nos propõe, leva-nos a refletir sobre a situação do povo de Israel, o Povo de Deus da Antiga Aliança e suas relações conosco, o novo Povo, o Israel de Deus (cf. Gl 6,16), a Igreja de Cristo. 

Digo-vos com seriedade, com gravidade, no Senhor: estejamos muito atentos a Israel, pois esse povo amado que Deus escolheu outrora serve sempre de lição, de advertência para nós, da Nova e Eterna Aliança. A Escritura diz que “esses fatos, ocorridos com Israel, aconteceram para nos servir de exemplo... para nossa instrução...” (1Cor 10,6.11) 

 

Todos sabemos que o Senhor Deus, na Sua liberdade e gratuidade, escolheu Israel para ser o Seu povo. São Paulo nos recorda isto muito bem na Epístola aos Romanos: a eles “pertencem a adoção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas, os patriarcas... deles descende o Cristo segundo a carne” (9,5). Por isso mesmo, um cristão deve ter uma atitude de apreço e profundo respeito pelo Povo da Antiga Aliança! Eles são nossa raiz santa, eles são nossos pais na fé, eles são a oliveira doméstica em cujo tronco nós, os gentios, a oliveira selvagem, foi enxertada (cf. Rm 11,16ss) para se tornar Povo de Deus! 

 

No entanto, é verdade que Israel como um todo não reconheceu em Jesus nosso Senhor o Messias que Deus lhe enviara... É um mistério tremendo: “veio para o que era Seu e os Seus não O receberam!” (Jo 1,11) Repito, é um mistério tremendo: o Povo eleito, o Povo amado, o Povo a quem tudo foi prometido endureceu seu coração, desobedeceu ao Senhor e não acolheu o Cristo que lhes fora enviado! Em Israel, somente um resto, o Resto fiel anunciado pelos profetas, acolheu Jesus e Nele creu. Deste Resto bendito e santo, nasceu o novo Israel de Deus, a Igreja, formada não mais sobre o alicerce dos doze patriarcas filhos de Jacó, mas pelos Doze que Jesus escolheu como fundamentos da Sua Igreja. Apesar disto, Irmãos, o antigo Povo ainda é querido pelo Senhor Deus: se nós somos o novo e definitivo Povo de Deus, nascido do Espírito Santo de Cristo recebido no Batismo, Israel continua a ser o antigo Povo, pois, como nos recorda hoje a Epístola, “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”. Nós esperamos que quando Cristo nossa Vida aparecer em Glória, também o inteiro Israel reconhecerá em Jesus nosso Senhor o Messias que Deus lhe prometera; e então, o antigo e o novo Povo alegrar-se-ão no Salvador que o Pai nos enviou! Isto é parte da nossa fé: Israel como um todo, como povo inteiro, um dia – no Dia de Cristo! –, quando e como somente Deus sabe, haverá de reconhecer Jesus! (cf. Rm 11,25s) 

Vede bem que mistério: Se a incredulidade deles abriu as portas para que o Evangelho nos fosse anunciado e hoje fôssemos do Povo de Deus, quanto bem não será quando eles, nossa raiz, nossos antepassados na fé, reunirem-se conosco no louvor do Deus Uno e Trino! (cf. Rm 11,12) Mas, isto pertence aos tempos e modos de Deus... 

O fato é que, tanto nós, cristãos, quanto os judeus, precisamos da graça do Senhor, necessitamos da misericórdia amorosa do Deus Santo, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo; “com efeito, Deus encerrou todos os homens na desobediência, a fim de exercer misericórdia para com todos”; isto é: todos somos devedores do Senhor, por nós mesmos, somos todos somos infiéis, todos precisamos da gratuidade do Seu amor benevolente, seja do antigo seja do novo Povo, seja todos nós seja cada um de nós pessoalmente, “com efeito, quem conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem se tornou Seu conselheiro? Ou quem primeiro Lhe fez um dom para receber em troca? Porque tudo é Dele, por Ele e para Ele!” (Rm 11,34ss). 

 

Por que Israel não reconheceu em Jesus o Messias? Porque Jesus não foi o messias sob medida para Israel, não foi o messias de encomenda: não foi um messias guerreiro, não foi um messias político, não foi um messias do pão e circo, não foi um messias do Templo, não foi um messias do legalismo dos fariseus! Jesus foi simplesmente o Messias livre, soberano, totalmente dependente somente do Pai, comprometido somente com o Pai e o Seu plano de salvação! Para acolher um Cristo assim, somente tendo um coração de pobre, somente não se achando com direitos sobre Deus, somente acolhendo na fé as surpresas de um Deus que é livre, soberano e libertador: Ele nos liberta de nós mesmos e de nossas estreitezas! Israel, enganchado no legalismo, na autossuficiência, centrado em si mesmo, esquecendo que sua eleição era para o bem de toda a humanidade, foi incapaz de acolher o vinho novo que Jesus trouxe! 

 

Israel foi o contrário da mulher cananeia, a pagã do evangelho que ouvimos: ela foi humilde diante de Jesus, insistente e confiante na sua súplica, sabendo que nada merecia, soube crer, soube esperar, soube insistir, soube ser uma pobre diante do Senhor. E por isso, foi justificada, foi ouvida na sua súplica! Essa mulher é imagem dos pagãos que, crendo em Jesus, tornaram-se, pela fé e o Batismo, o novo Israel, o novo Povo de Deus! Somos nós esse Povo, somos nós essa Igreja, somos nós que antes éramos não-povo e agora somos Povo santo, que antes não tínhamos Deus nem esperança no mundo e agora somos o Povo reunido no Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (cf. 1Pd 2,10). 

 

Mas, queridos Irmãos, estejamos atentos: somos um Povo que escuta realmente a Palavra do Senhor? Somos fieis aos preceitos do Cristo Jesus ou queremos nós mesmos fazer a nossa verdade, ao sabor das modas e trejeitos do mundo atual? Qual é o nosso critério: o Evangelho ou o politicamente correto? O que nos norteia: as exigências amorosas do Senhor ou os aplausos e elogios do mundo? 

Cuidemos, porque se Israel tropeçou, nós também podemos tropeçar, a Igreja como um todo pode tropeçar, cada um de nós pode tropeçar e perder o Cristo e a Sua salvação! Se é certo que, como um todo, a Igreja jamais perderá a Aliança com o Senhor, mas pode, no entanto, nos seus filhos – e até mesmo na maioria deles! –, perder o rumo e o sentido do Cristo Jesus e da Sua graça! Não brinquemos! A fé não é direito adquirido! A graça não é posse! A pergunta do Senhor nosso é tremenda e sempre atual: “Quando o Filho do Homem vier, encontrará fé sobre a terra?” (Lc 18,8). 

 

Caríssimos, aprendamos  com esta Cananeia: fé no Senhor, confiança Nele, humildade, obediência, persistência em procurá-Lo e em Nele esperar! E Ele, que a atendeu na sua angústia, nos atenda e nos conserve na verdadeira fé católica e apostólica, membros do Seu Povo santo, até a Vida eterna! Amém.

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