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Homilia para o XXIX Domingo Comum - Ano B

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Meditação para o XXX Domingo Comum – Ano A

October 28, 2017

Aproxima-se o final do Ano Litúrgico, ano da Igreja. Estamos já no trigésimo Domingo comum. Mais três, e encerraremos o ano litúrgico de 2017, com a Solenidade de Cristo-Rei. O tempo passa, a vida passa, a história passa... Elevemos o olhar e o coração para Aquele que não passa, Aquele que é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim da nossa existência, o Cristo, nosso Deus!

No passado Domingo, o Senhor Jesus ordenava: “Dai a Deus o que é de Deus!” De Deus é tudo, ainda que a humanidade atual se julgue dona de senhora de si própria; de Deus é tudo, ainda que tudo pareça nosso: “Tudo pertence a vós: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, as coisas presentes e as futuras.Tudo é vosso; mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus” (1Cor 3,21-23). Esta é, precisamente, a dificuldade, a miopia ou, mais ainda, a cegueira, o triste pecado do mundo em que vivemos: não perceber Deus, não enxergar com a razão, com o afeto, com o coração que Deus é o Tudo, o Substrato, o Sentido da nossa existência. Sem Ele, nada tem sentido perene, nada tem valor duradouro, nada tem valor absoluto, nem a vida humana, que somente pode ser respeitada de modo absoluto quando é compreendida como imagem de Deus.

Pois bem, a Palavra deste Domingo prolonga a de oito dias atrás. “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”, da Lei de Moisés – perguntam ao Senhor para novamente tentar apanhá-Lo em armadilha. Qual o preceito que, sendo observado, resume a observância de toda Lei? Jesus responde prontamente: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!”
Como bom judeu, o Senhor Jesus nada mais faz que retomar o preceito do Antigo Testamento. Amar a Deus!
Amá-Lo significa fazer Dele o tudo da nossa existência, significa viver a vida aberta para Ele, buscando sinceramente a Sua santa vontade.
Amá-Lo é não conceber a vida como algo que é meu em sentido absoluto, mas um dom que recebi de Deus, que em diante de Deus devo viver e a Deus devo, um dia, devolver com frutos.
Amá-Lo é não viver na minha vontade, mas buscando a Sua santa vontade, mesmo que esta não seja o que eu esperaria ou desejaria...
Amá-Lo é sair de mim para encontrar-me nele!

Mas, para que este amor a Deus não seja algo abstrato, teórico, meramente feito de palavras ou sentimentos superficiais, o Senhor Jesus nos aponta uma medida concreta desse amor. Seguindo ainda a tradição judaica do Antigo Testamento, Ele liga, condiciona o amor a Deus ao amor aos outros, aos próximos, àqueles que a providência divina coloca no nosso caminho: “’Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.
Eis, portanto: a medida da verdade do amor a Deus é o amor, a dedicação para com os outros; e não os outros teoricamente, mas os próximos: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo!” Notemos que aqui Jesus não ensina nada de novo. Este preceito já valia para um bom judeu. Jesus está respondendo a um fariseu, um escriba judeu. Basta recordar como a primeira leitura de hoje, tirada da Torah, da Lei de Moisés, já ligava os dois amores, a Deus e ao próximo. O Senhor, já no Antigo Testamento, deixava claro que estará sempre do lado do nosso próximo, sobretudo se ele for débil e necessitado: “Se clamar por Mim, Eu o ouvirei, porque sou misericordioso.”
Estejamos, portanto, atentos: o amor concreto para com o nosso próximo é a medida do nosso amor a Deus! O Evangelho – como todo o Novo Testamento e a reta e sadia Tradição da Igreja – desconhece uma relação com Deus baseada numa fé sem obras que nasçam do amor. Basta recordar o belíssimo hino ao amor, da Primeira Carta aos Coríntios: “Ainda que eu tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse a caridade, eu nada seria” (13,2). Que ninguém se iluda com um vazio discurso sobre uma fé vã sem as obras que dela nascem e a revelam e exprimem! A fé sem amor a Deus e ao próximo, aquela fé que gosta de dizer “estou salvo” e se compraz em decretar a condenação dos outros é uma fé inútil, vazia, falsa e morta!

Caríssimos, se o Senhor Jesus respondeu ao escriba fariseu, dizendo que ele deveria amar a Deus e ao próximo como a si mesmo, a nós, Seus discípulos, a nós, cristãos, Ele aponta um ideal muito mais alto! Ouso afirmar que não basta, de modo algum, para um cristão, amar os outros como a si mesmo!
Recordai-vos todos que, na véspera de Sua Paixão santíssima, quando sentou-Se à santa Mesa conosco, para entregar-Se ao Pai e a nós como Vítima de amor na Eucaristia, como maior dom de dileção, de caridade, de amor que se dá, que se oferta que se imola, o Senhor nosso e Deus nosso, Jesus Cristo, deu-nos, então, o mandamento pleno, completo: “Amai-vos como Eu vos amei!” (Jo 13,34); “Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, também vós o façais” (Jo 13,15). Agora, às vésperas da cruz, agora, à Mesa da Eucaristia, agora, lavando-nos os pés, dando-Se totalmente a nós, Jesus poderia ser compreendido! Ele é o amor verdadeiro, Ele é a medida e o modelo do amor: “Não há maior prova de amor que dar a vida!” (Jo 15,13) Amai-vos como Eu vos amei!

Eis, caríssimos, como é grande a tarefa que o Senhor nos confia! Quem poderá realizá-la? Onde poderemos conseguir um amor assim? Eu vos digo:
contemplando Jesus na oração,
escutando Jesus na Escritura,
comungando com Jesus na Eucaristia,
procurando Jesus nos irmãos!
É assim que teremos os mesmos sentimentos do Cristo Jesus (cf. Fl 2,5) e viveremos a vida no amor total que Ele, nosso Senhor, teve para com Deus, o Pai e para com os próximos. Fora disso, toda conversa sobre amor não passa de teoria, de ideologia que de cristã tem pouco ou nada.
Que o Senhor nos conceda, então, por esta Eucaristia, o dom do verdadeiro amor. E como por nossas forças somente nada podemos, aja em nós Aquele mesmo amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (cf. Rm 5.5), e é Deus com o Pai e o Filho, adorado e glorificado pelos séculos dos séculos. Amém.
 

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