Meditação para o II Domingo do Advento – Ano B

O tempo do Advento coloca-nos diante da miséria da humanidade, da pobreza e aperto da Igreja, da nossa própria miséria.

Pobre humanidade:

por mais que se julgue autossuficiente, é tão insuficiente,

por mais que deseje ser seu próprio deus, não passa de pó que o vento leva...

Pobre Igreja, tão santa pela santidade de Cristo, o Santo de Deus,

mas tão envergonhada pelos pecados de seus filhos e até de seus pastores, que deveriam ser exemplo e orgulho do rebanho;

tão difamada, tão vilipendiada, tão humilhada nos dias atuais.

Pobres de nós, que vivemos uma vida tão cheia de percalços e angústias, de lutas e lágrimas, de desafios que, às vezes, pararem mais fortes que nós!

Eis a humanidade!

Como no passado, ainda hoje precisamos de um Salvador, como Israel que esperou, nós, Igreja de Cristo, suplicamos: Vem, Senhor! Manifesta o Teu poder! Que passe logo este mundo de tanta ambiguidade e provação; que venha a plenitude do Teu Reino, que venha o Teu Dia, que venha logo a plenitude da Tua graça!

É este o horizonte para contemplarmos a Palavra de Deus deste II Domingo do Advento.

No Missal romano, as palavras de entrada da Missa, tiradas do Profeta Isaías, já nos são de tanto consolo: “Povo de Sião – somos nós, meus irmãos, somos nós! – o Senhor vem para salvar as nações! E, na alegria do vosso coração, soará majestosa a Sua voz!” (Is 30,19.30).

Sim! O Senhor vem! Aquele que nunca nos deixou e vem sempre nas pequenas coisas e ocasiões da vida, Ele mesmo virá, um Dia, no fulgor da Sua Glória: Ele, nossa justiça, Ele, nosso esperança, Ele, nosso Salvador!

Nós nunca deveríamos esquecer que somos um povo a caminho do Dia de Cristo, que aqui estamos todos de passagem, que somente no Dia de Cristo, Dia do Reino, é que a salvação que o Senhor Messias nos obteve aparecerá com toda a sua força e plenitude! Sim, somos um Povo, uma Igreja a caminho, ao encontro do Reino que vem!

Escutemos, pois, o Profeta, falando em nome de Deus! Escutemos as palavras que Ele manda dizer à Sua Igreja sofredora e humilhada, tentada pelo desânimo: “Consolai, consolai o Meu povo! Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que a sua servidão acabou!”

O Senhor vem, cheio de mansidão e misericórdia, de bondade e compaixão!

No Natal nós veremos mais uma vez que Deus é amor, veremos do que Ele foi capaz por nós: capaz de fazer-Se pequeno, capaz de fazer-Se criança, capaz de fazer-Se pobre entre os pobres do mundo! “Sobe a um alto monte, tu que trazes a boa-nova a Sião, levanta com força a tua voz; dize às cidades de Judá: ‘Eis o vosso Deus! Como um pastor, Ele apascenta o rebanho, reúne com a força dos braços os cordeiros e carrega-os ao colo; Ele mesmo tange as ovelhas que amamentam”.

Caríssimos, não desanimemos, não temamos, não percamos o rumo da nossa vida, não esfriemos na nossa fé e na nossa esperança: tudo caminha para esse encontro com Aquele que vem! Deus não Se esqueceu de nós, não virou as costas para o mundo, não abandonou a Sua Igreja! Recobremos o ânimo, renovemos as nossas forças, colocando no nosso Deus a nossa esperança e a nossa certeza!

Mas, a Vinda do Senhor, vinda salvadora, será também uma Vinda de julgamento: na Sua luz, bem e mal, santidade e pecado, retidão e maldade, fidelidade e infidelidade aparecerão. Na Sua Vinda, tudo será queimado, purificado no fogo devorador do Seu Espírito Santo, aquele que arguirá o mundo quanto à justiça, quanto ao julgamento e quanto ao pecado (cf. Jo 16,8-11). A Palavra de Deus hoje nos adverte severa e insistentemente sobre isso: “Eis o vosso Deus, eis que o Senhor Deus vem com poder, Seu braço tudo domina: eis, com Ele, sua conquista, eis à Sua frente a vitória! O Dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão, e a terra será consumida com tudo o que nela se fez. O que nós esperamos são novos céus e nova terra, onde habitará a justiça!”

O Senhor, portanto, julgará tudo: na luz, do Seu Espírito Santo, tudo será colocado às claras; no fogo do Seu Espírito Santo, tudo será purificado, e aquilo que não foi de acordo com o Seu Evangelho, com a Sua Verdade, com a Sua Cruz, será consumido no nada, no pó, no choro e ranger de dentes.

Por isso mesmo, a insistente exortação que a Palavra nos faz hoje à vigilância. São Pedro, na segunda leitura, recorda-nos que este tempo de nossa vida é tempo da paciência de Deus, tempo de aproveitar para trabalhar para a nossa conversão: “O Senhor está usando de paciência para convosco. Pois não deseja que alguém se perca. Ao contrário, quer que todos venham a converter-se!’

Bispos e padres, convertamo-nos! Mudemos nossa vida, abramos vosso coração! Não nos iludamos, pensando que poderemos nos acostumar com o Senhor: pregamos a Palavra Dele e seremos julgados pela Palavra que pregamos!

Religiosos e religiosas, convertei-vos ou morrereis eternamente no Fogo que não acaba! Não podeis fingir, não podeis enganar o Senhor! A radicalidade da vossa consagração não é garantida por uma lei canônica ou pelos votos tomados como posse e direito, mas por amor sempre novo ao Senhor, por uma inteireza de coração, por uma sincera e simples ruptura com tudo quanto seja mundano! Convertei-vos ou morrereis estéreis! Discerni os sinais dos tempos!

Povo todo de Deus: jovens e adultos, idosos e crianças, solteiros e pais e mães de família, convertei-vos, mudai vosso procedimento! Vivei de acordo com o que sois: sois a Igreja santa, sois o Povo santo de Deus, sois a herança de Cristo! Convertei-vos todos, pois o Senhor a todos examinará! Com a vossa vida e o vosso procedimento, preparai no deserto de vossa vida o caminho do Senhor!