Onde está o teu Deus?

Para você, meu Amigo, as palavras do querido Santo Agostinho... tudo fala do Senhor, tudo O esconde! Feliz de quem não endeusa as criaturas, mas nelas encontra o Deus verdadeiro! Eis as palavras do Santo Bispo de Hipona:

Amo-Te, Senhor, com uma consciência não vacilante, mas firme. Feriste o meu coração com a Tua Palavra, e eu Te amei!

Mas eis que o céu, e a terra, e todas as coisas que neles existem me dizem a mim, por toda a parte, que Te ame, e não cessam de o dizer a todos os homens, de tal modo que eles não têm desculpa. Tu, porém, compadecer-Te-ás mais profundamente de quem Te compadeceres, e concederás a Tua misericórdia àquele para quem fores misericordioso: de outra forma, seria para surdos que o céu e a terra entoam os Teus louvores.

Mas que amo eu, quando Te amo?

Não a beleza do corpo, nem a glória do tempo, nem esta claridade da luz, tão amável a meus olhos, não as doces melodias de todo o gênero de canções, não a fragrância das flores, e dos perfumes, e dos aromas, não o maná e o mel, não os membros agradáveis aos abraços da carne.

Não é isto o que eu amo, quando amo o meu Deus, e, no entanto, amo uma certa luz, e uma certa voz e um certo perfume e um certo alimento e um certo abraço, quando amo o meu Deus, luz, voz, perfume, alimento, abraço do homem interior que há em mim, onde brilha para a minha alma o que não ocupa lugar, e onde ressoa o que o tempo não rouba, e onde exala perfume o que o vento não dissipa, e onde dá sabor o que a sofreguidão não diminui, e onde se une o que a saciedade não separa. Isto é o que eu amo, quando amo o meu Deus!

E que é isto? Interroguei o conjunto do universo acerca do meu Deus e ele respondeu-me: ‘Não sou eu, mas foi Ele mesmo que me fez’. Interroguei a terra e ela disse: ‘Não sou eu’; e todas as coisas que nela existem responderam-me o mesmo. Interroguei o mar, e os abismos, e os seres vivos que rastejam, e eles responderam-me: ‘Não somos o teu Deus; procura acima de nós’. Interroguei as brisas que sopram, e o ar todo com os seus habitantes disse-me: ‘Anaxímenes está enganado; eu não sou Deus’. Interroguei o céu, o sol, a lua, as estrelas, e dizem-me: ‘Nós também não somos o Deus que tu procuras’.

E disse a todas as coisas que rodeiam as portas da minha carne: ‘Falai-me do meu Deus, já que não sois vós, dizei-me alguma coisa a Seu respeito’. E elas exclamaram, com voz forte: ‘Foi Ele que nos fez’.

Contemplá-las era a minha pergunta e a resposta era a sua beleza!

Interroguei o conjunto do universo acerca do meu Deus, e ele respondeu-me: ‘Não sou eu, mas foi Ele que me fez’.

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