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Onde está o teu Deus?

January 24, 2018

Para você, meu Amigo, as palavras do querido Santo Agostinho... tudo fala do Senhor, tudo O esconde! Feliz de quem não endeusa as criaturas, mas nelas encontra o Deus verdadeiro! Eis as palavras do Santo Bispo de Hipona:

Amo-Te, Senhor, com uma consciência não vacilante, mas firme.
Feriste o meu coração com a Tua Palavra, e eu Te amei!

Mas eis que o céu, e a terra, e todas as coisas que neles existem me dizem a mim, por toda a parte, que Te ame, e não cessam de o dizer a todos os homens, de tal modo que eles não têm desculpa.
Tu, porém, compadecer-Te-ás mais profundamente de quem Te compadeceres, e concederás a Tua misericórdia àquele para quem fores misericordioso: de outra forma, seria para surdos que o céu e a terra entoam os Teus louvores.

Mas que amo eu, quando Te amo?

Não a beleza do corpo, nem a glória do tempo, nem esta claridade da luz, tão amável a meus olhos, não as doces melodias de todo o gênero de canções, não a fragrância das flores, e dos perfumes, e dos aromas, não o maná e o mel, não os membros agradáveis aos abraços da carne.

Não é isto o que eu amo, quando amo o meu Deus,
e, no entanto, amo uma certa luz,
e uma certa voz
e um certo perfume
e um certo alimento
e um certo abraço,
quando amo o meu Deus,
luz,
voz,
perfume,
alimento,
abraço do homem interior que há em mim,
onde brilha para a minha alma o que não ocupa lugar,
e onde ressoa o que o tempo não rouba,
e onde exala perfume o que o vento não dissipa,
e onde dá sabor o que a sofreguidão não diminui,
e onde se une o que a saciedade não separa.
Isto é o que eu amo, quando amo o meu Deus!

E que é isto?
Interroguei o conjunto do universo acerca do meu Deus
e ele respondeu-me:
‘Não sou eu, mas foi Ele mesmo que me fez’.
Interroguei a terra e ela disse: ‘Não sou eu’;
e todas as coisas que nela existem responderam-me o mesmo.
Interroguei o mar, e os abismos, e os seres vivos que rastejam, e eles responderam-me:
‘Não somos o teu Deus; procura acima de nós’.
Interroguei as brisas que sopram,
e o ar todo com os seus habitantes disse-me:
‘Anaxímenes está enganado; eu não sou Deus’.
Interroguei o céu, o sol, a lua, as estrelas, e dizem-me:
‘Nós também não somos o Deus que tu procuras’.

E disse a todas as coisas que rodeiam as portas da minha carne:
‘Falai-me do meu Deus, já que não sois vós,
dizei-me alguma coisa a Seu respeito’.
E elas exclamaram, com voz forte: ‘Foi Ele que nos fez’.

Contemplá-las era a minha pergunta e a resposta era a sua beleza!

Interroguei o conjunto do universo acerca do meu Deus,
e ele respondeu-me:
‘Não sou eu, mas foi Ele que me fez’.

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