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Meditação 3 | Retiro Quaresmal - "São estas as palavras..."

February 16, 2018

Reze o Salmo 119/118,17-24
Agora, leia com piedade e um coração que escuta na fé Dt 1,19-46.

1. Esta é uma perícope dramática, que traz tristes recordações para Israel! Também para nós, tratam-se de palavras tremendas e de sérias advertências! Vemos meditar sobre ela nesta meditação e na próxima.

2. Releia o v. 19: depois da experiência fortíssima da presença do Senhor Deus no Horeb/Sinai, experiência da santidade tremenda e, ao mesmo tempo, do carinho e da proximidade do Senhor Deus, que cuida do Seu povo, Israel foi conduzido por Deus para caminhar “através de todo aquele grande e terrível deserto”. Sim, Deus coloca os Seus à prova, fá-los caminhar, não os poupa das lutas, dos desafios e reveses da vida! É mentiroso quem promete, em Nome de Deus, facilidades, sucessos, bens materiais! O Senhor educa o Seu povo, conduz o Seu amado Israel por um deserto grande e terrível para fazê-lo crescer…
Para refletir: Olhe um pouco o seu caminho, reflita sobre o traçado da sua própria vida, por onde o Senhor o fez caminhar… Com gratidão, confiança e abandono, diga ao Senhor, de todo o coração, as palavras do Salmista: “Tu contaste meus passos de errante; recolhe minhas lágrimas no Teu odre. Não anotaste tudo isto no Teu Livro?” (Sl 56/55,9).

3. Nesta perícope, várias vezes, apela-se para a experiência que Israel fez: o povo havia visto e experimentado o deserto (cf. v. 9), havia visto como o Senhor combatera, antes, os egípcios (cf. v. 29b), experimentara também o carinho providente do Senhor, que o conduzira como um homem leva o seu filho (cf. v. 31).
Também nós – cada um de nós! – pode recordar sua história, seu caminho… Se o fizer com olhos e coração de fé, perceberá como, em tantos momentos, o Senhor veio em nosso socorro, tomo-nos pela mão, salvou-nos! É importante recordar sempre esses acontecimentos, guardá-los no coração como um tesouro, para alimentar sempre nossa confiança na presença protetora do Santo na nossa vida! Esquecer é início de todo o pecado e de toda a descrença: “Bendize ao Senhor, ó minha alma, e não esqueças nenhum dos Seus favores. É Ele Quem sacia teus anos de bens e, como a águia, tua juventude se renova!” (Sl 103/102,2.5); “Eu me lembro, sempre me lembro, transido dentro de mim. Eis o que recordarei ao meu coração e por que eu espero: os favores do Senhor não terminaram, Suas compaixões não se esgotaram; elas se renovam todas as manhãs, grande é a Sua fidelidade! Eu digo: Minha porção é o Senhor! Eis por que Nele espero!” (Lm 3,20-24)

4. Mas, Israel, apesar de ter visto e ouvido, ainda duvida do seu Deus; seu cálculo é miseravelmente humano! A Terra que o Eterno prometera, que é dom (cf. v. 21) e para a qual Israel deve dirigir-se sem medo nem pavor, pesem as dificuldades, pois o Senhor está com ele, deve ser também empenho e conquista!
Veja como o Senhor estava com o Seu povo: vv. 29-31.
Veja como o Senhor caminhava à frente do Seu povo, preparando-lhe um caminho, guiando-o, iluminando-o: vv. 32-33. Atenção, que esta Nuvem que ilumina a noite como tocha fumegante e o dia como uma coluna, é símbolo e prefiguração do Santo Espírito, Glória, Luz, Presença, Potência, Vida do Senhor! Este Espírito divino, Nuvem bendita, continua a iluminar e guiar a Igreja de Cristo no deserto deste mundo! Não deveríamos, também nós, ter medo! Nunca!

5. Infelizmente, Israel procura segurança nos seus próprios cálculos. Veja os vv. 22-28: os israelitas convencem Moisés a enviar exploradores para conhecerem a Terra Prometida antes de cumprir as ordens do Senhor de apoderar-se dela. Procura-se segurança, funda-se o caminho em cálculo humano… E, fundamentados no seu próprio cálculo, Israel recusa entrar na terra; tem medo! Apesar de reconhecer que a terra é boa, olha, agora, para as dificuldades; não olha para o Senhor, não reza… Nada!
Veja Mt 14,22-33: Os discípulos, nós, somos como os israelitas: pensamos que o Senhor é um fantasma, ausente, distante, etéreo! O Senhor brada, como no Deuteronômio: “Tende confiança. Sou Eu! Não tenhais medo!” Pedro vai ao encontro de Jesus: enquanto vai para Ele, caminha sobre as águas do mar da vida. Quando desvia do Senhor a atenção e, ao invés, preocupa-se com o vento, começa a afundar... Somente quando olha para o Senhor, quando por Ele grita, quando reza, encontra o socorro... Assim foi Israel!
E o resultado: a murmuração, a reclamação, o fuxico: “O Senhor não nos ama; odeia-nos!” Muitas vezes Israel caiu neste pecado; pecado tão nosso: não vemos as coisas na perspectiva do Senhor, insistimos em vê-las e medi-las a partir de nossa estreita visão e, então, murmuramos! Esse pecado da murmuração, fruto de uma visão superficial das coisas, leva-nos também à falta de fé. Assim se destroem comunidades, paróquias, presbitérios, dioceses…
Reze o Salmo 4! É um ótimo remédio contra a murmuração: meditar e m silêncio, calar o coração, esperar no Senhor, Nele colocando a esperança...

6. Vale a pena voltar ainda para o que o texto afirma sobre os cuidados do Senhor para com Israel: (a) Ele entrega ao Seu povo a Terra, fielmente, como prometera (cf. v. 21); (b) Ele conduziu Israel como um homem conduz o seu filho (cf v. 31); (c) Ele precedia o Seu povo no caminho, indo à sua frente para preparar-lhe um lugar (cf v. 33). Tanto amor, tanto cuidado, tanta providência, tanta discreta presença na vida do Seu povo… E a resposta de Israel: “Apesar disso, ninguém dentre vós confiava no Senhor vosso Deus!” (cf v. 32).
Pense: como está sua confiança no Senhor? Você tem olhos de quem crê: sabe perceber a presença do Senhor nos momentos bons e maus da sua vida? Crê, realmente, que o Senhor o precede no caminho da vida? Sabe, realmente, confiar Nele, entregando-Lhe a sua existência?

7. Releia, agora, os impressionantes vv. 34-46! O Senhor, que é amor e misericórdia, é também, um Deus exigente, que age como um pai que educa o seu filho! Israel pecou, não confiou no Senhor! O Senhor educará o Seu povo com o castigo, com a punição que corrige e faz crescer! A Escritura ensina a corrigir: “Aquele que corrige o seu filho usará com frequência o chicote, para, no seu fim, alegrar-se. Aquele que educa o seu filho terá nele motivo de satisfação e entre os conhecidos se gloriará… Cavalo não domado torna-se intratável; filho entregue a si mesmo torna-se atrevido” (Eclo 30,1s.8). Vale a pena ler todo este trecho: Eclo 30,1-13. Numa linguagem própria de outros tempos, a lição permanece válida; é atualíssima e urgente: quem ama corrige, quem ama dá limites, quem ama exige, quem ama faz o outro crescer e, quando necessário, por amor, castiga! Assim Deus tratou Israel; assim nos trata! “Ditoso o homem a quem Deus corrige: não desprezes a lição do Altíssimo, porque Ele fere e pensa a ferida, golpeia e cura com Suas mãos” (Jó 5,17s).
O Senhor, portanto, julga Israel: (a) Nenhum adulto daquela geração entrará na Terra Prometida; nenhum haverá de vê-la! Porque não creram, não haverão de vê-la! Até mesmo Moisés deverá sofrer esta punição, pois por fraqueza, pensou como o povo e não como Deus (cf v. 37).
Israel é teimoso. Resolve, então “subir” para a Terra Prometida por conta própria, sem o Senhor: “Eu não estarei em vosso meio!” As consequências aparecem: Israel é miseravelmente derrotado! E chora sua dor! “Voltastes e chorastes diante do Senhor mas o Senhor não ouviu os vosso clamores e nem vos deu atenção!”
A ordem do Senhor é clara; e Israel terá que obedecer, querendo ou não: “Quanto a vós, voltai-vos! Parti em direção ao deserto!” (v. 40). Israel passará cerca de quarenta anos vagando pelo Sinai! É a duração de uma geração; a geração infiel! Nunca se esqueça: o Deus de amor e compaixão, de ternura e piedade, é também um Deus exigente, que nos educa e corrige! E isto vale para cada um de nós e para a Igreja inteira!

8. Para meditar:
Reze estes versículos com todo o seu coração: Sl 18/17,2-3; Sl 91/90; Sl 84/83,9-13; Na 1,7.
Lembre: Confiar no Senhor, é bom confiar; bom, esperar sempre no Senhor!
Reze também Jt 8,25-27 

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