A Quaresma e a abstinência

Uma das características do tempo da Quaresma, é a penitência, sobretudo no comer e no beber. Na verdade, o tempo quaresmal é determinado por exatos 40 dias de renúncia de determinados alimentos. O jejum e a abstinência têm quatro sentidos muito específicos e claros: (1) Ensina-nos que somos radicalmente dependentes de Deus. Na Escritura, a palavra nephesh significa, ao mesmo tempo, vida e garganta. Nossa vida não vem de nós mesmos, não a damos a nós próprios; nós a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a água que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos certa fraqueza e lerdeza... A prática do jejum, impede a ilusão de pensar que a nossa existência, uma vez recebida, é autônoma, fechada, independente. Nunca poderemos dizer: “A vida é minha; faço como eu quero!” A vida será, sempre um dom de Deus. Essa dependência nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos horizontes, nos livra da autossuficiência e nos faz compreender “na carne” nossa própria verdade, recordando-nos que a vida é para ser vivida em diálogo de amor com Aquele que no-la deu. (2) O alimento é um de nossos instintos mais fundamentais, juntamente com a sexualidade. A abstenção do alimento nos exercita na disciplina, fortalecendo nossa força de vontade, aguçando nossa capacidade de vigilância. O próprio Jesus e a Escritura nos exortam à vigilância e à sobriedade. O jejum e a abstinência são um treino para que sejamos senhores de