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Homilia para o XXIX Domingo Comum - Ano B

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Meditação 12 | Retiro Quaresmal - “São estas as palavras...”

February 27, 2018

Reze o Salmo 119/118,89-96
Agora, leia com piedade e um coração que escuta Dt 9

1. Observe com cuidado os vv. 1-6: O Senhor Deus recomenda a Israel que preste bem atenção: “Ouve bem!”: o povo conquistará a terra não por seus méritos, não por sua força, mas porque o Senhor está com ele, como Deus presente e fiel: Ele cumprirá a promessa aos Pais, Abraão, Isaac e Jacó e castigará os pecados dos cananeus. Note que Israel procurou meditar e compreender o motivo de Deus, que ama a toda criatura, ter expulsado da terra de Canaã os seus primitivos habitantes (cf. Sb 12,3-11)! Uma coisa é certa, a Providência do Senhor, que tudo governa com medida e ordem, sabe, de modo que nos ultrapassa, tudo levar adiante, num emaranhado de motivos, de razões, de pedagogia que somente o Eterno mesmo conhece, na Sua infinita Sabedoria (Sb 12,19-22)! Quanto a nós, a mim e a você, somente na fé podemos acolher e compreender que estamos sempre nas Suas mãos benditas!
Você acredita, realmente, que tudo está nas mãos do Senhor, que Ele tudo dirige? Pense: “A misericórdia do homem é para com o seu próximo, mas a do Senhor é para com toda carne: admoesta, corrige, ensina, reconduz, como o pastor, o seu rebanho” (Eclo 18,13).
Reze o Salmo 33/32. Medite também Eclo 39,12-35/16-41.

2. Moisés recorda com ênfase, o grande pecado de Israel: “Lembra-te! Não esqueças que irritaste o Senhor teu Deus no deserto!” Recordar nossas faltas é pedagógico: faz-nos reconhecer e proclamar o perdão, o amor e a misericórdia do Senhor e, por outro lado, leva-nos à vigilância para não mais tornar a cair! Uma coisa é certa: triste de quem nega que caiu e se pensa justo e puro diante de Deus! Reconhecer o pecado e confessá-lo diante do Senhor é o início da salvação! Reze o Sl 32/31…
Neste trecho do Deuteronômio, que estamos meditando, Moisés recorda o triste acontecimento do bezerro de ouro! Mais uma vez, aparecera aí a dureza de coração de Israel: trata-se de um povo de cerviz dura, que sempre quer fazer do seu modo; desejando uma auto-segurança!
Qual fora o grande pecado de Israel com esse bezerro? Primeiro a impaciência e a impertinente autonomia: Moisés estava já há quarenta dias sobre o Horeb e nada de voltar. O povo sentiu-se inseguro! No entanto, é impressionante: no aperto, na incerteza, sentindo-se inseguro, Israel não reza, não procura o Senhor, não busca o Seu socorro, não procura Sua luz; resolve do seu modo e decide, então, por própria iniciativa, fazer um bezerro que represente o Senhor! É uma busca de segurança, do seu modo, nos seus critérios, como que para controlar Deus, tê-Lo por perto num objeto concreto! Ora, Deus não Se deixa nunca aprisionar! Ele está conosco porque quer, porque é amor, porque é fiel! Nada aprisiona, nada força o Senhor: Ele é livre, Ele é soberano! Nós pertencemos a Ele, mas Ele não nos pertence; Ele nos tem nas Sua mãos; nós não O podemos engaiolar, controlar, possuir, perscrutar, circunscrever!

3. Observe ainda: com o maldito bezerro, Israel procura prestar culto a Deus de um modo que Ele não determinou, não autorizou e não aceita! Nunca esqueça disto, que anda atualmente muito esquecido: não somos nós quem determinamos como vamos servir a Deus, mas é Deus Quem determina o culto que Ele deseja! Isto tem várias consequências: (a) nosso culto tem que brotar de um coração amoroso, piedoso, fiel, obediente aos Seus preceitos; (b) nosso culto tem que ir junto com o amor ao próximo, sobretudo aos necessitados, aos pobres, aos desvalidos da vida; (c) nosso culto deve ser de acordo com o que a Igreja, na sua disciplina sempre fiel à Tradição determina, como expressão de docilidade ao Espírito de Cristo que a guia e orienta; (d) nosso culto deve ser teocêntrico, isto é, ter como centro a Deus, e cristológico, ou seja, deve ser através de Cristo e segundo Cristo, no Espírito Santo! A regra básica do culto verdadeiro não é a criatividade nem a autocelebração da comunidade, mas a fidelidade ao Senhor! Nunca esqueça disto! Nada de invenções e criatividadezinhas na Liturgia! Liturgia se celebra fielmente; não se inventa! O centro dela é Jesus nosso Senhor que, no Espírito, nos leva ao Pai; não um celebrante artista ou ator, não uma comunidade que se auto-celebra e se fecha sobre si própria!

4. No v. 10 há uma referência ao “Dia da Assembleia”; trata-se de uma ideia muito importante: “Yom Qahal” (cf. Dt 4,10-14). Leia Ex 19,16 – 20,21: é o Dia da Assembleia! Trata-se do Povo de Deus todo reunido de modo solene, litúrgico, diante de Deus para escutar Sua Palavra e responder-Lhe “Amém! Tudo o que o Senhor disse, nós o faremos!” (Ex 19,8; cf. Ex 24,3.7) Neste dia solene, a Aliança entre o Senhor Deus e Israel foi selada: depois que o Povo respondeu seu “amém” ao Senhor que lhe falara, um altar foi erguido, cordeiros foram imolados e seu sangue aspergiu o altar, representando o próprio Deus, e o Povo; Moisés explicou: “Este é o sangue da Aliança que o Senhor fez convosco!” (Ex 24,8) Tudo isto era imagem da realidade que viria: o sangue do Cristo Jesus, Cordeiro imolado, no sacrifício da nova e eterna Aliança de Deus com o Novo Israel, que é a Igreja (cf. Hb 9,18s; Mt 26,28; 1Pd 1,2). Ainda hoje, em cada celebração do Sacrifício eucarístico, sobretudo aos domingos, Dia da Igreja, da Assembleia dos fieis, o Novo Povo escuta a Palavra que o Senhor lhe dirige, responde “Amém! Graças a Deus” e é celebrado sobre o Altar sagrado o memorial da Páscoa do Cordeiro, com o sangue da “Nova e Eterna Aliança, derramado por vós e pela multidão, para a remissão dos pecados” (Mt 26,28).

5. Outra ideia importante: Moisés intercedendo pelo povo pecador é imagem de Cristo que intercede por nós. Jesus é o verdadeiro Moisés, prometido já no Antigo Testamento. Leia Dt 18,15.
Observe também que Moisés pede ao Senhor Deus pelo povo invocando a memória de Seus amigos do passado, os Pais de Israel, Abraão, Isaac e Jacó. Para Deus, esses santos Patriarcas vivem! É o que Jesus vai explicar ao saduceus, para lhes mostrar que, já na Torá, está, em semente, a ideia da ressurreição: os amigos de Deus nunca se separarão Dele, nem na vida nem na morte. Leia Mc 12,18-27; Rm 8,38s. Dois grandes erros que devem ser evitados na nossa fé: (1) negar que os mortos ressuscitam e (2) pensar que os que morrem ficam numa espécie de sono até o Juízo Final. Está muito errado quem pensa e ensina isto! Dormimos no nosso corpo, mas nossa alma estará bem consciente! Sobre isto, veja
=> Lc 16,23-31 (o rico, morto, não está dormindo, mas bem consciente; é o seu corpo que dorme, não sua alma);
=> Fl 1,21 (para o Apóstolo, morrer é lucro porque ele sabe que vai logo estar com Cristo – cf. Fl 1,23);
=> 2Cor 5,8s (deixamos a tenda deste corpo para ir morar com o Senhor e lá, na Glória, enquanto esperamos a ressurreição final, do nosso corpo, procuramos ser-Lhe agradáveis).

6. Reze o belíssimo Salmo 73/72: Já no Antigo Testamento, o fiel sabe que seu grande bem é estar com Deus para sempre!

7. Observe também como Moisés jejuou quarenta dias! Aí estão as raízes da prática quaresmal:
=> os quarenta dias do Dilúvio, quando o Senhor Deus purificou a Sua criação (cf. Gn 7,4);
=> os quarenta anos de Israel no deserto, preparando-se para entrar na Terra Prometida; os quarentas dias de caminho de Elias até o Monte de Deus (cf. 1Rs 19,8);
=> os quarenta dias de jejum por parte do Cristo, nosso Senhor (cf. Mc 1,12s)! 
Uma coisa é certa: não se cresce na vida espiritual e na amizade com Deus sem a oração, sem a disciplina espiritual, sem a penitência, sem a mortificação, sem o combate aos vícios, sem a vigilância! Pense nisto e examine sua própria vida!

8. Veja, nos vv. 25-29, a belíssimo súplica de intercessão que Moisés, servo de Deus, faz pelo Povo de Israel. Faça esta oração pela Igreja, o novo Povo de Deus!

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