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March 4, 2018

Reze o Salmo 119/118,121-128
Agora, leia com piedade, com atenção e um coração que escuta Dt 12

1. Depois do discurso de Moisés, recordando o passado e exortando Israel, o Povo Santo, os capítulos 12-26 do Deuteronômio apresenta um conjunto de leis e exortações, um código de conduta para um povo que pertencia ao Senhor. Como um cristão deve ler estes textos? Certamente, não pensando em colocar em prática essas observâncias que, em Cristo, foram assumidas e cumpriram sua função. Como já expliquei em outras meditações, a nova lei do cristão é o Espírito de Amor, Espírito de Cristo derramado em nossos corações (cf. Rm 5,5). Esse Espírito Santo e santificador, anunciado pelos profetas para os tempos do Messias, imprime no coração dos fieis os mesmos sentimentos do Cristo Jesus, Suas atitudes, Sua obediência ao Pai, Seu amor pelos demais. Esta, portanto, é a Lei de Cristo: a lei do amor como Cristo e em Cristo: “Carregai o fardo uns dos outros e assim cumprireis a Lei de Cristo” (Gl 6,2) Já escrevi sobre isto no âmbito destas meditações. Que fique bem claro: do Antigo para o Novo Testamento, passa-se de uma Lei expressa em preceitos precisos e concretos para uma Lei inscrita no próprio coração, uma Lei expressa em atitudes, fruto da ação da Pessoa Divina, o Santo Espírito. Isto já fora prometido no próprio Antigo Testamento: “Eis que virão dias – oráculo do Senhor – em que selarei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova. Não como a aliança que selei com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para fazê-los sair da terra do Egito... Porque esta é a aliança que selarei com a casa de Israel depois desses dias, oráculo do Senhor. Eu porei a Minha Lei no seu seio e a escreverei em seu coração. Então, Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo” (Jr 31,31-33).
Ler e meditar nos preceitos do Antigo Testamento é importante para um cristão para que ele conheça o Coração do Senhor Deus, perceba como o Senhor foi conduzindo e educando o Seu Povo Eleito e, ao mesmo tempo, que atitudes interiores o Senhor espera de nós, Seus fieis! Para um cristão, não se trata de cumprir literalmente esses preceitos, mas de interiorizar o seu sentido, compreendido agora, de modo mais pleno, à luz do Cristo nosso Senhor, que nos dá o Espírito no qual as Escrituras devem ser lidas e compreendidas!
Pense um pouco nisto tudo e perceba o quanto uma leitura fundamentalista do Antigo Testamento fere completamente o sentido cristão! Quem lê a Antiga Aliança de modo fundamentalista, não conseguiu fazer o passo da letra para o Espírito, do preceito externo para a atitude do coração, de Moisés para Cristo! Ora, “a Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo!” (Jo 1,17)

2. Nesta capítulo, insiste-se com força na unicidade do lugar do culto ao Senhor. O Deuteronômio inculca nos israelitas: um só Deus, um só culto, um só lugar de culto! Assim, ordena suprimir todos os lugares nos quais o Senhor fora invocado antes. Também ordena radicalmente suprimir todos os santuários pagãos e toda a memória dos ídolos, tudo que os recorde, tudo que possa levar Israel a ter parte com eles! Tudo isto para evitar o perigo da idolatria e do sincretismo! “Fica atento a ti mesmo!” – é a exortação que brota constantemente...

3. Como podemos compreender hoje estas graves exortações? Também nós somos o Povo de Deus, um Povo separado, santificado, vivendo no meios dos outros povos, os não-cristãos... Como devemos nos compreender e nos portar? Devemos nos fechar em nós e desprezar os demais? Devemos aceitar todas as religiões e todos os deuses como bons, iguais, expressões culturalmente diversas do único Deus, que é incompreensível, invisível e, assim, seria, no fundo o mesmo para todos? Devemos dizer que tanto faz ser católico como não ser, que a graça do Senhor Deus age do mesmo modo na Igreja que fora dela? O que pensar? Estas questões são sérias, pois dependendo das respostas que lhe demos, tem sentido ou não ser cristão católico, tem sentido ou não anunciar o Evangelho, tem sentido ou não viver e morrer pelo Cristo!
Antes de prosseguirmos, reze, com devoção e santo temor de Deus em Cristo, reze, sustentado pelo Espírito do Senhor Jesus Cristo, o Salmo 115/113B...

4. Agora, compreenda bem: o desejo do Senhor Deus, desde toda a eternidade, é que todos sejam salvos, isto é, todos cheguem à plena comunhão de Vida divina, de plenitude eterna com Ele, chegando ao conhecimento da Verdade (cf. 1Tm 2,4). Para isso, Deus foi Se revelando, esperando sempre que o homem lhe diga sim, pois, do contrário, sem liberdade, não pode haver verdadeira comunhão de amor…
Primeiro, Deus Se revelou na própria criação; nela, em tudo quanto fez, Ele deixou os Seus traços benditos, para que o homem, mesmo que de modo imperfeito, O procure, O reconheça como Criador, O adore e O louve (cf. Sb 13,1-9; Rm 1,20). Com o pecado, o homem tornou embotado o seu entendimento, de modo a confundir as criaturas com o Criador (cf. Rm 1,18-32).
Assim, as religiões, todas elas, trazem em si a procura, a saudade que o homem tem do Infinito, de Deus – e isto é bom e faz com que todas as religiões mereçam o nosso respeito; até mesmo porque se deve respeitar a consciência daqueles que seguem sua religião com reta intenção! Mas, esta busca é como que “às apalpadelas” (cf. At 17,27), de modo que, todas as religiões têm erros graves de percepção de Deus, de doutrina e algumas têm até mesmo sérias degenerações, a ponto de serem culto aos demônios (cf. 1Cor 10,20s).
Então, todas as religiões não-cristãs têm erros mais graves ou menos graves e quase todas essas religiões têm a bondade de exprimir a busca de Deus que o Criador imprimiu no homem. O que é bom nessas religiões? O que as aproximam de Cristo! O que é mau? O que afasta de Cristo!

5. Segundo ponto: Se Deus não Se tivesse revelado, poderíamos parar no tópico anterior… Mas, Deus Se revelou, abriu o Seu Coração a um povo: Israel, no Antigo Testamento, e à Igreja, Novo Israel, na Nova Aliança. Assim, sabemos qual a vontade do Senhor Deus, o que Ele deseja de nós, qual a Sua santa vontade! Portanto, longe de nós, cristãos, afirmar que todas as religiões são iguais! A religião revelada em plenitude (enquanto se pode falar em plenitude neste mundo…) é o cristianismo – e o cristianismo na sua expressão mais completa, sem que lhe falte nada de essencial, é o católico. As outras Igrejas (igrejas ortodoxas e vétero-católicas) e comunidades cristãs (surgidas da Reforma protestante) são mais ou menos completas quanto mais tenham ou não esses elementos essenciais… Fora do cristianismo, a religião mais completa é o judaísmo, pois que é a raiz santa da qual viemos nós! Incompleto, e, no entanto, agradável ao Senhor Deus, pois procura viver na Sua Palavra e espera o Messias que, no Dia Final, será manifestado em Glória também ao caro Povo do Antigo Testamento. Os muçulmanos, quando não são fanáticos e perseguidores dos cristãos, têm sementes de verdade, enquanto adoram ao Deus Único e Santo, Misericordioso e Transcendente, Deus de Abraão nosso Pai na fé.

6. Terceiro. Por tudo isto, nós temos o dever de evitar todo o erro, de arrancar do nosso coração tudo quanto nos afaste da Verdade que o Senhor Deus nos revelou desde a Antiga Aliança e, no final dos tempos, nos revelou em Cristo Jesus nosso Senhor! Toda a dureza que este capítulo do Deuteronômio manifesta para com o sincretismo, nós devemos levar a sério. Não com violência, não desrespeitando pessoas ou símbolos religiosos, não condenado as pessoas ao inferno, mas claramente, mantendo pura e sem contaminação a nossa fé e a nossa prática religiosa!
Ecumenismo (diálogo com os cristãos não-católicos) e diálogo interreligioso (nos relações e diálogo com os não-cristãos) não podem, de modo algum, significar relativismo ou sincretismo, numa mistura de religiões!
No entanto, que fique claro: é melhor crer do que não crer e jamais a diferença de religiões deveria ser motivo para litígios e guerras. Honra a Deus quem respeita a liberdade e a consciência dos demais! Alguns pensam: mas o erro não tem direito a se expressar! Erro não tem direito; como acerto também não tem direito! Quem tem direito são as pessoas, imagem de Deus, com o sacrário da sua consciência!

7. Quanto à salvação dos não-cristãos e dos não-católicos, façamos a nossa parte: amá-los, servi-los, dialogar com eles, procurar a unidade na verdade entre os cristãos… O restante, pertence ao Senhor Deus que tudo sabe e tudo pode! É Ele – e só Ele! – o dono da fé dos não-católicos, dos judeus, dos não-cristãos e até mesmo da fé dos ateus! Leia 1Tm 2,1-8 e At 10,34s. Somente mais uma coisa: A Igreja católica é de Cristo, mas Cristo não é da Igreja católica: Ele é livre, Ele é o Senhor, Ele é muito maior que a Igreja que Ele mesmo fundou e ama com amor de Esposo! O mundo todo habita em Deus totalmente, mas Deus não habita no mundo: está no mundo, no mais íntimo de cada ser, mas a todos ultrapassa e transcende tudo quanto existe e tudo quanto possamos imaginar! O mundo todo está na palma de Sua mão bendita! Quem pode imaginar um Deus assim? Quem pode pronunciar o Seu Nome? Quem pode compreendê-Lo? Silêncio! Ele é Santo! Vinde, adoremos! Como dizem os judeus, “Ele, o Senhor, é o lugar onde está o Universo, mas o Universo não é o Seu lugar!”

8 Agora, relendo este capítulo, pense bem:

(A) O único lugar de culto que Deus quer é o seu coração, um coração que seja todo para Ele, sem divisão!

(B) Tudo aquilo que concorre com Deus no seu coração você deve destruir, deve redefinir, deve impedir que se torne um maldito ídolo na sua vida! Quais são os seus baals e as suas malditas asherás?
Recorda! Não te esqueças: o Senhor nosso Deus é o único Senhor!
Mais uma coisa: você tem fugido de situações e de pessoas que o levam a se afastar de Deus? Tem todo o cuidado de não se colocar em situação de perigo? Lembre da firme exortação do único Senhor e Salvador nosso, Jesus Cristo: leia Mt 18,7-11. 

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