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1. Logo no início, uma afirmação surpreendente: “Sois filhos do Senhor vosso Deus” (v. 1). Como compreender tal afirmação, que seria mais própria da Nova Aliança? 
Antes de tudo, aqui não se trata da filiação que os cristãos recebem no Batismo! Neste sacramento de salvação, recebe-se o Espírito do Filho Jesus Cristo imolado e ressuscitado (cf. Rm 8,15s; Gl 4,6s), de modo que nos tornamos participantes da Natureza Divina (cf. 2Pd 1,4) e podemos verdadeiramente, com toda a propriedade, chamar de Pai, Abbá, o nosso Deus! No Espírito de Cristo, o cristão participa efetivamente do ser filial do Filho Jesus! Como um humano gera outro humano, como cada ser vivo gera outro de sua espécie, em Cristo, recebendo o Seu Espírito, somos “re-generados” (gerados de novo), agora, segundo o Espírito, como verdadeiros filhos de Deus! O que o Senhor Jesus é por natureza, nós fomos tornados por adoção filial. Leia 1Jo 3,2! Esta filiação e real: no Novo Testamento, afirmar que a filiação é adotiva significa dizer que ela tem todos os efeitos legais, verdadeiros de um filho natural!

2. Nunca esqueça: esta filiação que recebemos tem sua origem e raiz em Jesus nosso Senhor: Ele é o Filho eterno do Pai, do mesmíssimo Ser divino do Pai, da mesma Substância do Pai! Jesus é, pessoalmente, feito homem, o Deus-Filho de Deus-Pai desde sempre e para todo o sempre. Pois bem, o Filho eterno de Deus fez-Se filho dos homens verdadeiramente para fazer de nós, filhos dos homens, verdadeiramente filhos de Deus por verdadeira adoção! Assim, Jesus nosso Senhor, pela Sua bendita Encarnação, tornou-Se Filho de Deus feito homem. Isto aparecia bem presente no modo como Ele, nos dias de Sua vida terrena, referia-Se ao Deus de Israel: chamava-No “Abbá-Papai”! Ninguém tratava assim o Santo de Israel, o Deus eterno, o Misterioso! Os judeus costumavam dizer “nosso Pai”, mas, em sentido largo: Pai porque criou, Pai porque gerou Israel, Pai porque cuida do Seu Povo Eleito, Pai porque dá vida... Mas, um judeu piedoso jamais pensou que nós fôssemos re-generados, nascendo de Natureza Divina, que tivéssemos uma filiação co-natural com a própria Divindade! Isto jamais passou pela cabeça de um judeu! No entanto, Jesus chama o Deus de Israel de “Meu Pai, Meu Abbá” (cf. Mc 14,36; Jo 20,17)! Jesus nunca diz “nosso Pai”! Ele é o Filho único, Unigênito do Pai, um com o Pai! Quanto a nós, pelo Batismo, recebendo o Espírito Santo do Filho, podemos chamar realmente a Deus de Pai – meu Pai, nosso Pai: “Quando orardes dizei: ‘Pai nosso’!” (Lc 11,2; cf. Mt 6,9) Observe que Jesus nos manda rezar assim, mas Ele mesmo não reza! Ele só diz “Meu Pai!”, porque Deus é Seu Pai de modo absolutamente único e inefável e misterioso!

3. Pense: você recebeu, no Batismo, o Santo Espírito do Filho, que clama no seu coração “Abbá-Pai!” Esse Espírito bendito dá-lhe os sentimentos do Cristo Jesus (cf. Fl 2,5), sentimentos de profunda confiança, de profundo amor filial... Assim, pensando na sua vida, nos desafios do seu caminho, deixe-se, agora, conduzir pelo Espírito do Filho e reze, novamente, a oração do Beato Charles de Foucault:

“Meu Pai,
Eu me abandono a Ti,
Faz de mim o que quiseres.
Por tudo que fizeres de mim,
Eu Te agradeço.

Estou disposto a tudo, aceito tudo,
Desde que a Tua vontade seja feita em mim
E em todas as Tuas criaturas.
Nada mais quero, meu Deus.

Nas Tuas mãos entrego a minha vida;
Eu Ta dou, meu Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque Te amo
E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas Tuas mãos sem medida,
Com uma infinita confiança,
Porque Tu és o meu Pai!”

4. Vou repetir para que fique bem claro: neste texto do Deuteronômio, quando Moisés diz que os israelitas são “filhos do Senhor Deus”, trata-se dum sentido figurado: são filhos não porque participem da Natureza Divina ou tenham a participação messiânica no Espírito do Filho Jesus, que habita neles, mas sim porque “tu és um povo consagrado ao Senhor teu Deus: foi a ti que o Senhor escolheu para que pertenças a Ele como Seu Povo próprio, dentre todos os povos que existem sobre a face da terra” (v. 2). Portanto, nunca esqueça: a graça da filiação divina em Cristo só nos vem neste mundo pelo sacramento do Batismo: este é o maior dom que recebemos nesta vida! Nascidos naturalmente filhos da ira (cf. Ef 2,3) , por graça, tornamo-nos, no Espírito do Filho, filhos de Deus! Ninguém recebe a adoção filial sem o Batismo!
Pensando nisto, responda: Você tem consciência da graça do seu Batismo? Qual a data do seu Batismo? Você a celebra com piedade e coração agradecido? Vai à Missa nesse dia? É o dia mais importante da nossa existência, dia no qual nos tornamos filhos de Deus, nascendo da pia batismal, útero fecundo e santo da nossa Mãe católica! Como canta a Igreja na Vigília Pascal: “Do que nos valeria ter nascido, se não nos redimisse em Seu amor?”

5. Os vv. 3 -21 tratam dos animais puros e impuros. Pela Morte e Ressurreição do Senhor nosso, toda a criação foi purificada! O cristão não tem nem pode ter nenhuma dieta alimentar de cunho ritual! Em Cristo, tudo foi renovado (cf. Ap 21,5), tudo foi recriado (cf. 2Cor 5,17), tudo foi declarado efetivamente puro (cf. Mc 7,18; At 11,9). Um cristão nunca considera alimento algum impuro no sentido da Lei de Moisés!

6. Os vv. 22-29 tratam do dízimo, isto é, a décima parte do que se ganha, que deveria ser oferecida “para que aprendas continuamente a temer o Senhor teu Deus” (v. 23). O dízimo, no sentido estrito, é um preceito da Lei de Moisés, mas não do cristianismo! Em Cristo, não se está obrigado a dar dez por cento do que se ganha, mas quanto o coração determinar; um coração que ame o Senhor que nos deu tudo (cf. At 4,32-35; 2Cor 8,7ss)! Este “dízimo” além de nos educar, abrindo nosso bolso para reconhecer que o Senhor é Deus de toda a nossa existência, também de nossos bens materiais, serve ainda para sustentar os ministros sagrados e as obras do culto, da evangelização e da caridade para com os necessitados. A contribuição para o sustento da Igreja é uma obrigação de amor! Sobre isto, leia: Gn 14,17-20; Nm 18,20s; Ml 3,10; Lc 10,7; 1Tm 5,17s. Pense: você leva a sério o seu dízimo? Ele é um bom teste da efetividade da sua fé, do seu compromisso com a Igreja e com as obras de evangelização... Muita coisa não e feita na Igreja por falta de recursos… E os recursos faltam porque os filhos da Igreja não assumem, com seriedade, o sustento das suas necessidades econômicas em prol do anúncio do Reino de Deus! Triste realidade!

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