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Meditação 23 | Retiro Quaresmal - "São estas as palavras..."

March 12, 2018

Reze o Salmo 119/118,1-8
Agora, leia com piedade, com atenção e um coração que escuta Dt 16,18 – 17,20.

1. Ainda o finzinho do capítulo 16, os vv. 20. O texto santo muda, de repente, de assunto: fala dos juízes do Povo Eleito: eles devem ser justos e nunca perverter o direito. Assim, Israel possuirá estavelmente a terra... Por que esta mudança de tema, logo após falar sobre as festas de Israel? É porque a justiça verdadeira e profunda é fruto do temor de Deus! Um povo que se abre ao Senhor, que celebra Suas festas, que traga a memória do Eterno nos seus tempos, lugares e situações da vida, é um povo que amará a justiça e o direito, que se reconhecerá como uma comunidade de irmãos. Nunca esqueça: quem, de verdade, teme e ama ao Senhor, respeitará com todo o seu coração a dignidade e o direito do seu irmão; o fundamento da justiça, da retidão, da fraternidade, do respeito pelo direito dos demais, sobretudo do fraco, do pobre, do desvalido, é o temor do Senhor, a abertura de coração para o Eterno! Uma sociedade fechada para o Santo é uma sociedade doente que, cedo ou tarde, se decomporá! Reze o Sl 52/51 e o Sl 53/52. Lembre sempre de dizer o “Glória ao Pai...” ao fim de cada salmo. É o modo de recordar e de indicar que rezamos aquele texto do Antigo Testamento com o coração e os lábios de cristãos!

2. Agora, os vv. 21s: o Senhor Deus não aprova, não aceita e não tolera o sincretismo! Israel não pode erguer um poste sagrado aos baals ao lado do altar do Senhor! Israel não erguerá uma estela cultual (uma pedra em honra de uma divindade) aos ídolos num lugar onde o Senhor Deus é honrado! O Senhor não aceita sincretismo, nem no Antigo nem no Novo Testamento (cf. Mc 12,28-30)! Esta percepção é totalmente válida, é plenamente pertinente, é absolutamente inegociável também nos dias de hoje!
Respeito pelas convicções religiosas dos demais, sim;
respeito aos seus ritos e símbolos, sim, pois, graças a Deus, crescemos na percepção da liberdade de consciência e da liberdade religiosa!
Mas, dizer que todas as religiões são igualmente boas, não!
Dizer que todas as religiões são iguais, não!
Dizer que todas as religiões são apenas parte da mesma Verdade, não!
Misturar cultos, rezar e adorar juntamente com não-cristãos, não!
Toda oração cristã é em Nome de Jesus Cristo e através de Jesus Cristo: “Não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos!” (At 4,12)! Ainda se pode, de certo modo, com boa vontade, rezar com os judeus, pois que esperam o Messias, que é Jesus, nosso Senhor. Com os muçulmanos, ainda que adorem o Deus de Abraão nosso pai, é bem mais complicado, pois que não têm esta expectativa messiânica, apesar do seu monoteísmo de inspiração bíblica... Já que as demais religiões, a atitude correta, cristã, é de respeito sincero, mas não de oração em comum! Com judeus e muçulmanos, nós nunca podemos dizer: “Pai nosso” no sentido cristão! Isto somente pode ser pronunciado no espírito do Filho Jesus Cristo, Espírito recebido no Batismo, que clama em nós Abbá, ó Pai (cf. Rm 8,15; Gl 4,6). O respeito pelos demais, o respeito pela consciência daqueles que têm prática religiosa diversa da nossa não exige nem inclui que neguemos a convicção e a certeza da verdade da nossa fé nem nos obriga a disfarçar, de modo artificial, pouco profundo e pouco honesto, a unicidade de Cristo Jesus, o Unigênito de Deus, o Enviado do Pai, o único que nos pode dar a conhecer o Deus verdadeiro (cf. Jo 1, 18), Ele, Cabeça da Sua Igreja una, santa e católica! Veja a atitude de Jesus nosso Senhor para com a samaritana (cf. Jo 4,19-22). Sempre a verdade, com amor, com respeito, com paciência, com benevolência... Mas, sempre a verdade!

3. No capítulo 17, os vv. 1-7, tratam ainda do ciúme de Deus: o Senhor não aceita resto, não aceita que Lhe demos o que já não nos serve, não aceita um coração propositalmente rebelde! Porque ama o Seu Povo totalmente, espera um amor total! A Aliança tem uma cláusula clara de exclusividade e totalidade (cf. Ex 6,7; Jr 30,22; 31,33; 32,38); seu motivo de fundo é o amor, tanto que esta fórmula de aliança é também dita em linguagem esponsal: “Meu Amado é meu e eu sou Dele” (Ct 2,6). Deus é só para Israel, com todo o Seu amor; e espera que Israel seja todo para o Seu Deus, com todo o seu coração! Este exclusivismo de amor não é para ser compreendido em chave de intolerância ou ódio e desprezo aos demais, mas no seu sentido de entrega total, de amor apaixonado nas relações entre o Senhor Deus e o Seu Povo. A luta não é com os outros; a luta é conosco mesmo, com o nosso coração, para que seja total e integramente do Senhor! É a luta contínua do Antigo Israel e da Igreja, Novo Israel, e de cada um de nós! Leia Mc 12,41-44; Mt 11,12. Agora reze o Salmo 131/130.

4. Os vv. 8-13 voltam a falar sobre a justiça. Se os juízes de Israel devem ser justos e tementes a Deus, o filhos de Israel devem ser respeitosos para com as sentenças. O respeito às leis e às autoridades constituídas são um preceito na Antiga Aliança e também na Nova. Leia 1Tm 2,1-3; 1Pd 2,13-17. Neste contexto de caminho quaresmal, é bom perguntar-se: Você tem cumprido as leis do País? Obedece as leis de trânsito? Paga suas taxas com responsabilidade social? Reza pelas autoridades constituídas? Seu voto é pensado, consciente, procurando informar-se sobre os candidatos e seus programas? Você se preocupa com o bem comum?

5. Os vv. 14-20 tratam do rei de Israel. A Escritura vê sempre o rei com desconfiança, porque o verdadeiro Rei de Israel é o Senhor Deus. Observe que o texto deste capítulo concorda que exista um rei, mas com queixa: não é preceito do Senhor que exista um soberano, mas é uma reivindicação do Povo de Israel: “Quero estabelecer sobre mim um rei, como todas as nações que me rodeiam”... Veja o princípio do pecado: ser como todas as nações! Mas, Israel não um povo como os outros! Israel é um povo consagrado ao Senhor! É como você: você pertence ao Senhor, a Ele consagrado no seu Batismo! Como pode você pensar, falar, viver como os pagãos, que não conhecem o Senhor? Como você pode achar normal, diante de Deus, ser como todo mundo? Você pertence ao Senhor! Leia Jo 15,18-19; 1Pd 2,9-10.
Mas, Deus concede o que o povo deseja... Contudo, o rei de Israel é sempre escolhido pelo Senhor, consagrado por Ele: o rei torna-se, então, o ungido do Senhor. Mas, esse rei não é o dono do povo: “é um dos teus irmãos” (cf. vv. 18s)... Somente o Senhor é o dono de Israel, como somente Cristo é o Senhor, o Pastor, o Guia da Sua Igreja! Por isso mesmo, o rei, mesmo no trono, deverá sempre ter diante de si a Lei do Senhor. O texto chega mesmo a dizer que o rei, “quando subir ao trono real, deverá escrever num livro, para seu uso, uma cópia desta Lei, ditada pelos sacerdotes levitas” (v. 18). O próprio rei deve copiar a Lei, para decorá-la, para gravá-la na mente e no coração! Em Israel, ninguém está acima da Lei do Senhor - nem o rei! -, que deve ser o seu primeiro guardião! Na Igreja, ninguém está acima do Evangelho transmitido ininterruptamente segundo a Tradição Apostólica, nem mesmo os pastores da Igreja, seja o Papa ou sejam os Bispos! Leia Mt 23,8-12.

6. Reze o Sl 80/79. Lembre-se: no Antigo Testamento, os pastores do Povo são os seus guias, seus líderes: o rei, os sacerdotes, os profetas, os escribas e os anciãos do povo. Na Igreja, os pastores são os guias do povo: aqueles que foram consagrados pelo Sacramento da Ordem nos graus do sacerdócio: o Bispo de Roma (o Papa) e demais Bispos e os presbíteros (padres). Os diáconos não são propriamente pastores do Povo, apesar de exercerem um ministério de certa liderança e direção, mas sempre em total dependência do Bispo e certa dependência dos presbíteros...

7. Reze o Salmo 20/19 pelo seu Bispo, que é o Vigário de Cristo na sua Diocese.

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