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Homilia para o XXIX Domingo Comum - Ano B

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Meditação 24 | Retiro Quaresmal - "São estas as palavras..."

March 13, 2018

Reze o Salmo 119/118,9-16
Agora, leia com piedade, com atenção e um coração que escuta Dt 18

1. Os vv. 1-8 tratam dos levitas. Segundo as Escrituras, o Senhor escolhera a Tribo de Levi como tribo sacerdotal. Todo o Povo de Israel é um povo sacerdotal: diante de Deus, intercede por todos os povos da terra e diante dos povos dá testemunho do Senhor Deus, o Único, o Verdadeiro! Mas, para que esse povo possa exercer seu sacerdócio, o Senhor escolhera a Tribo de Levi para o serviço litúrgico. Por isso, os levitas não tinham herança de território em Israel: “O Senhor é sua herança!” (v. 2). Sendo assim, era responsabilidade dos fieis, proverem o sustento dos levitas: eles tinham direito a uma parte nos sacrifícios, de modo a puderem sobreviver. Já vimos em vários textos do Deuteronômio a recomendação de cuidar do levita, sobretudo do levita “matuto”, aquele que morava fora de Jerusalém, onde não havia culto a ser celebrado... Pense um pouco: Também os ministros da Igreja são sacerdotes do Novo Testamento, pois que, sacramentalmente, fazem as vezes do Cristo, o único Sumo e Eterno Sacerdote... Pelos sacerdotes e nos sacerdotes da Igreja é o próprio Cristo Senhor Quem apascenta, ensinar santifica o Seu rebanho. É, pois, dever da Igreja prover o sustento de seus ministros. E aqui, quando se fala em Igreja, significa, sobretudo, a comunidade à qual o ministro serve. Pense, então: Você reza pelo seu Bispo e pelos sacerdotes? Você é atento e responsável quanto ao “dízimo”, que tem, entre várias outras coisas, a finalidade de prover o sustento dos que pregam o Evangelho (cf. 1Cor 9,14)? Os ministros da Igreja não devem nunca enriquecer às custas dos fieis! Devem ter uma vida simples, frugal, modesta. Mas, não devem passar necessidade; devem ter uma vida digna, com um sustento que lhes dê o necessário para uma existência serena do ponto de vista material. Pense nisto...

2. O Texto sagrado fala também das práticas pagãs, supersticiosas, mágicas, que o Povo santo, sacerdotal, deveria evitar! Para o Senhor Deus, tais práticas são abominações! Eis algumas delas: sacrificar seus filhos aos ídolos ou fazendo-os passar pelo fogo, num maldito rito de purificação ou, pior ainda, matando-os e jogando-os no fogo em honra de Moloc (cf. 2Rs 17,7; Sl 106/105,37s); fazer previsão do futuro dos modos mais variados, inclusive invocando os mortos. Tudo isto é abominação gravíssima, pois quem tem ao Eterno como Deus, sabe que nada existe fora de Suas mãos benditas; Ele que tudo governa com Sua benevolente providência! É um insulto ao Santo, uma prova de desconfiança Nele, um pensamento ímpio pensar ou agir como se houvesse coisas que escapam ao controle do Eterno, recorrendo a horóscopo, magia, centros de invocação de mortos, feitiçarias e coisas do gênero! São abominações! “Quem pratica essas coisas é abominável ao Senhor! Tu serás íntegro para com o Senhor teu Deus!” (vv. 12.13). Leia e reze Sb 9,13-18; 11,21-26/22-26.

3. Pense: Você tem colocado sua vida nas mãos do Senhor? É supersticioso? Consulta horóscopos? Alguma vez dirigiu-se a centros espíritas ou cultos de matriz africana ou similares? Tudo isto é absolutamente proibido para um cristão! Lembre-se: “Tu será íntegro para com o Senhor teu Deus!” Mas, também é preciso perguntar: colocou sua segurança nos seus bens materiais ou imateriais? Preocupa-se de modo doentio com o futuro, ou coloca no Senhor a sua esperança? Quem é a sua segurança? Onde está a sua esperança? É preciso fazer aqui um sério exame de consciência!

4. Os vv. 15-22 tratam da profecia. Preste bem atenção: o Senhor Deus proíbe a magia, a consulta de adivinhos e de práticas supersticiosas. Quem desejar conhecer o futuro e saber sobre o reto procedimento deve, isto sim, consultar o Senhor! Para isto está aí a Palavra do Senhor, nas Escrituras e na boca dos Seus profetas. É este o sentido da afirmação de Jesus na parábola do rico epulão e do pobre Lázaro. Não é consultando mortos ou ouvindo adivinhos, mas escutando a Palavra do Senhor que orientamos realmente na verdade a nossa vida. O resto é ilusão. Leia Lc 16,27-31.

5. Ainda neste capítulo, o Senhor promete que enviará a Israel um profeta como Moisés. Leia os vv. 15.18. Os judeus interpretaram esta promessa como sendo a vinda do Messias, um Novo Moisés. Por isso, a pergunta feita pelos judeus a João Batista: “És o Profeta?” (Jo 1,21). Não se trata de apenas mais um profeta, mas do Profeta prometido aqui, neste passo da Escritura Santa! Esse Profeta, Novo Moisés, é Jesus nosso Senhor:
=> como Moisés perseguido por faraó, que queria matá-lo, Jesus foi perseguido por Herodes;
=> como Moisés escrevera os cinco livros da Lei, Jesus fez, em Mateus, os cinco grandes discursos do Reino (cf. Discurso da Montanha: Mt 5 – 7; Discurso da Missão apostólica: Mt 10; Discurso das parábolas do Reino: Mt 13; Discurso sobre a Igreja: Mt 18; Discurso sobre o fim dos tempos: Mt 24 – 25)
=> como Moisés, no Monte Sinai, recebeu a Lei, Jesus, no monte, sentado como Mestre, proclamou as bem-aventuranças do Reino;
=> como Moisés alimentou o povo no deserto com o maná, Jesus alimentou as multidões, multiplicando os pães; 
=> como Moisés foi o grande intercessor do Povo, Jesus foi o Mediador e Pontífice nosso pelo Seu sacrifício de cruz!

Por tudo isto, o Evangelho diz: “A Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo!” (Jo 1,17) Pense nisto! Adore o Senhor, o nosso Deus Salvador, Jesus, o Cristo!

6. Com Moisés, em certo sentido, inicia-se a profecia em Israel. Frequentemente, pensa-se que o profeta é aquele que prediz o futuro. Não! Esta ideia não existe nas Escrituras Santas! A palavra profeta (nabi) significa porta-voz, isto é, aquele que fala em nome de alguém; no caso, aquele que fala em nome de Deus! Durante toda a história do antigo Israel, o Senhor enviou uma multidão de profetas ao Seu Povo. Alguns deles tiveram suas profecias, isto é, suas exortações, colocadas por escrito. Mas, muito maior é o número dos profetas que nada escreveram. O mais popular profeta de Israel foi Elias, que não escreveu nada! A missão do profeta é, basicamente, falar a palavra do Senhor Deus ao Povo, exortando-o a ser fiel à Aliança, a obedecer à voz do Senhor, ajudando o Povo a discernir a vontade de Deus nas várias situações da história! Como consequência, os profetas ameaçam com bênçãos ou maldições o futuro de Israel, dependendo da obediência ou da desobediência ao Senhor Deus! Leia, medite, reze Br 1,15 – 2,10. Porque Israel não escutou o Senhor que lhe falou pelos profetas, terminou no Exílio! Ainda hoje Deus nos envia profetas: pessoas que Ele escolhe e inflama o coração com o fogo do Seu Espírito, de modo que essas pessoas falam claramente em Nome do Senhor! Quando o Povo de Deus os escuta, o coração arde, o instinto de fé dos fieis atesta interiormente que aquelas palavras não vêm de um simples homem, mas do próprio Senhor! Às vezes, essas palavras incomodam, denunciam, consolam, ameaçam, mas sempre edificam e instruem o rebanho do Senhor. Feliz o Povo que ouve os profetas que o Senhor lhes envia!

7. Como distinguir o verdadeiro do falso profeta? Observe que o texto do Deuteronômio dá dois critérios. O mais importante é este: o verdadeiro profeta fala sempre dentro da reta fé: jamais procura desviar o povo da verdade revelada por Deus! Um herege, um divulgador de doutrinas errôneas, jamais será um profeta verdadeiro! Ensinando o erro, ele fará o povo afastar-se de Deus! Segundo critério: a palavra do verdadeiro profeta se cumpre! Mas, atenção: pode cumprir-se de um modo que nem mesmo ele espera, mas de um modo que somente Deus pode conceber! Afinal, o profeta transmite uma palavra do Senhor, mas não é dono dessa palavra! Muitas vezes, a palavra que ele transmite tem significados e implicações que ele nem sonha! Releia todos estes versículos! Responda: você tem um coração aberto para escutar aqueles que falam em Nome do Senhor? Leia 1Tm 4; 2Tm 2,14-26; Tt 1,10-16. Reze Eclo 44,1-15.

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