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Reze o Salmo 119/118,17-24
Agora, leia com piedade, com atenção e um coração que escuta Dt 19

1. Este capítulo apresenta algumas realidades que, para serem compreendidas, é necessário conhecer um pouco da cultura do antigo Oriente Médio, onde Israel vive… Primeiro, as cidades de refúgio. O Senhor Deus manda que se instituam cidades nas quais quem cometeu um mal involuntário para com o seu próximo, possa nelas se refugiar. Observe que aqui aparece não somente o senso da justiça, mas também a atenção à intenção de quem comete o mal. Se foi por acidente, então aquele lá não deve ser punido. Afinal, o Senhor Deus vê o coração do homem, para além de toda a aparência (cf. Jr 17,9-10; 1Sm 16,7). Observe como a justiça humana deveria imitar a justiça divina, como o nosso coração deve ser reflexo do Coração de Deus…
E o seu coração? Cuidado, porque o coração humano é enganador (cf. Jr 17,9)! É preciso sempre colocar nosso coração, isto é, o nosso eu, diante do Senhor, que sonda o nosso coração! É necessário sempre de novo olhar Jesus nosso Senhor, aprender Dele, ter os sentimentos Dele (cf. Mt 11,28-30; Fl 2,5). Quando sabemos ler o Antigo Testamento, vemos já ali o Coração de Deus que, em Jesus nosso Senhor, revelará toda a Sua misericórdia, toda a Sua benevolência! Então, peça ao Senhor Jesus, Ele que é Imagem do Pai, um coração como o Dele: manso, humilde, justo, compassivo…

2. É neste horizonte que deve ser compreendida a lei do talião, tão mal interpretada: “Vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé!” (v. 21) Numa compreensão superficial, podemos ficar impressionados com tamanha ferocidade! Mas, é exatamente o contrário: esta lei é um princípio que orientava o juiz para que a pena fosse proporcional à falta! Ela, na verdade, recomenda a moderação contra o excesso, a prática da justiça contra o instinto de vingança! Compare com Gn 4,23… Aí, sim, aparece a crueldade, a ferocidade desmedida de Lamec: por uma ferida, pagou matando, por uma pequena contusão, matou uma criança! É isto que a lei do talião deseja conter, evitar e corrigir... Até que viesse o Senhor nosso Jesus Cristo, manso e humilde de Coração. Leia Mt 5,20-48. Mas, isto somente é possível para quem experimenta a Paternidade do Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Deus de Israel, a Quem Ele chama de Abbá, Papai!

3. O homem que cometesse um mal contra o outro, mesmo que involuntariamente, deveria fugir do vingador de sangue, o go’el! Compreendamos! Israel era, originalmente, um povo nômade, que perambulava pra lá e pra cá. Seria fácil matar um israelita… Quem defende um nômade, se ele não vive na cidade, para ser defendido por soldados e vingado por juízes? Entre os povos nômades, quem deve vingar o mal que alguém sofreu é o seu parente mais próximo: ele tem a obrigação de vingar a vítima, matando quem lhe fez o mal, e defender a propriedade e os direitos de seu parente mais fraco, se ele for injustiçado. Ele é o vingador de sangue, o redentor! É desse vingador que a pessoa se livra nas cidades de refúgio. Era assim que, as pessoas, sabendo que um homem tinha parentes que o poderiam vingar, não faziam mal a ele e respeitava o seu direito e a sua vida! Ora, segundo as Escrituras, o Senhor Deus é o go’el de Israel, o seu protetor, o seu defensor, o que vai à luta contra o seus inimigos (cf. Is 41,14; Jr 50,34; Sl 19/18,15). Ora, nós todos, toda a humanidade tem um go’el, um vingador de sangue, forte, potente, vitorioso, definitivo, que não derrama o sangue de outrem, mas o Seu próprio sangue: é Jesus, nosso Senhor! Ele é o nosso Redentor, o nosso Salvador, o nosso Vingador! Pensando em Jesus, que Se entregou ao Pai para nos salvar da morte eterna, reze o Sl 31/30.

4. Releia o v. 13… Cuidado com as fronteiras: somente o Senhor Deus é infinito, somente Ele ocupa todos os espaços e, fazendo-o, cria espaços para as criaturas! A terra de Israel e a terra da nossa vida pertencem somente ao Senhor e Ele distribui tudo segundo a Sua sábia providência! Devemos, pois, ter sempre o Senhor Deus diante dos nossos olhos e não querer tudo para nós! Não deslocar as fronteiras, não invadir os espaços alheios, seus direitos, sua personalidade, sua liberdade, sua dignidade, sua consciência! Ai dos que ocupam toda a terra até que já não haja espaço! A ganância é pecado gravíssimo; pisar o direito e desrespeitar o legítimo espaço dos próximos é pecado que clama aos Céus! Leia Is 5,8-9. Leia a triste história de Nabot (cf. 1Rs 21,1-24). Você reconhece seus limites? Você respeita o espaço dos demais? Você procura ser justo, reto, humilde diante do Senhor? Reze o Sl 131/130.

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