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Homilia para o XXIX Domingo Comum - Ano B

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Meditação 28 | Retiro Quaresmal - “São estas as palavra...”

March 17, 2018

Reze o Salmo 119/118,41-48
Agora, leia com piedade, com atenção e um coração que escuta Dt 21,22 – 23,1

1. Neste finzinho do capítulo 21, há uma prescrição para quem é enforcado, isto é, pendurado numa árvore. Afirma-se que esse pendurado é um maldito de Deus: “O que for suspenso é um maldito de Deus”... São Paulo aproveitou esta afirmação para contemplar o Cristo pendurado na árvore da Cruz. Daí tira uma bela lição: Cristo fez-Se maldição por nós a fim de que recebêssemos a bênção de Deus (cf. Gl 3,10-14). Aí, o Apóstolo procura mostrar que tanto os judeus quanto os gentios necessitam da salvação que somente Cristo nos pode conceder. Observe que o modo que São Paulo tem de interpretar as Escrituras é estranho para nós... É o modo utilizado pelos rabinos judeus daquela época! Mas, aqui, o importante é compreender que a nossa salvação custou a vida entregue, derramada, feita dom de amor do nosso Salvador, Jesus Cristo. O amor é precioso, o amor não se resume a sentimentos ou palavras, o amor exige atos, atitudes, opções muito concretas na vida. Foi assim que Deus nos amou: “amou tanto o mundo, que entregou o Seu Filho único, para que não pereça o que Nele crê, mas tenha a Vida eterna” (Jo 3,16). O pecado do homem, a rebelião da humanidade, o fechamento meu e seu são uma realidade tão profunda, tão daninha, tão medonha, que inferniza de tal modo o mundo como uma marca de desequilíbrio, de escuridão e de morte, que, de modo misterioso, foi “preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse na Glória” (Lc 24,26)... Atenção: não se brinca com o pecado, não se brinca com a rebeldia em relação ao Senhor, não se brinca com as infidelidades do coração! Devemos, isto sim, combater todo este mal, toda esta perversão na nossa vida! Exatamente porque o Senhor não brincou conosco, mas para a nossa salvação entregou o Seu Filho como se Ele fosse um maldito, nossa resposta a Ele na nossa vida deve ser total e generosa: “Quem Nele crê não é julgado; quem não crê, já está julgado, porque não creu no Nome do Filho único de Deus. Este é o julgamento: a Luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à Luz porque suas obras eram más” (Jo 3,18s). Leia e reze Is 53 e 1Pd 2,21-25. Pense um pouco: nesta Quaresma, você tem procurado melhorar de verdade sua vida cristã? Que aspectos, que elementos da sua existência afastam você do Senhor? Que coisas impedem você de ser do Senhor Deus de todo o seu coração? Ele lhe deu tudo, dando-lhe o Seu Filho...

2. Já no capítulo 22,1-12, aparece o sentimento de compaixão e solidariedade para com o próximo. Tudo isto, fruto da consciência de uma comunidade de irmãos, que têm a Deus como seu fundamento! Pense bem: nada garante tanto a fraternidade, o respeito em relação aos demais, o cuidado pelos outros, como o temor de Deus! Quando alguém tem uma verdadeira experiência religiosa, quando abre o seu coração ao Deus vivo e verdadeiro, torna-se, então benigno, benévolo, atento aos demais. Leia Mt 5,43-48. Você é atento aos demais ou, ao invés, vive somente para você, sem se importar com os outros, sendo-lhes frio, indiferente, distante?

3. O v. 8 tem uma prescrição interessante: ordena que aquele que construir um casa, cuide de colocar um parapeito no alpendre para evitar acidentes. O Talmud dos judeus explica: é o cuidado que se deve ter, a responsabilidade pelos demais, para não causar dano ao próximo! Devemos ser cuidadosos e prudentes não somente naquilo que nos diz respeito, como também prevenir e evitar o que possa danificar e prejudicar os outros! Faça um exame de consciência do modo como você age, como você fala sobre os outros, como você dirige no trânsito, como você trata os que lhe são subalternos e dependem de você...

4. Neste capítulo, aparecem ainda umas prescrições bem esquisitas: não se deve misturar coisas de modo a torná-las como que híbridas... São prescrições e ideias assim que deixam bem claro o quanto as Escrituras Santas não podem ser interpretadas literalmente – nem os judeus as interpretam de modo literal! Quem as pode interpretar reta e corretamente? Quem tem a assistência do Santo Espírito – o mesmo que as inspirou – para atualizá-las? Somente a Igreja, a quem foi concedido o Santo Espírito do Cristo imolado e ressuscitado, critério e chave das Escrituras Santa, Ele, que é a própria Palavra de Deus feita carne! Leia Jo 16,12-15. Em todo caso, nestas prescrições aparece uma ideia bastante válida e importante: a criação de Deus tem um sentido, tem uma ordem e o homem deve respeitá-la. Pense, por exemplo, na aberração, na grosseria, no pecado, na malignidade que é a ideologia de gênero! “Deus criou o homem à Sua imagem, à imagem de Deus Ele o criou, homem e mulher Ele os criou” (Gn 1,27). O cristão e qualquer pessoa que acredite num Deus que tudo criou, jamais aceitará essa ideologia maldita. Cuidado! Respeitar as pessoas, sua história, suas lutas, seus sofrimentos, seus conflitos, sim! Aprovar uma ideologia que é anticristã e destrutiva da humanidade e da família, nunca! Não nos é permitido e não é lógico nem coerente, por causa de uma minoria deturpar e degenerar a percepção e o modo de viver da imensa maioria! O respeito às minorias não pode destruir o direito da maioria! Este ano teremos eleições:
Não vote em partido algum que apoie a ideologia de gênero! Ainda que o candidato desse partido seja o seu pai, não vote! Votar num candidato é fortalecer o seu partido, é votar no seu partido!
Não vote em candidato que tenha promovido a ideologia de gênero ou se omitido em combatê-la...
Seu prefeito, seu vareador, seu governador, seu deputado estadual como têm se portado diante das tentativas de colocar a ideologia de gênero nas escolas? Se foram a favor ou se omitiram, não vote neles e incentive a outras pessoas para que também não votem! Eles vão destruir a família, vão perverter as escolhas, vão degenerar a sociedade! Nossa defesa é unicamente o nosso voto! Peca contra o Senhor Deus quem vota nessa gente, seja de que partido for! A criação foi feita pelo Senhor Deus; ela exprime a sabedoria, o amor e a vontade do Senhor Deus! O homem não deve pervertê-la! Reze o Salmo 8.

5. Neste capítulo também se trata de algumas questões de direito matrimonial e de moral familiar e sexual. Tudo segundo os costumes da cultura semita e da época em que este texto foi escrito. O importante aqui é ressaltar a necessidade e o valor da decência e da retidão de vida. Um detalhe: a vida sexual tem sim importância diante de Deus! Hoje, o mundo descristianizado trata a sexualidade como questão meramente privada: faço o que quero, como quero, com quem quero! Para um verdadeiro crente, não é assim! A sexualidade é obra de Deus, é sinal de amor e instrumento de comunhão e geração da vida. Portanto, está ligada à própria sobrevivência da humanidade e da sociedade. O Senhor Deus deu-nos preceitos de como bem viver esta realidade tão misteriosa e bela, que é o sexo! Pense: como você vive sua sexualidade: segundo a vontade do Senhor ou do seu modo, como se a vida fosse sua, sem ter que dar contas a Deus? Cuidado: Deus é o Senhor também da sua sexualidade: “O corpo é para o Senhor e o Senhor é para o corpo” (1Cor 6,13).

6. Mais uma coisa: observe as duras punições que a Lei infligia à mulher que fosse prometida a um homem e o traísse: deveria ser apedrejada! Agora, pense na Virgem Maria: ela confiou no Senhor Deus, acreditou na Sua palavra... Aceitou engravidar de um filho que não seria de José, a quem estava prometida... Ela confiou e se entregou nas mãos do Senhor: “Eu sou a serva; faça-se em mim!” (Lc 1,38). Veja que confiança, que obediência, que humildade, que abandono, que fé a Virgem Maria tinha no coração! Ainda sob o risco da má fama, da vida destruída, do apedrejamento, ela confia e diz seu sim ao Senhor Deus! Que ela interceda por nós, para que sejamos verdadeiros cristãos, totalmente confiantes e obedientes em relação ao Senhor nosso Deus! Reze Eclo 2.

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