Homilia para o XXIV Domingo Comum - Ano B

Is 50,5-9a Sl 114 Tg 2,14-18 Mc 8,27-35 O Evangelho que acabamos de ouvir apresenta-nos, caríssimos, alguns dos aspectos mais essenciais da nossa fé cristã, aspectos que jamais poderemos esquecer se quisermos ser realmente fieis a Nosso Senhor. Vejamo-los um a um: Primeiro. A pergunta de Jesus: “Quem dizem os homens que Eu sou?” Notem que as respostas são muitas: umas erradas, outras imprecisas, nenhuma satisfatória. Estejamos atentos a este fato: somente a razão humana, entregue às suas próprias forças, jamais alcançará verdadeiramente o mistério de Cristo. A verdade sobre o Senhor, Sua realidade mais profunda, Sua obra salvífica, o mistério de Sua Pessoa e de Sua missão, Sua absoluta necessidade para que o mundo encontre salvação, vida e paz somente podem ser compreendidos à luz da fé, isto é, daquela humilde atitude de abertura para o Senhor que nos vem ao encontro e nos fala. O homem fechado em si mesmo, preso no estreito orgulho da sua razão, jamais poderá de verdade penetrar no mistério de Cristo e experimentar a doçura da Sua salvação. Quanto já se disse de Jesus; quanto se diz hoje ainda: já tentaram descrevê-Lo como um simples sábio, como um homem bom e justo, como uma espécie de pacifista, como um pregador de uma moral humanista, como um revolucionário, o primeiro comunista, como um hippie, etc. Nós, cristãos, não devemos nos iludir nem nos deixar levar por tais visões do nosso Divino Salvador. Jesus é e será sempre aquilo que a Igreja sempre experimentou, testemunhou e ensinou sobre Ele: o Filho eterno do Pai, Deus com o Pai e como o Pai, o Messias, o único Salvador da humanidade, através de Quem e para Quem tudo foi criado no céu e na terra. Qualquer afirmação sobre Jesus que seja menos que isso, não é cristã e deve ser rejeitada claramente pelos cristãos! Segundo. Ante as opiniões do mundo, o Senhor dirige a pergunta a nós, Seus discípulos: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”Pergunta tremenda! Em cada geração, todos nós e cada um de nós devemos responder quem é Jesus. Não se trata de uma resposta somente teórica, teológica, digamos assim. Trata-se de uma resposta que deve ter sérias repercussões na nossa vida. Então: quem é Jesus para mim? Que papel desempenha na minha vida? Como me relaciono com Ele? Amo-O? Procuro-O na oração, procuro de todo o meu coração viver na Sua palavra? Estou disposto a construir minha existência de acordo com a Sua verdade? Deixo-me julgar por Ele ou eu mesmo, discretamente, procuro julgá-Lo? São perguntas muito atuais, caríssimos, sobretudo hoje, quando nossa sociedade ocidental vira as costas para o Cristo, julgando-O anacrônico e ultrapassado. Agora que a nossa cultura já não considera mais Jesus como Aquele