Meditação IV - Segunda-feira da I semana da Quaresma

Reze o Salmo 118/119,25-32 Agora leia Gl 1,11-24 1. “O Evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, pois eu não o aprendi de algum homem, mas por revelação de Jesus Cristo”. Afirmação impressionante, esta! O Evangelho, isto é, o anúncio de Cristo e a doutrina que daí decorre não é segundo a lógica humana, segundo a medida humana. O Evangelho não é sob medida para “agradar os homens”. Pense: Qual a lógica do Evangelho? É a lógica da Cruz de Cristo, Cruz que é sinal de total obediência amorosa ao Pai e total amor aos irmãos. Esta Cruz é loucura, é falta de sentido para o mundo. Leia e reze 1Cor 1,17-31. 2. Agora, reflita nos seguintes pontos: a) O Evangelho não é contra a lógica humana ou a sabedoria humana, mas as ultrapassa; não se deixa limitar ou julgar por elas. Preste bem atenção: é o Evangelho que julga o mundo e o transfigura, não é o mundo que julga e rebaixa o Evangelho. Quem adequa o Evangelho ao mundo “não é amigo de Cristo”. Responda com sinceridade diante de Cristo e da sua consciência: na sua vida, qual é o critério: o Evangelho ou o mundo? Seu coração adequa o mundo ao Evangelho para converter sua vida ou o Evangelho é rebaixado ao mundo? b) O mundo, simplesmente pela medida da sua lógica, da sua sabedoria, jamais poderá acolher de verdade a lógica do Evangelho e suas exigências. A sabedoria humana, para chegar à medida do Cristo, tem que abrir-se verdadeiramente à loucura de Cruz! Isto exige de todos nós, o tempo todo, conversão! Nunca esqueça: você somente poderá compreender o pensamento do Senhor Deus se se deixar conduzir pelo Cristo, deixando-se a você mesmo: seus pensamentos, sua lógica, sua medida, seu cálculo humano... E isto é um processo que dura a vida toda! 3. É indispensável que compreendamos que o Evangelho, isto é, o anúncio cristão e suas consequências, não é obra humana, mas vem de Deus e deve ser acolhido na “obediência da fé” (Rm 1,1-5).Isto: a fé exige a obediência amorosa! Crer é entregar-se ao Senhor, é deixar-se por Ele conduzir, a Ele convertendo-se continuamente (cf. Jo 8,12). 4. Nos vv. 13-14, o Apóstolo recorda sua situação passada: era inimigo visceral da Igreja de Deus! Não esqueçamos: ser inimigo da Igreja de Deus é ser inimigo de Cristo: “Saulo, Saulo, por que Me persegues?” (At 9,4s)Quando falamos Igreja, o que queremos dizer? A comunidade dos discípulos do Cristo, na qual se entra pelo Batismo e na qual se mantém e se cresce pela Eucaristia, sacramentos da comunhão com o Senhor e os irmãos. Isto é a Igreja, com seus vários carismas e ministérios, seus pastores legítimos e seus inúmeros profetas, homens e mulheres cheios do Espírito de Deus, sempre suscitados e sustentados por este mesmo Santo Espírito de Cristo. 5. Observe ainda a situação de Paulo no judaísmo: mesmo com reta intenção e com zelo, ele estava nas trevas! Havia escamas no olhar do seu coração e, por isso, nos seus olhos; somente quando a luz de Cristo brilhou para ele, as escamas da cegueira caíram dos seus olhos e do seu coração. Leia At 9,10-19; 2Cor 3,12-17. Pense bem: Cristo é necessário a todo homem que vem a este mundo! Anunciá-Lo, falar Dele, proclamá-Lo sem medo nem meios termos é dever de amor de todo cristão, pois “não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4,12). 6. Releia agora os vv. 15-24. Observe: a) São Paulo sabe que foi chamado por Deus, o Pai, desde o seio materno. Mais que chamado: foi separado, consagrado para o Evangelho de Deus (cf. Rm 1,1). Isto é um trabalho, uma luta e, ao mesmo tempo, uma graça! Também cada cristão, em certo sentido, de acordo com sua vocação e seu estado de vida, tem um compromisso em relação ao Evangelho: pode ser testemunhá-lo em família, sobretudo na educação dos filhos, no trabalho, na paróquia... Qual o seu compromisso com o Evangelho? Você o tem assumido ou se coloca como alguém por fora? Leia Jr 1,1,5. b) Estar comprometido com o Evangelho de Deus leva-nos a fazer da nossa vida um espaço, um instrumento de revelação do Filho Jesus Cristo. Paulo diz que Deus quis “revelar em mim o Seu Filho” (v. 16). É uma expressão linda! Peça ao Senhor a graça de fazer da sua vida – pensamentos, atos, gestos, palavras – uma revelação de Jesus, nosso Senhor! c) É sempre muito belo como Paulo conjuga o respeito pelos Doze, aqueles aos quais Cristo Jesus desde o princípio confiou o pastoreio da Sua Igreja, sobretudo para com Cefas-Pedro, o primeiro dentre os Doze e, por outro lado, tem consciência que a Igreja não tem dono e recebeu uma missão diretamente do Senhor ressuscitado, que lhe aparecera no caminho de Damasco. d) Também Tiago tem uma vocação similar: ele não era dos Doze. O Senhor o chamou com uma aparição privilegiada após a Ressurreição (cf. 1Cor 15,7). É muito significativo que Paulo e Tiago tenham sido chamados após a Ressurreição. Provavelmente, este Tiago, “irmão do Senhor”, isto é, parente de Jesus, não fazia parte do grupo dos Doze. E, no entanto, ele foi o chefe da Igreja de Jerusalém. Veja a importância dele no chamado Concílio de Jerusalém (cf. At 15,5-29. A mensagem é claríssima: o respeito pelos legítimos pastores e a liberdade dos filhos da Igreja devem caminhar juntos! Que coisa: Paulo e Tiago, dois grandes apóstolos da Igreja nascente, não eram do grupo dos Doze! O Senhor é livre e ninguém é dono da Igreja! O Espírito do Senhor suscita uma incrível diversidade de vocações, carismas e ministérios, que não devem ser sufocados pelos ministros sagrados e, por outro lado, os que recebem carismas e dons devem caminhar procurando estar em comunhão com os ministros ordenados. Só o Espírito de Cristo pode conjugar e harmonizar estas realidades diversas! e) Uma última coisa: O Apóstolo diz que “por minha causa glorificavam a Deus”. Pense na sua vida: As pessoas glorificam a Deus por sua causa ou, ao invés, você foi ou tem sido pedra de tropeço e sofrimento para os irmãos? O que precisa ser mudado na sua vida para que as pessoas glorifiquem a Deus por sua causa? 7. Pensando na sua Igreja diocesana, na sua paróquia, no seu grupo ou comunidade, reze com o Senhor Jesus Jo 17,20-26. Reze também o Sl 132/133 

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