Meditação VI - I Quarta-feira da Quaresma

Reze o Salmo 118/119,41-48 Agora leia Gl 2,11-14 1. Primeiramente, observemos que Cefas, Barnabé e Paulo estavam em Antioquia, provavelmente após a Assembleia de Jerusalém (cf. At 15). Certamente, Pedro estava lá para reforçar os laços fraternos entre essa jovem Igreja cristã e a Igreja Mãe de Jerusalém. Não esqueçamos o importante papel de Cefas na Igreja: ele foi colocado por Cristo como cabeça dos Doze e Pedra da Igreja. A ele cabia apascentar todo o rebanho do Senhor (cf. Jo 21,15-17). Pense bem: A Igreja é comunhão no Espírito de Cristo: comunhão entre as Igrejas diocesanas, comunhão entre os irmãos, comunhão de amor em Cristo na fé, nos sacramentos, no modo de vida, na caridade fraterna. Um cristão e uma comunidade cristã têm sempre o dever de não se isolar mas permanecerem ativamente inseridos na Comunhão da Igreja que nasce e reflete a comunhão do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Tal comunhão é sempre precioso dom de Deus (cf. 1Cor 1,3; 2Cor 1,2; Ef 1,2, etc), mas também trabalho dos irmãos (cf. Fl 2,1-5) 2. Qual foi a atitude de Pedro censurada por Paulo tão duramente? No judaísmo, os judeus piedosos não comiam à mesma mesa que os pagãos, pois estes não praticavam os ritos de pureza dos judeus, como a lavagem de mãos e vasilhas; também comiam alimentos impuros segundo a Lei de Moisés. Pedro já sabia que em Cristo todas estas distinções haviam sido superadas; ele aprendera isto do próprio Cristo! Leia, por exemplo, At 10-11. Por isso mesmo, em Antioquia, o Chefe dos Apóstolos comia normalmente à mesa com cristãos vindos do paganismo. Não importava quem era judeu de nascimento ou não, quem era circuncidado ou não, não importava quem guardasse a Lei de Moisés ou não, quem comesse comida pura ou não! O importante era que ali todos acreditavam em Cristo e Nele haviam sido batizados e comungavam à Mesa eucarística: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas, eis que se fez realidade nova!” (2Cor 5,17) Ora, com a chegada em Antioquia de irmãos vindos de Jerusalém, da parte de Tiago, Irmão do Senhor, membros de um grupo mais rigorista, judeu-cristão, que guardava a Lei de Moisés, Pedro começou a evitar comer com os cristãos vindos do paganismo para não melindrar ou escandalizar esses irmãos rigoristas. Paulo tomou isto como hipocrisia e censurou Pedro diante de todos! Pense: Pedro é a maior autoridade na Igreja, mas não está acima da Igreja nem acima da verdade do Evangelho e pode e deve ser corrigido e criticado com caridade e respeito quando for necessário! Sobretudo aqueles que têm, como ele, autoridade apostólica, devem ser francos e honestos, respeitosos e diretos na correção fraterna para o bem da Igreja. Fugir disto é covardia e espírito de conveniência segundo o mundo! A crítica sincera e caridosa, a correção fraterna, é determinada pelo Senhor na Sua Igreja e ninguém está isento dela! Leia Mt 18,15-20. 3. Pedro estava realmente errado? Sim e não. Sua intenção era boa e correta: ele queria evitar tensões e escândalos entre os dois grupos de cristãos. O próprio Paulo recomendou e fez isto em outras vezes! Veja, por exemplo: At 16,3: circuncida Timóteo para evitar complicações com os judeus; At 21,23-26: leva judeus cristãos com ele ao Templo para deixar claro que ele mesmo era judeu observante da Lei; 1Cor 8,13: recomenda que os cristãos que não se importam de comer carne sacrificada aos ídolos, que são nada, não comam diante de cristãos que se escandalizariam com isto; Rm 14,20-23: recomenda que os cristãos gentios se abstenham de certos alimentos para não escandalizarem os cristãos judeus, que não usavam tais alimentos; 1Cor 9,19-23: estabelece a bela regra de se fazer tudo para todos para ganhar para Cristo o maior número possível! O erro de Pedro foi no modo de proceder. Ele, de repente mudou o comportamento em relação aos cristãos gentios, evitando a mesa deles diante dos cristãos judeus. Isto pareceu mais medo que convicção, mais dissimulação que caridade, mais medo que busca da paz! Um comportamento que poderia escandalizar gravemente os irmãos vindos do paganismo, que se sentiriam marginalizados, como cristãos de segunda classe. Além do mais, estava em jogo também a Mesa eucarística: se uma separação na mesa comum fosse correta ou permitida, como ficaria a celebração do Sacramento mesmo da comunhão, a participação na Mesa do Senhor? Teríamos uma Eucaristia para os cristãos judeus e outra para os cristãos pagãos? Ora, a Eucaristia é sacramento da unidade da Igreja! Seria inadmissível duas eucaristias separadas! Portanto, entre o que Paulo sempre recomendou e o que Pedro fez em Antioquia, a diferença está no modo: sempre com clareza no agir e na compreensão dos motivos porque se faz tal coisa e em vista da caridade! Faltou a Pedro a clareza nas suas intenções, a coragem de proceder com retidão e às claras! 3. Aqui verdade do Evangelho estava em jogo, verdade segundo a qual em Cristo somos irmãos, independente de quaisquer diferença: “Não há distinção entre judeu e grego, pois Ele é Senhor de todos, rico para todos que O invocam” (Rm 10,12s); “Aí não há mais grego ou judeu, circunciso ou incircunciso, bárbaro cita, escravo, livre, mas Cristo é tudo em todos (Cl 3,11)!É impressionante: o que conta é crer em Cristo e Nele ser inserido pelo Batismo e Nele viver na comunhão pela Eucaristia! Ainda hoje é difícil compreender e viver isto! Por isso o grito de Paulo Apóstolo! Pense: Na Igreja, na Diocese, na paróquia, na comunidade ou grupo: ser de Cristo, está Nele inserido, ser por Ele apaixonado deveria ser o critério fundamental da nossa comunhão... É assim para você? E as disputas ideológicas nos mais variados campos de batalha? Parece que Cristo fica por último! – Perdão, Senhor! 4. Releia o v. 14: Fingir é coisa de quem não conhece a Deus, coisa de pagão; não coisa de um judeu verdadeiro e muito menos de um cristão! As atitudes na Igreja devem ser caridosas sempre, mas também sinceras e transparentes! Nada justifica encobrir o Evangelho seja na doutrina seja no procedimento com desculpas esfarrapadas de prudência e de manter a unidade a qualquer custo! 5. Note: A correção fraterna é um bem e ninguém dela está isento, nem mesmo Cefas nem seus sucessores! Não se pode deixá-la em nome da prudência, da unidade ou do respeito pela autoridade! Respeito não é covardia e omissão e obediência não é bajulação e medo! O Papa, os Bispos, os padres merecem todo o nosso respeito, mas não são intocáveis, não são irrepreensíveis sempre e podem e devem ser corrigidos quando necessário, sobretudo no tocante à doutrina verdadeiramente católica e apostólica! Na Igreja não há lugar para cortes de bajuladores e aduladores!“Entre vós, não deverá ser assim!” (Mc 10,41ss) 6. Medite rezando 1Cor 9,16-23. Agora reze o Sl 91/92. 

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