Meditação XIX - quinta-feira da III semana da Quaresma

Reze o Salmo 118/119,147-152 Continuando o que vimos na meditação anterior, leia Mt 5,20. 1. Prossigamos agora o que iniciamos na meditação anterior: o modo como o Senhor Jesus Cristo considerou a Lei de Moisés, a santa Torá dos judeus. Ainda no contexto de Mt 5,17-48, tomemos o importante v. 20: “Eu vos asseguro que se a vossa justiça não ultrapassar a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”. Que significam tais palavras? 2. Aqui, “justiça” refere-se à prática religiosa, ao modo como viver a relação com Deus, em outras palavras, à prática da Lei de Moisés. O justo é aquele que vive debaixo da Torá, aquele que pratica os preceitos da Lei. Basta ver o belíssimo Sl 118/119 que rezamos no início de cada meditação... Veja, por exemplo os vv. 1-8. 3. A quem Jesus está dirigindo estas palavras? Veja Mt 5,1s: Ele está falando não “aos judeus”, mas aos “Seus discípulos”! Então, na concepção de nosso Senhor, existe uma justiça dos escribas e fariseus, isto é, um modo de viver a relação com Deus, um modo de interpretar a Lei de Moisés e seu papel, próprio daquilo que se tornou o judaísmo rabínico, e existe um modo de viver a religião, a relação com Deus, um modo de interpretar a Lei e seu papel, que é próprio dos discípulos de Cristo! E o cristão não é cristão e não entrará no Reino que Jesus viera inaugurar (cf. Mt 4,23) se não passar da justiça dos escribas e dos fariseus para a justiça de Cristo, que é a justiça do Reino! Leia Mt 6,33. Foi isto que São Paulo fez na vida dele: de judeu, fariseu observante, perdeu tudo e abraçou a fé no Cristo, Descendente de Abraão para receber a bênção prometida (cf. Gn 15,5s. 12,3). 4. A justiça dos escribas e fariseus é baseada na centralidade absoluta da Lei e na prática minuciosa dos seus preceitos. A Lei é vista como uma realidade absoluta, a medida e o fim de tudo. Em situações mais radicais, pode-se mesmo chegar a uma falta de amor e de misericórdia em nome da Lei, desfigurando a própria Lei, numa triste hipocrisia. Leia, por exemplo, Jo 8,1-9 e Mt 23,1-36. É importante meditar seriamente sobre estes textos! Ainda agora, no cristianismo, uma visão de Cristo e da religião sem a fidelidade ao Espírito Santo de Cristo, conduz a uma visão dura, exterior e hipócrita da prática religiosa... Assim, cai-se novamente na justiça dos escribas e dos fariseus! Aqui, faça uma pausa para um sério exame de consciência! Pode ser que sejamos cristãos na profissão de fé, na doutrina e escribas e fariseus na prática religiosa! 5. A justiça dos cristãos é baseada não na Lei de Moisés, mas na Pessoa adorável de Jesus Cristo nosso Senhor: “Vinde a Mim! Aprendei de Mim! Tomai sobre vós o Meu jugo! O Meu jugo é suave; o Meu fardo é leve!” (Mt 11,28s) O Senhor supera o fardo dos escribas e dos fariseus e dele liberta com um fardo baseado no amor Dele, no amor a Ele e, Nele e por Ele, no amor ao Senhor Deus e ao próximo! Assim, Ele não extingue a Lei, mas a plenifica e a supera. 6. Como o Senhor faz isto? Dando uma nova Lei que interioriza e radicaliza a Lei de Moisés! Que Lei bendita é esta? Lembre da Festa da Lei para os judeus: era a Festa de Pentecostes. Foi nesta Festa, depois da Páscoa do ano 30, que Jesus nosso Senhor, derramou sobre os Seus discípulos o princípio da Nova Lei, da Nova e Eterna Aliança, como os profetas anunciaram! Esta Lei é o próprio Espírito Santo de Amor. Leia atentamente Rm 8,1-17: a) Observe, no v. 2, como São Paulo fala na “Lei do Espírito”: é não mais a Lei de Moisés, mas a Lei do Espírito de Amor, derramado nos nossos corações (cf. Rm 5,5), que nos faz ter os sentimentos e atitudes de Cristo Jesus (cf. Fl 2,5; 1Pd 2,21-25). b) Veja, no v. 3, como o Apóstolo explica que a Lei de Moisés fora enfraquecida pela fraqueza ( = carne) humana, incapaz de cumpri-la integralmente (cf. Gl 3,21s). c) Releia o texto indicado de Rm 8,1-17 e veja o que significa viver no Espírito de Cristo, na Nova Lei, plenitude da Antiga Lei! 7. Paremos aqui. Agora, só nos resta admirar e louvar a Deus por Seu imenso desígnio de salvação. Reze o Salmo 66/67, que canta a alegria dos que sentem a fecundidade da obra de Deus! Que a chuva fininha e discreta da água, que é o Espírito, faça dar frutos a terra do nosso coração! 

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