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Vai-se intensificando a preparação para o Tríduo Sacro que nos faz celebrar a Santa Páscoa. Desde a segunda-feira passada, as leituras do Evangelho de João apresentam-nos Cristo em tensão com os judeus, tensão que culminará com Sua Morte. Hoje, a liturgia permite que cubramos as imagens de roxo ou branco, exprimindo o jejum dos nossos olhos: a necessidade de purificar o olhar de nosso coração, para irmos direto ao essencial: “a caridade, que levou o Filho a entregar-se à morte no Seu amor pelo mundo” (Oração da Coleta). A partir de amanhã, segunda-feira, este clima de preparação para o mistério pascal intensifica-se ainda mais com o Prefácio da Paixão, rezado em cada Missa.

 

Por tudo isso, o profeta Isaías, em nome do Senhor, nos convida a olhar para frente, para o Mistério que é maior que qualquer outra ação de Deus: o mistério do Filho em Sua Paixão, Morte e Ressurreição:“Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que Eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis”. Mais que a criação, mais que a travessia do Mar Vermelho, mais que a água jorrada da rocha, o Senhor fará algo definitivo! Ele abrirá uma estrada no deserto, fará correr rios em terra seca! Pensemos estas imagens à luz da Páscoa:

O Senhor Jesus nos abrirá no deserto da morte – e das mortes da vida – uma estrada de vida, um caminho para o Pai: “Vós me ensinareis o caminho da Vida!”

O Senhor Jesus fará brotar de Seu lado aberto o rio da graça, o rio dos sacramentos, do Batismo (água) e da Eucaristia (sangue) que regam e fertilizam a nossa pobre existência! “Eis que Eu farei coisas novas!”Coisas novas e definitivas!

 

Nunca esqueçamos que a Páscoa do Senhor – passagem deste mundo para o Pai, atravessando o tenebroso vale da morte – é também a nossa Páscoa: passagem pela vida neste mundo, que terminará com Cristo na plenitude do Pai; mas também, já agora, passagem sempre renovada do pecado para a graça, dos vícios para a virtude, de uma vida centrada em nós mesmos, para uma vida centrada com Cristo em Deus.

É este, precisamente, o sentido do Evangelho deste Domingo: a mulher pecadora, renovada pelo perdão do único que poderia condená-la, porque o único Inocente: “Eu não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. Diante do Cristo, o Inocente que por nós será entregue e por nós livremente entregar-Se-á, como não nos reconhecermos culpados? Como não termos vergonha de julgar e condenar os demais? Como não nos sentirmos amados, acolhidos e perdoados por Aquele que nos lavou com o Seu sangue, nos aliviou com Suas dores e nos revivificou com a Sua Ressurreição? Afinal, quem é essa mulher adúltera? Não é Israel, que se prostituiu? Não é a Igreja, quando nos seus filhos pecadores, trai o Evangelho; quando, nos seus pastores, pensam segundo o mundo e não segundo Cristo? Não somos nós, cada um de nós, com nossas infidelidades, covardias e incoerências? Todos pecadores, todos necessitados do perdão, todos perdoados e acolhidos por Aquele que não tem pecado!

 

Pensemos no Senhor Jesus, naquela Sua caridade, naquele Seu amor, que O levou a entregar-Se à morte no Seu amor pelo mundo! Pensemos com o comovente pensamento de São Paulo. É um testemunho comovente de um amor apaixonado: “Considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor”.

Conhecer a Cristo significa unir-se a Ele, participar de Sua experiência, de Seu caminho, de Seu destino...“Por Ele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a Ele... experimentar a força da Sua Ressurreição, ficar em comunhão com os Seus sofrimentos, tornando-me semelhante a Ele na Sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos.” São palavras estupendas! Perder tudo por Cristo, perder-se em Cristo, tudo relativizar por Cristo e em relação a Cristo, ter na vida e fazer da vida uma única paixão: estar unido a Cristo no Seu sofrimento e na Sua Ressurreição, completando em mim o que falta de Suas dores e experimentando já agora - e um dia, de modo pleno -, o poder vitorioso da Sua Ressurreição.

O que São Paulo deseja? Viver na sua vida, na sua carne, nos seus dias, a Páscoa do Senhor. Deseja que seus sofrimentos e desafios estejam unidos aos de Cristo e sejam vividos em Cristo e no amor de Cristo para também experimentar na carne e na vida – na carne da vida! – a vitória de Cristo. Isto é conhecer Jesus Cristo! Não um conhecimento teórico, exterior, mas um conhecimento coração a coração, vida a vida, lágrima a lágrima, vitória a vitória! Este deve – deveria – ser o caminho normal de todo o cristão! Esta é a verdadeira ciência, que transcende qualquer outra ciência; esta, a verdadeira teologia, o verdadeiro conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo!

 

Está próxima a Páscoa, a Festa dos cristãos! Nestes dias santíssimos, unamo-nos intimamente ao Senhor Jesus Cristo, deixemos que o Santo Espírito reproduza em nós os Seus sentimentos de total confiança no Pai e total entrega amorosa aos irmãos, à humanidade. Sigamos o exemplo do Apóstolo: “Uma coisa eu faço: esquecendo o que ficou para trás, eu me lanço para o que está à frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus”.

Cristo Jesus! Que nome tão doce, que consolo tão grande, que esperança tão certa, que prêmio tão imperecível. A Ele – e só a Ele – toda a glória e toda a honra!

 

“Nós Vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos, porque pela Vossa santa Cruz remistes o mundo!”

 

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